Força e Delicadeza

"Tá por aí?" dizia a mensagem no WhatsApp. Tive um máu pressentimento. Vinda em hora estranha e de um amigo em comum, temi que fossem novidades sobre Luciano, que não andava bem por esses dias. Uma daquelas notícias que a gente já espera receber e nunca espera receber.

Enquanto teclava "Tô", tentei afastar a expectativa ruim da cabeça com a lembrança de que, há cinco anos, quando Luciano passava por outro momento delicado, acontecera algo semelhante mas com final feliz. Daquela feita, havia sido um SMS que, com a mesma pergunta, em hora pouco usual, de outro amigo em comum, havia gerado a mesma apreensão. Naquele caso, a impressão felizmente fora descartada no torpedo seguinte. 

Desta vez, infelizmente, a segunda mensagem confirmou a pior hipótese. 

Putz.



Fiquei dividido. 

Por um lado, tinha vontade de estar perto da família para dar um abraço na Dona Dália (que tão lindamente criou seus 3 meninos), para acarinhar as meninas que perderam o pai (putz! com a mesma idade que eu e meu irmão perdemos o nosso; sei que elas encontrarão vários anjos pelo caminho pois as boas vibrações se realimentam), para tentar dizer algo relevante para Roberta e Duca (mesmo sabendo que nenhuma palavra nem o silêncio é relevante numa hora dessas), para fazer uma prece silenciosa (pois acredito nisso, inclusive no reencontro), para encontrar colegas de arte/ofício que certamente estariam por ali sem saber direito o que dizer, pra onde olhar, onde colocar as mãos (ah, esses roqueiros gaúchos e sua falta de jeito com as coisas da vida real!)... enfim, na falta do que fazer pra realmente ajudar, tinha vontade de simplesmente estar ali.

Por outro lado, sentia-me grato por estar longe, em Minas, prestes a entrar no palco para mais um show. Um pouco por covardia mesmo, confesso (ah, essa falta de jeito com a vida real!); um pouco por achar que não há maneira melhor de celebrar a vida de um músico do que fazendo música.

Enquanto tentava digerir a overdose de informação e emoção, fiquei brincando com uma vírgula: Bravo, Luciano! Bravo Luciano! Bravo, bravo Luciano! 

Uma vírgula bailarina, dançando entre dois significados da mesma palavra. Ambos valendo e descrevendo uma bravura digna de entusiasmados aplausos. Casa cheia, público de pé. A bailarina, elegante, como se tudo de extraordinário que fez fosse normal, sutilmente agradecendo.

Enquanto isso, a ficha foi (vai) caindo aos poucos como caem do telhado gotas da chuva que já parou faz tempo. Alguns pingos ainda cairão anos depois, mesmo em meio a uma tarde de sol. Ficarão uma fração de segundo pendurados na borda, alongando-se até não poder mais, refletindo um raio de luz e... cairão. Emitindo, ao tocar o solo, um som que só os mais atentos ouvirão.

foto: Melissa Mattos
Na madrugada, depois de um show que me ensinou muito sobre minha arte/ofício, naveguei por timelines repletas de mensagens doces oferecendo um pouco de conforto à familia. Oferecer conforto é uma forma de reconfortar-se, a gente fala também para tentar compreender o que diz. 

Não há como ser original numa hora dessas pois a tentativa de entender a morte acompanha o ser humano desde antes da descoberta do fogo. O significado, escorregadio, tá sempre alguns metros à nossa frente nessa corrida. Suficientemente perto para sabermos que ele existe (ela existe), longe demais para ser apreendido (aprendido).

Mas, putz, com um cara tão bacana, jovem e talentoso, todas as frases bonitas e bem intencionadas deixavam na boca um desesperançado gosto amargo de "Será? Mesmo?".

Foi aí que lembrei da força e delicadeza do alemão diante de tudo que a vida lhe trouxe e levou. Parei de brincar com a vírgula, fui direto ao ponto: "Será! Mesmo!"

foto: Gustavo Vara
bah: numa dessas conversas em estúdio, entre um take e outro, Luciano me contou que tinha ido surfar no Chile (se não me falham a memória e a geografia). Estava dirigindo com as pranchas amarradas no teto do carro. De repente, sentiu um tranco e o carro começou a andar mais rápido. Olhou pelo retrovisor e viu que as pranchas tinham caído. Aerodinamicamente mais livre, o carro havia ganhado agilidade e velocidade. 

Imprecisa ou não a lembrança, se me permitem, vou guardar essa imagem do alemão: agora ele está livre, mais leve e ágil, podendo voar mais alto, indo onde só o pensamento pode chegar. Pegando a onda perfeita pois, lá, ela existe. Tocando a nota justa pois, lá, tudo se harmoniza. Olhando pro retrovisor e vendo, em vez de pranchas no chão, só boas lembranças.

- Será? Mesmo?
- Será! Mesmo!

25nov2014

70 comentários:

  1. “Há um tempo em que é preciso
    abandonar as roupas usadas
    Que já tem a forma do nosso corpo
    E esquecer os nossos caminhos que
    nos levam sempre aos mesmos lugares
    É o tempo da travessia
    E se não ousarmos fazê-la
    Teremos ficado para sempre
    À margem de nós mesmos”
    Fernando Pessoa

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  2. Mesmo! Será!

    ...De onde você haveria mesmo de estar neste momento. Nos nossos braços.

    Lu Freitas - Varginha

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  3. Não acreditei quando li a notícia. Será! Mesmo! Fica na paz, Luciano.

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  4. Já imaginava que o texto de hoje seria em homenagem a ele... Que bela homenagem... Com a sutileza que sr pede nesse momento. Ao longo da minha leitura fui sentindo arrepios e meu olho enchendo de lágrimas... Quando soube da notícia corri pra ver a parte do DVD que ele aparece, pra quem sentir falta, é um dos momentos onde ele tá eternizado! Força @1berto!! Força Duca!!

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  5. Será Mesmo!
    Esteja certo, HG, que Luciano está agora livre, mais leve e ágil. Belo texto, bela homenagem e boas vibrações. Fico com a imagem do último show em que tive a oportunidade de ver Luciano no palco aqui pelas bandas de Santa Cruz do Sul no início do ano. Foi um baita show e uma noite incrível.

    P.S: Estranho acabar o texto e não poder ir pro berço e ainda ser segunda-feira.

    Abraço, HG. E até.

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  6. Uma lágrima escorreu na mesa do escritório ao ler o texto, minutos antes de sair para o almoço.
    Força aos Leindeckers!

    Abraços, HG...belo texto!

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  7. Nesta vida bem ou mau vivida, com ou sem sentido, custa acostumar-se a viver até a morte, e morrer para sempre.

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  8. Sábias palavras do meu Mestre Humberto Gessinger.

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  9. Muito boa a metáfora.. as vezes penso que a morte pode ser um presente como sonhou o Senna na noite anterior a sua.. A vida "real" é mesmo muito pesada para nosso espírito tão frágil e volátil.. quem sabe nosso destino seja esta liberdade plena, um dia saberemos, será? será! Abss

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  10. Parece inevitável ler, não lembrar e nem se emocionar.
    😞

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  11. Quando o dia vira tarde... Antes tarde do q nunca, ou seria cedo?

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    1. Sou mineiro nascido e criado na mesma cidade, sou desses que finca raízes e respeito muito isso. Casei-me com uma gaúcha, e gaúcho também tem muita conexão com suas raízes. No entanto, antes que me casasse com uma gaúcha sempre curti a musica gaúcha e "Cidadão Quem" tem uma parte grande nessa coleção de canções. Às vinte horas da sexta feira vi a primeira noticia do Luciano e eu pensei em vocês em Varginha e Itajubá, pensei o quanto seria internamente diferente estes dois shows (principalmente o primeiro), eu já havia reservado minha estadia no hotel coroados em Itajubá, para ter aquela coisa de fã que pode estar mais perto da figura do ídolo que muitas vezes nos parece ser intocável, distante demais. Quando vocês saíram para a passagem de som eu estava conversando com Rafael que tem um amigo em comum, o que permite um estreitamento na conversa, ai você desceu.
      Desceu pra passar o som e havia como deve ser habitual, um aglomerado de fãs lhe esperando para tocar o que nos parece intocável e lá fui eu na frente de todos pedir uma foto, não sei, mas senti pesar nos olhos teus, ou de quem tem regras e horários pontuais fazem parte delas, então por mais que seja bacana o contato com os fãs havia um horário programado e fatalmente aquele encontro iria gerar algum atraso, ou por conta do Luciano e dessa sensação de estranheza que é perder um amigo estando longe (sei disso porque passei por isso), mas tive meu momento de fã e tirei a foto.
      Depois fui para o show, na volta fiquei conversando com Tavares (que por sinal também tem um conhecido em comum em SP) e Rafael na recepção do hotel. No domingo pela manhã fui olhar as fotos e recordar do que recém havia passado, quando olhei a foto que tirei com você, pensei no sentimento que tive na distância temporal entre sua chegada até a van, o aglomerado dos fãs e a foto propriamente dita. Não tive coragem de postar a foto nem sequer guarda-la, não porque achei ruim, o momento de estar perto do ídolo é sempre mágico, milhões de coisas passam pela sua cabeça, mas porque simplesmente aquele não era pra ser guardado em fotos, o registro poético da foto não foi bacana. Eu esperava esse texto teu hoje fui procura-lo, a estrada continua e a finitude dessa Highway nos vem aos olhos quando amigos se vão e isso precisa ser respeitado. Espero estar em outros shows e em outros hotéis para ser um fã menos egoísta e dividir um momento de modo diferente. Mas lendo o texto senti vontade de escrever este também, espero não ter sido invasivo assim como fui sábado, nem sei ao certo se vai ler, mas para mim é preciso externar isso. Um grande abraço de quem você não conhece e nada sabe sobre você. Mas fica aqui um abraço com tom de desculpas. Ass. Marcelo Educa

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    2. ... belo registro, Marcelo... super compreensível...

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    3. Polegar aos céus pra ti
      (NPoA!)

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    4. Eles ficaram no hotel Coroados Marcelo? Putz que pena mais uma vez meu sonho adiado de conhece lo pessoalmente .

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  13. nova música: ( Ditados sem ditaduras )

    " calma leão
    camaleão
    essa fada
    é safada

    o apressado come cru
    o lerdo não come nada

    não tem cão caça com gato
    não tem gato, nem cão
    caça com a mão

    andorinha só
    não faz sexo

    eu tinha um cachorro
    que se chamava " choco"
    o chocolate
    o "choco" late, late...late "

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  14. Sábias palavras, belo texto. Um grande abraço !

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  15. Sidnei Rodrigues - SP24 de novembro de 2014 13:18

    Depois Silêncio!
    Abraço....

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  16. Em contrapartida, falta um mês... Depois de meia-noite, faltará um mês -1, mas faltará um mês para o Natal. E depois de amanhã faltará um mês -1 para o Natal...
    Ah, a morte... Quão linda e angustiante é a sua imprevisibilidade!
    Força, AgáGê!

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  17. https://www.facebook.com/photo.php?v=317280691792521

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  18. Nó na garganta, olhos cheios de lágrimas... Ok Mestre vc conseguiu mais uma vez!

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  19. Este comentário foi removido pelo autor.

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  20. Me emocionei com teu texto HG. Tu tocou na ferida daqueles que já sentiram a perda, mesmo que à distância...Abraços e força!

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  21. Agora Luciano pode voar e repousar seu espirito em paz. A morte não é o fim, é apenas o começo da eternidade. Um dia vocês se encontrarão, seja nessa ou em outra encarnação, vocês se encontrarão.
    Sobre o show de Itajubá: foi maravilhoso. Obrigada por nos propiciar um momento agradável mesmo em seu momento de dor. Forças! Grande abraço.

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  22. cara! tu disse muito... me identifiquei com este texto,tocamos juntos um dia em um tributo aos beatles com minha banda,hum unico ensaio, o Luh era um puta musico,uma dinamica e versatilidade musical que fazia qlqr um achar que se pode ser versatil e dinamico musicalmente. Certamente ela esta num lugar melhor que nos.Paz e Luz!

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  23. Humberto...

    No meu feed do Facebook, um link anunciava a partida do Luciano. Logo abaixo, uma imagem convidava pra celebrar a música junto com você num show. Foi inevitável. Pensei no seu coração. Você, com o Pouca Vogal, havia me apresentado o Duca, o Cidadão Quem e o Luciano. E aquelas músicas que conhe me fizeram visitar um mundo onde as palavras, o ritmo e o afeto transbordam - próximo daquele que encontrei também no seu trabalho. Suspendi por um instante. Só depois percebi que não havia incoerência em você estar naquela noite em um palco. Imaginava, sim, a su vontade de estar com os queridos, mas tinha certeza que o espetáculo foi pra/por ele ("Por Você"). E o espetáculo continua, né? Sabendo da beleza do capítulo do Luciano por aqui.

    Abraço

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  24. Show de Varginha primeira vez que te vi pessoalmente. Toda a profundidade das suas letras eu vi no seu olhar. Palavras tocantes, me emocionei aqui. Que a força que move seu extremo talento seja levada até quem sofre ainda que distante.

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  25. Humberto, tem um ditado que diz : "O luto tem hora para começar mas não tem hora para terminar"... R.I.P, Luciano...

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  26. Texto lindo! Digno de um texto sobre o Luciano! RIP :(

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  27. Linda homenagem...to arrepiada aqui ..Fique bem..Esteja bem!Amo v ocê! <3

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  28. Bah! Chegando aqui só agora, depois do Couvert. Bela homenagem. Belo show, como sempre.

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  29. Foi tocando o som do trovão que vem a vã noticia...uma balburdia!
    Voe acima dos radares Luciano, agradecemos todo esse pouco tempo!
    Paz, sempre!

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  30. Dá vontade de ligar pro amigo e perguntar se tá tudo bem

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  31. ...eu, cá do Nordeste, só tive a oportunidade de ouvir falar da Cidadão Quem depois do Pouca Vogal, por causa do Duca estar tocando com o Humberto... E pude conhecer outras vertentes do rock gaúcho, além dos Engenheiros e do Nenhum de Nós... Assim, pude conhecer um pouco do trabalho do Luciano e li, através dos comentários do Duca e do Humberto, sobre a grande figura que foi. Ainda de cá, só tenho a desejar à família e amigos que encontrem o conforto em Deus e que possam continuar sua jornada na terra com as boas lembranças e partilhas que tiveram na companhia do Luciano. Deus abençoe a todos...

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  32. Silêncio agora a quem nos presentiou com lindos sons

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  33. Este comentário foi removido pelo autor.

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  34. vai ser difícil
    guerrilha do coração!!!
    vai numa boa!!!

    força e delicadeza
    sonho e precisão
    seja firme seja leve

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  35. Minhas sinceras condolências. No domingo, fui ao sepultamento da mãe de uma amiga. O local estava cheio e era um início de tarde chuvoso, molhando as folhas das árvores e a grama do Jardim da Saudade. É neste momento que temos uma noção mais clara do quanto somos frágeis e do quanto a vaidade humana é sem valor. Na dor dos presentes, sempre via também a força do silêncio compartilhado, dividindo, fragmentando, uma angústia que aperta o peito e faz os olhos se transformarem em chuva para entregá-la ao solo onde adormece alguém amado.

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  36. Belo texto, do jeito que só HG consegue. Que Deus conforte o coração dos familiares e cuide do Luciano...

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  37. Humberto, sobre o lance do "reencontro", cara, ele existe. Tem verdades que são verdades independente se o ser humano acredite ou não. Cultive os momentos bacanas que você teve com o Luciano e que Deus conforte os familiares e amigos. ( Fica com DEUS Luciano ). Beijo Humberto até a semana que vem.

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  38. Quanto vale a vida??de que vida falamos!! A certeza que esperamos ter é de que Luciano estará tocando, surfando, bem sem doenças físicas. Que Deus o acolha em sua misericórdia, e dê o conforto a seus familiares, amigos e fãs, e até mais, na confiança de um dia todos reencontrarmos. Abraços boa semana e boas vibes!

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  39. "Ah, vida real ! Tchau !"

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  40. Putz..."Quem é vc,que se esconde..." em paz!!!

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  41. Honra tê - lo visto participar do show PV aqui em Joinville.

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  42. lamento muito humberto pela morte do teu amigo que conheci no DVD do pouca vogal

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  43. Que belo texto! Bela homenagem!
    Eu lamento.

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  44. Bela homenagem, pelas palavras usadas tive certeza de que foi um grande homem.
    Meus sentimentos. Sinto muito!

    Descanse em paz Luciano. (se é que no ceu tem wifi)

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  45. Em tuas linhas lembrei de um relato já esquecido de um grande amigo meu, dizia ele que não sabendo lidar com a morte do pai de um outro amigo não compareceu naquele momento para dar forças, pois as palavram lhe faltavam, e que o silêncio em si não poderia preencher nada. Quando com um certo tempo encontrou a irmã desse amigo e ela lhe disse o quanto a presença dele, e não as palavras, fizeram falta, e que ainda era hora de se fazer presente, e assim ele fez. Foi compartilhar o silêncio (e eu, particularmente, admiro muito o compartilhamento do silêncio, só pessoas que se entendem e se gostam muito pra compartilhar algo assim). Neste ano esse amigo, que não soube como agir, decidiu por vontade própria nos deixar, e eu covardemente não me fiz presente, nem pra um último adeus, nem pra consolar (e ser consolada por) aqueles que nos eram próximos. Só depois de tuas linhas recordei do relato, e de nossos medos de lidar com a vida real. Acho que ele, e os outros que nos eram queridos, merecem sim, meu abraço apertado, e meu silêncio. Obrigada Humberto

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  46. Hoje só chorei. Os mil textos fiz na cuca, dentro. Hão de aparecer, em fragmentos, nos próximos, nos prósperos - ainda que eu não lembre que venham daqui.

    !Quando a gente fica mais velho, mais gente morre!

    (A quem a palavra "morre" incomodar, perdão. Esse é meu primeiro fragmento e eu mesmo senti um pesar quando me li, mas não, não há. É palavra; variação de mesmo tema a se dar nome aos bois. Fitei minha idade, vi a boiada. Mas não gado [seja o músico, o gaúcho, o roqueiro, seja quem for, se for desafinado do corinho dos contentes, não será gado]. E eu, gaúcho criado no Rio - querendo ser bagual -, a minha versão, quero dizer: baita boi fora o Luciano!)

    Beijo no seu coração Humberto. E nos corações da família Leindecker.

    Lautildes (NPoA!)

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  47. FUI A 2 SHOWS DO POUCA VOGAL AQUI EM NATAL-RN UM DELES COM O MALTZ COMPREI 3 DVDS DO PV, CDS, CAMISAS, CANECA E AGASALHOS.. COMO NÃO LEMBRAR?
    MEUS SENTIMENTOS A FAMILIA E QUE UM DIA O PV VOLTE A FAZER UMA TOUR OU GRAVAR MAIS UM CD/DVD..

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  48. Humberto, o que vc quer dizer em uma de suas músicas que "o céu é só uma promessa"?
    E o que quis dizer neste post que acredita no "reencontro"? Reencontro na terra ou reencontro no céu?

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  49. Humberto Gessinger, tem uma música cantada por Milionário e José Rico que traduz bem esse momento, a música é: Mensagem do Além. Escuta aí. Aliás todos aqui devem escutar. Abçs a todos.

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  50. Meus sentimentos amigo Humberto...Tu não me conhece, nos meus tempos de fã voraz... Já tirei fotos, lhe fiz perguntas até gravadas contigo... Continuo com o mesmo interesse por toda sua obras, mas de forma mais calma e clara...Não há um dia que não vou para trabalho ouvido tuas músicas no carro. E tu não me conhece mas te considero como um amigo especial... Por isso nesses momentos consigo entender o que deve está sentindo...E por isso lhe digo e também como um mineiro que não, se dá muito bem com a vida real, ainda mais nestes casos...complexos da vida, apenas que você e a família desse cara tão genial encontre forças para sempre seguir em frente e com o coração suave e tranquilo... Super Abraço... De grande fã de Belo Horizonte, que muito te admira... Abraços...

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  51. 'Sempre'

    também é uma forma de enternecer sem eternizar... somos humanos.
    da mesma forma que a chuva deve anunciar, que o toque chega aos toques, de uma forma singular.

    hoje lendo 'Bagagem' de Adélia Prado, me encantei com um poema no qual ela sonha com uma 'cor' que inventou...

    Da mesma forma em que acredito na 'Onda' criada/preparada pela alma do Luciano.

    meus pêsames

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  52. A morte é tão complexa que chega a ser simples, ou é tão simples que se torna complexa?

    Não sei entender... Muitas vezes me parece simples, alguém só parou de sofrer aqui nessa terra e foi pra um outro lugar, na minha crença o céu, o paraíso. O lugar onde imagino que tenha todo o amor e a paz que sonhamos.
    Mas pq nunca se quer morrer, ou nunca se deseja isso ao próximo? Eu não sei. Acho que ninguém conseguiria explicar. Algo tão complexo? Ou algo tão ridiculamente simples que nos negamos pensar a respeito? São perguntas sem respostas.
    Eu respondo: PQP! É tudo que consegue sair.
    E a dor? É inexplicável. Essa também deve vim te outra dimensão, pq nunca sabemos quanta dor é possível aguentar, parece o fim do mundo..

    Não sirvo pra consolo, pra ombro amigo, nao tenho essa virtude. Sirvo se precisarem de mais alguém pra chorar, pra sofrer junto.. Ah, nisso eu devo ser boa, pq nunca vi mais mole. Mesmo sendo péssima nisso, e com mais de uma semana de atraso, se te serve de consolo... O Luciano não queria ta aqui, ele queria que todos estivessem la com ele agora, pq tenho certeza que o alívio e a alegria que ele deve ta sentindo lá, libertaram a alma dele, então agora ele nao pertence mais a terra. Quem sabe ele aponta e ri da gente "meros mortais", já que na condição dele agora ele é imortal. Deus o tem, pense nisso. A paz de espírito não tem preço, ele só quer que todos os que amavam ele, terminem a missão na terra para reencontra-lo logo, mas a missão não pode ser interrompida é até o final, e todos tem que cumprir o seu papel.
    Acho que tem gente que é boa demais pra ficar sofrendo aqui nesse mundo, esses merecem o céu mais cedo, o que é um enorme privilégio, pode ser o caso dele.

    Essas fazem parte da minha teoria e da minha fé. Podem fazer parte da sua ou não, eu nao sei. Mas a tentativa foi só tentar ser mais um "ombro amigo", aquele meio torto e desengonçado, mas sincero e que não sai de perto. Abraço!


    Halana - GO

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  53. Não há como fugir, nem como se acostumar...
    O melhor mesmo é pensar que tudo isso vai doer menos em algum momento, e que as melhores lembranças e sentimentos ocuparão o lugar da dor...

    Será? Mesmo?
    Pernambucanos também não lidam bem com isso, acho que gente não sabe perder, mesmo que seja pra eternidade

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  54. "Que a terra lhe seja leve!"

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