Um Texto Só Que Não (158)

Pois a Copa veio e a Copa foi e eu sigo mixando o audio do DVD Insular...

( "Úi, que burro! Dá zero pra ele", diria o filósofo mexicano. Com razão: se estou mixando, obviamente é audio. Se fosse video, estaria editando. )

Fato é que, neste período, no mundo encantado da FIFA, nasceram alguns heróis e alguns heróis tombaram (alguns heróis nasceram E tombaram nesse período).

E eu? Sigo no estúdio. Tenho a paciência de um monge? Sou um nerd detalhista? Nah, essa etapa do trabalho é demorada mesmo. Ainda mais neste caso: 
- são 23 músicas gravadas ao vivo
- as gravadas na serra gaúcha têm cinco formações diferentes (em 3 locais distintos) 
- as gravadas em BH têm seis formações diferentes.

Acima de todas as dificuldades técnicas, reina a vontade de eternizar o irrepetível. Será possível salvar aquela performance única para sempre? Na tentativa, há muito o que decidir e executar. Há que traçar fronteiras (sempre subjetivas) entre técnica e emoção. 

Falando em fronteiras: desde cedo ergui um muro imaginário que me separa da mesa de mixagem. Vi colegas picados pelo bichinho da tecnologia de produção musical afastarem-se da saudável falta de controle que a criação artística pede. Não quis correr este risco.

Por sorte, encontrei no caminho gente bacana pra mexer nos botõezinhos, movimentar o cursor e clicar no mouse (Alexandre Master, Ronaldo Lima, Protásio Jr, entre outros).

Nesse tempo em que estou mixando o DVD Insular (das 9 às 19 por tempo suficiente para se jogar uma Copa) me orgulho de ainda não ter sentado na cadeira do técnico. Fico dois metros atrás, no sofá, dando pitacos que - imagino - às vezes são difíceis de traduzir em números frios, parâmetros precisos  e frequências sonoras.

Na espera, entre uma e outra manobra do heróico técnico de som na sua mesa mágica, andei lendo toneladas sobre a Copa (o mais recente foi um texto bacana do Carlos Maltz citando Nélson Rodrigues com propriedade). 

Li fofocas, teorias conspiratórias, táticas, escalações, palpites, flautas, teses sociológicas... Algumas coisas interessantes, outras pretensiosas (algumas pretensiosas E interessantes). 

Essa overdose de informação me tirou a vontade de falar no texto desta semana (sim, até aqui espero não ter dito nada). Mas, hey, qual seria a justificativa de postar este não-texto? Esta: sugerir que vocês ouçam música no tempo que gastariam lendo. 

Qual canção? Por quê a escolha? Bom, isso daria outro texto, né? Um verdadeiro. Ou comentários muito bacanas abaixo deste não-texto. Sou todo ouvidos.


beijos e abraços
15jul2014

84 comentários:

  1. Sofrimento esperar o texto... ele smp vai estat aqui na manhã seguinte. É amor né

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  2. Sob o tapete. Era o que eu gostaria de estar ouvindo.

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  3. Agora sim minha semana começou...
    Até seu não texto é massa...
    Agora.... Zzzzzzzz

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  4. Seu jeito de ser cartesiano é muito legal. Continue assim. Acho que quanto mais você tenta externar subjetividade, mais objetivo vc é. Perdão se escrevi um monte de besteiras. Abraço.

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  5. cê é demais, cara, contando os dias pro teu show aqui em Brasília!!

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    1. Sua colônia venceu a Copa hahahaha Parabéns!
      Melhor Seleção e melhor futebol, foram bem premiados!

      Belo não-texto. Nos vemos em João Pessoa! Abraços

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    2. Tbm aguardo o show em a Brasília. ..

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  6. Ah, gostaria e vou ouvir Milonga do Xeque-mate

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  7. Gritos na torcida
    Sinos na catedral
    Uma palavra omitida no hino nacional

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  8. Na manha seguinte...sempre a meia noite!

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  9. 1berto, nenhuma previsãozinha do lançamento do dvd? Please!

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  10. Bah! Eu já acabo me entendendo mais com os botõezinhos que na tradução de minhas ideias. E olha que os botõezinhos não são fáceis...rs
    Texto não texto... é... às vezes dizemos mais quando não dizemos nada. Ou não...rs

    Copa no estúdio é lugar da pausa pro café, né?

    Continue a montagem do quebra cabeças (que não lembro agora se ainda tem hífen) e a gente admira o quadro depois ;-)
    Boa semana, bom trabalho.

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  11. Um texto, só que não..
    Uma copa, só que não

    São Várias variáveis,
    E todas, variações sobre um mesmo tema.

    Quem sabe a copa não sejas o melhor campeonato de futebol (como disserá em teu livro),
    Quem sabe tudo o que se disse é mais do mesmo.

    Enfim, fim,
    fim de copa, fim de festa (fan fest)

    Enfim, Campeonato legal (Brasileirão, etc e tal)
    Em fim vida real, Tchau?!

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  12. Escolhido (escolhida por) "Eu preciso aprender a só ser", Gilberto Gil

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  13. #Toda Forma + Banco (Pouca Vogal ao vivo)
    "Deve haver algum time de futebol que ainda te emocione (ganhando ou perdendo, ele sempre te emociona)"

    Fui assistir a partida entre Espanha 0x2 Chile no Maracanã.
    Mesmo depois da surra da Holanda na primeira rodada (5x1), fui ao estádio com foguetes e bandeiras, como na música do Neguinho da Beija-Flor.

    Ver Xavi, Iniesta, Davi Silva, Casillas, entre outros, mesmo que em queda de produção, foi mágico demais prá mim.
    Triste não foi nem perder e ser eliminado da competição. Foi perceber que estava testemunhando o fim de uma geração que venceu tudo (euro 2008, copa do mundo 2010 e euro 2012).

    Os craques/ídolos deviam ser eternos.

    Saudações.

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  14. Ouvindo Em Resposta a Carta de Fã - Belchior :)

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  15. Não quer dizer nada, mas ja disse tudo! Valeu mestre! Boa semana! Ansioso pelo DVD.

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  16. Hora do Mergulho. Visita à casa dos pais, início da madrugada, todos dormindo, o frio de julho e a solidão do quarto. Parece apropriada. :)

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  17. ah,eu vou de não me arrependo do caetano https://www.youtube.com/watch?v=3jCztUzuAU0
    só pq tava com ela na cabeça e vou no show dele amanhã =)
    boa semana,até o próximo texto ou-não-texto

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  18. Ouvindo Paulinho Pedra Azul, lembrando de meu pai cantando pr'eu dormir e me contando a história por trás de Jardim da Fantasia, essa sim renderia um texto...

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    1. Parabéns pelo bom gosto e pela sensibilidade do comentário. Tenho filha ainda criança e espero um dia marca-la assim...
      AMCL

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  19. Corri pra ver o texto da semana e o não texto me convidou a fazer o que eu já pretendia antes de abrir o blog. Cliquei na janela de favoritos ao invés de clicar no play, a música que aguardava era: "Todo sujo de batom" - Belchior (na versão acústica que ele canta de camisa azul). Ouço agora!
    Valeu 1berto!

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    1. Acrescentaria também do Belchior: "Coração Selvagem" e "Beijo Molhado".
      AMCL

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  20. Sem mto pq... Acordei com esta música na cabeça, e ela me acompanhou durante todo o dia... http://www.youtube.com/watch?v=-X_LYn9xT5Y&feature=youtube_gdata_player

    =)

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  21. 1berto... Nos vemos na sexta... É sua primeira vinda pra Guarapuava. Torço pra que seja bem recebido e aprecie a hospedagem. Estou te esperando. Até sexta.

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  22. Ando só, pois só eu sei pra onde ir, por onde andei... ando só... há um mapa dos meus passos nos pedaços que deixei... ando só!!!

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  23. Texto não texto, gostei da sinceridade, sugestão aceita bateu uma vontade de ouvir "Vozes", gosto dessa letra me identifico um pouco....e precisasse tanto quanto eu preciso da solidão, não me pediria pra repetir..... Isso valeu!

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  24. Adoro seus textos... adoro a terça!

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  25. Gosto de ouvir textos e ler músicas.
    Leio as entrelinhas dos sons que possuem palavras sem sentido mas se encaixam milimetricamente na consciência inconsciente do ser.

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  26. Procuro pelo texto do Maltz que cita com propriedade Nélson Rodrigues!
    Alguém achou?

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    1. Esta aqui o belo texti do Maltz http://pormaispapocabeca.blogspot.com.br/2014/07/copa-do-mundo-o-teatro-grego-do-agora.html?m=1

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  27. Texto da semana ta muito bacana. Legal saber que o 1berto também assiste o filósofo mexicano, rsrs

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  28. Vamos ter + uma vez show insular festival de inverno bahia?

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  29. Humberto, meu caro, eu realmente estava esperando um texto sobre essa copa. Mas como você mesmo disse, toneladas de coisas, já foram escritas. E confesso. Estou até as tampas de ouvir falar sobre copas. O líquido da minha paciência se foi. E eu agradeço a você por não ter tecido ideias nesse momento, sobre esse evento, desastroso ou não. Bom, eu gostaria e no caminho para o almoço hoje, vou ouvir: Milonga do Xeque-mate, que é uma canção que eu me apaixonei. Aliás, eu tenhoo alegria em ter o meu CD, autografado pelo Sr. Grande abraço. Leonilda.

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  30. Me sinto honrado de acompanhar o HG desde desde quando era muito novo.
    Agora beirando os 40 continho gostando de tudo na mesma intensidade. Valeu! HG

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    1. Como dizem: Estamos juntos, nessa.

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  31. Durante estes (acredito que) doze anos em que aprecio a música do Gessinger, percebi em mim um ciclo de comportamento que tem se repetido desde então. Mas antes de explicar, vou voltar ao princípio.

    Quando tive contato pela primeira vez com um CD do HG, que na verdade era uma coletânea, "O melhor de Engenheiros do Hawaii", só me lembro de um pensamento imediato: odiei. Como "O melhor de..." poderia ser de músicas tão ruins? Me lembro especificamente que odiei mais a "Mapas do Acaso". E o pior de tudo: Como uma banda de Rock Nacional poderia se chamar "Engenheiros do Hawaii" ? E ainda com dablio e dois i's !! Pra mim isso era a receita do fracasso.

    Ainda bem que eu tinha apenas 10 anos de idade, era no ano de 1997 e meu irmão tinha ganhado o CD de aniversário de 15 anos (hoje ele tem 32). Aquele CD ficou guardado na prateleira de casa, por 5 anos, até que, numa sexta feira à noite, ligando o rádio, começa a tocar uma linda música, Muros e Grades, de uma tal banda chamada Engenheiros do Hawaii.

    Eu não acreditei que aquela banda teria feito uma música tão linda. Minha primeira reação então foi tirar a poeira daquele CD que tava ali jogado há 5 anos e ouvi-lo novamente: parecia que eram outras músicas, mas não, eu que era outro.

    Foram necessários 5 anos de amadurecimento pra começar a entender aquela banda (ou bando), chamada, acreditem, Engenheiros do Hawaii, com dablio e dois i's.

    Minha primeira reação, então, foi começar a procurar tudo sobre eles. Acabei descobrindo um álbum recém lançado: Surfando Karmas & DNA. Nããão... Denovo Nããão... Aquele nome me desanimou. Um CD com aquele nome não poderia ser bom. O dilema durou algumas idas à loja até que a curiosidade superou a decepção pelo nome. Comprei o CD e quase o furei, de tanto ouvir. Eu estava realmente apaixonado por aquela banda.

    Queria todos os CD's já lançados, queria conhecer todas as músicas, e de uma só vez. Infelizmente (ou felizmente), descobri que era muito material. Como um guri de 15 anos, estudante, com o dinheiro apenas do cofrinho, poderia comprar tantos CDs?

    Foi então que recebi o golpe fatal: descobri que existia um BOX com 10 daquelas obras que eu desejava tanto. Sem exagero, cheguei a sonhar com ele. Mas tinha uma esperança: minha mãe me prometeu como presente de aniversário. Sinceramente, nunca ansiei tanto pela chegada daquele dia. E ganhei o melhor presente.

    Com o tempo consegui completar a discografia. Muita água passou por baixo da ponte. Consegui participar da gravação de um DVD. Inesquecível!

    Mas, voltando ao assunto do começo. É interessante os ciclos que envolvem minha vida com o trabalho do HG. A primeira vez que tenho contato com um CD ou DVD recém lançado, não fico fascinado. Apenas olho como um cachorro que cheira o saco de lixo tentando identificar o que tem dentro. Levo um bom tempo para digerir. Mas o tempo é mágico. Transforma aquela música, ou a adapta às minhas experiências de vida. Por isso que ela é atemporal.

    Tem períodos em que odeio uns CDs e amo outros, às vezes é o inverso. Cada ciclo da minha vida carrega uma trilha diferente, e o melhor de tudo nem é gostar de tudo, mas é gostar de cada um num tempo diferente. E parece que mais um ciclo se fechou com a gravação do DVD Insular. Uma biografia musical que colocou um ponto final em tudo que vivi até hoje. Um ponto final... ou melhor dizendo, reticências.

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    1. Legal, Eduardo!

      Esse é o efeito da arte.

      Um grande abraço.

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    2. Gostei muito da sua história!

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  32. “Há um tempo em que é preciso
    abandonar as roupas usadas
    Que já tem a forma do nosso corpo
    E esquecer os nossos caminhos que
    nos levam sempre aos mesmos lugares
    É o tempo da travessia
    E se não ousarmos fazê-la
    Teremos ficado para sempre
    À margem de nós mesmos”
    Fernando Pessoa

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  33. um texto não texto, muito bom, será um nerd detalhista? nada de meias palavras de duplo sentido.... GRANDE 1BERTO.

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  34. Terminei de ler esse texto bastante emocionada, Humberto!Muito obrigada :)) A música por aqui é Nunca Mais e eu sigo te convidando para voltar ao Rio de Janeiro -se é que eu posso fazer isso- sem medo de passar por chata! Beijos e abraços também.

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  35. Caro Humberto, as pessoas não gostam de ser confrontadas. De se mirarem em espelhos... Cê sabe... Também são muito diferentes entre si. Umas gostam de provocar, outras preferem reconfortar e assim vai... Também li coisas ótimas e pretensiosas sobre a Copa. Torci contra o Brasil. Na verdade, a última Copa em que torci a favor - e torci muito a favor - foi a de 94. Não me considero nem um pingo menos brasileiro por isso.
    Mas nem se tivesse projetado um roteiro, teria sido tão bom. Achei que o que de pior ( pra eles) podia acontecer seria a seleção ser eliminada já nas oitavas. Não acreditava que ela não passaria pela fase de grupos. Mas o que aconteceu foi melhor e mais divertido.
    Por que esse meu sadismo? Porque não acredito nesta identificação entre a seleção e o povo brasileiro. E queria ver provocadas as pessoas que fazem desta identificação algo muito importante. Não é que não acredite na identificação de uma seleção com o povo de um país. Acredito e acho mesmo que isso pode ser muito bonito, às vezes. Por exemplo: achei interessante o interesse dos estadunidenses na Copa. E de certa forma, deu pra ver nas fotos nuances de uma outra América ali. Em certo sentido, até um pouco parecida com o Brasil. Quantos Brasis cabem no Brasil?
    Mas eu acho, ou eu sinto, sei lá... que muitas pessoas querem sequestrar a brasilidade pra si. Um pouco esse lance do cidadão típico de que falasse no penúltimo texto. Como se fosse vedado a outro tipo de gente ou comportamento o ser brasileiro. Quantos manés não vociferaram nesses dias: "Brasileiro não pode torcer pra Argentina!"?
    Queria que a Copa servisse pra provocar muita gente. Queria ver semeada a discórdia e a desilusão. Porque queria que saíssemos dessa melhor. Mesmo que a imensa maioria ache que saímos pior, muito pior... Um dos caras que escreveu um texto interessante foi o Pondé. Vc já deve ter lido esse texto. E uma fez ele escreveu "A Bahia é uma terra devastada pela alegria". De certa forma, o Brasil também já passou por isso. E eu não tenho dúvida, de que muita gente que move os cordões desse país - do primeiro ao quarto poder, digamos assim - gostaria de que fossemos uma grande "Bahia". Nada contra a Bahia e os baianos, obviamente. É mais ou menos como o verso lúcido de José Bergamín: "Dicen que España está españolizada".

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  36. A Copa motivou muita reflexão em vários lugares do mundo. Pude acompanhar isso lendo vários textos formidáveis. Lê-se tonterías várias também; E como vc deu a entender, o mesmo cara que tem sacada ótimas pode dar uma desafinada severa depois. O que pode acontecer com qualquer um. O Nelson Rodrigues é genial, por exemplo. Agora deslumbra os idiotas que sempre chegam atrasados e sempre lêem enviesado. Quer coisa melhor para nos purificar de tanta ladainha supostamente de bom-moços e boas moças (bom moço tem hífen, boa moça não tem. Eh Brasil.) do que: "Toda mulher gosta de apanhar. As neuróticas reclamam". Claro que ele não está incitando a violência masculina. Está dizendo que mulher gosta de um tapa; A gente pode imaginar a hora em que elas gostam de um tapa. Enfim, mas tudo isso era para dizer que ele também vez ou outra dá (ou dava : ) umas derrapadas feias – às vezes, por vaidade, entusiasmo. Quem não derrapa por vaidade? Mas no meio de tanta pérola, não dá pra reclamar de umas pedrinhas que vieram juntas na rede, né não?
    Isso da Copa motivou muita reflexão e eu tenho de encerrar. Isso aqui não é um texto pra jornal badalado. É sintaxe de boteco pra compensar um pouco "Humberto, você é lindo", "Humberto, você é mestre", "Humberto, vêm tocar em Uberaba", "Humberto, me sinto só", "Humberto, lê o que postei no meu blog". Às vezes nada contra quem escreve isso. Às vezes tudo contra. A vida é complexa, graças a deus; Deus é licença poética, né não...? Outro excelente texto do Duduvier também foi de arrasar. Tá na hora dessa porra dessa gente entender que nossos conceitos podem ser coisas muito pobres, ou talvez melhor dizendo, precários... Que Deus, se deus há ou não há, pode ser uma coisa tão absolutamente outra que nosso papo sobre ele é como disse o Nietzsche, não me lembro onde, "uma dor de criança". Pode-se falar sobre "Deus" de um jeito inteligente. Há excelente pessoas na Igreja que fazem isso. Conversaria sobre deus com o papa Francisco, sem dúvida. E com tantas outras pessoas. Mas como quase todo mundo faz de sua fé "sobrenatural" algo pobre... Não percebem que estão enredadas num preconceito, um pré-juízo, um reconfortante... um escapismo pouco producente no mais das vezes.

    Enfim. Gostaria (gostaria?) de dizer outras coisas, mas tá na hora de parar. Tô cansado. Deixa eu pegar um café... pronto, peguei biscoitos tb. Metadados do face... : )

    Sabe outra coisa que eu detesto e que me fez torcer contra essa seleção de homens-criança - expressão que eu li em outro excelente texto: essa gente que vai para o exterior e quando alguém lhe pergunta "de onde você é?", enche a boca pra dizer Brasil. Não raro, são uns tipos mais sem sal que sopa de hospital, mas eles crêem que dizendo Brasil vão impressionar alguém de alguma forma. Isso é super frequente. Super patético tb.

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  37. Enfim de novo. Essa relação dos brasileiros (a maioria, mas não todos) com argentinos também é coisa pra ser estudada, psicanaliticamente talvez. Embora eu particularmente não professe nenhuma adoração ou culto pela psicanálise, acho interessante e como ainda conheço pouco, suspendo o juízo de valor como conjunto. Certamente contribuiu com algo. Há rivalidade da parte dos argentinos conosco. Mas a nossa rivalidade costuma ser muito mais idiota. Ou sendo mais literal, é que temos em nossas fronteiras um número muito maior de idiotas. Recalcados que pensam que a seleção, ou o Flamengo ou Corinthians existe e joga por eles. Pra dar sentido a vida miserável deles.

    Certamente há comportamentos atávicos aqui. Eu sou do sul. Nas minhas veias corre sangue de maragatos - e antes disso, vai saber de quê? português, judeu, godo,árabe, éduo, helvético? -, ainda que eu tenha nascido nas praias de Santa Catarina. E como gaúcho olho para os argentinos como irmãos de alma, de sangue. Assim como aos uruguaios. Não se pode negar que há uma maneira diferente de ser. Não quero reduzir a rótulos... longe disso. Mas os norteños se preocupam mais conosco do que nós com eles. Interpretam uma suposta frieza como desprezo. E isso é o que Freud, goste ou não, chamava de recalque. O que poucas vezes se admite. Raras vezes.

    Vai minha melhor imagem da Copa. Se você me deu a honra de gastar alguns minutos de seu tempo lendo isso. Sabella, chegando em casa. Um dia antes, na televisão, sob os olhos do mundo. E agora aqui; chegando em casa. Não uma casa de cinquenta quartos como a da Gisele Bundchen, mas a sua casa. Talvez mais sua do que qualquer casa que a Gisele Bundchen possa ter. E ver estas crianças lindas e estas pessoas maravilhosas. Porque como disse o Mascherano, em uma declaração que eu li: "Hacer otras personas felices, eso es lo que hay de más lindo".

    Quero falar do Maltz outra hora. Ele tem pra mim a avaliação mais divertida do que está acontecendo no Brasil e no mundo. É uma avaliação "como se fosse assim", sob os meus critérios. Vou procurar esse texto dele que mencionaste. Abraço véio...

    http://mundial-brasil-2014.clarin.com/Alejandro_Sabella_0_1174682898.html

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  38. Compartilho, Humberto. Também vivo um momento de "não ser". Estou em um vir a ser repleto de ansiedades e expectativas... Então... Pera! ESTOU tanto. Processo de produção não só de um evento, mas tb de mim. E, para isso, demando boas reflexões como n'a Hora do Mergulho. Pois é?!

    Como um colega gostou da expressão, finalizo o comentário com tal: Há de haver! (né, Carlos?)

    Abraço

    PS: espero que tenha gostado do CD.

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    1. Sim, Kelly, há de haver. (rsrs) Expectativas, desejos construídos em passos rumo ao inacabado.

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  39. Saudades de vc seu lindo!!
    Aguardo vc em BH pra autografar o DVD Insular.
    Bjos 1berto

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  40. espero ver na agenda um show agendado no ABC ainda em 2014!!!

    beijo Rabi!!

    Eleni

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  41. Sidnei Rodrigues - SP15 de julho de 2014 15:32

    Humberto...
    Canção - Nem + um Dia!
    Quero ver o show no ABC Paulista tb.
    Mas vou confessar uma coisa,como sempre demora os shows em São Paulo, no máximo um por ano vou ter que ir até a montanha (rs),ir até Alfenas (MG), em Jaguariuna (SP) que é mais perto não vou poder esse dia.
    Na espera pelo DVD.

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  42. Eu agora escuto "A CRUZ E A ESPADA" e sabem o que sinto? Sinto por estar envolvido num complô, que, há muita (ex)-urgência espiritual... sinto que "amar e mudar as coisas me interessam mais" - mais até que o medo e a timidez...

    enquanto que por agora e para sempre... minhas meninas me dão a vitória ou seria a vida???

    tu já tens o abrigo!!

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  43. Para o seu não-texto, aceite o meu não-comentário.

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  44. Esse "não texto" é melhor do que muitos textos ditos consagrados que já li por ai. E não é só um exagero de fã, trabalho diariamente com muitos tipos de textos, sou jornalista além de leitora compulsiva. Tenho lido muitos pontos de vista diferentes sobre a copa e não consegui chegar a conclusão alguma sobre o que de fato foi. Sobre a copa não tenho opinião formada, mas sobre esse texto tenho certeza é de fato um texto! E como tantos outros desde maio me deixou com mais saudade ainda de BH e do momento único que pude viver lá... Uma música: As vezes nunca

    HG <3

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  45. O melhor é ver os comentários nada a ver com o que tu escreve! Me divirto!
    Creio que a semana entre heróis e vilões, realmente não tem muita a coisa a declarar nesse não-texto rss... Mas podia comemorar a vitória Alemã, ninguém iria te recriminar rs sei que ficou com vontade! Mas admiro essa evolução na sua personalidade! Aplausos!

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  46. Esse é um dos privilégios que a internet nos proporciona: poder contemplar textos de um ídolo...e saber como anda um trabalho que esperamos ansiosamente. Amo os textos e é claro suas musicas Gessinger fazem parte da minha vida... Aguardo o Insular aqui em Vitória da Conquista- BA.. terei o prazer de ir pela quarta vez a um show seu. " Tudo está parado esperando por você..." Abraço. Williane :D

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  47. Gastar o tempo ouvindo ao invés de ler?? Objetivamente vou ler com meus ouvidos alguma não música, escondida sob alguma atadura deste texto..
    seja lá o que isso não quer dizer!

    Obrigado, avante!

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  48. Pessoal... Numa boa, sinceramente... me perdoem a indiscrição, mas estou assustado com a quantidade de pessoas tentando fazer poesia "a la HG" aqui nos comentários. Às vezes isso me parece tão piegas quanto cartas com 100 metros de 'eu te amo'. Sei que os textos do HG são inspiradores, mas busquemos nossa forma de escrever. Só existe um HG. Pode ser bem mais bacana, um texto sincero e singelo, cheio de admiração e fascínio.
    Abraço a todos: poetas e leitores.

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    1. Caro ânonimo, não chegamos aqui por acaso, nem tampouco coincidência(particularmente não acredito que isso exista)...então pare de se endurecer por outra pessoa, se estamos escrevendo cartas de 100m com eu te amo, não estamos de mãos atadas, e quiça, algum grande talento se revele pelas inspiradoras do nosso querido humberto! Leia menos comentários e mais a poesia dentro de si mesmo! Acho que o 1berto tem o poder de despertar a vontade de escrever nas pessoas, então não venha calar isso como se fosse "bom"....quanto mais palavras, mais confiança, mais alegria, mais liberdade e menos críticas insolutas!
      Grande abraço amigo(a)! Bons ventos!

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    2. Eduardo, concordo com você!

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  49. é avenida anonimato ...

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  50. No suprassumo da contradição. Como todos as seleções brasileiras que estiveram nesta copa (aquela que perdeu e aquelas que foram criadas pelos teóricos futebolísticos). O não-texto ficou demais, como também ficou muito foda a minha não-seleção que o Felipão não colocou em campo, mas eu vi jogar nos jogos que criei.

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  51. Shirlay Mourahttps://www.facebook.com/16 de julho de 2014 11:52

    Nos vemos em João Pessoa, dia 16 de agosto. Ansiosa!

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  52. Essa canção seria minha escolha, o porquê não teria a propriedade de escrever, mas o canção fala por si mesma e vai além dos porquês.

    Em HD:
    https://www.youtube.com/watch?v=neDnpgZPPvY&index=64&list=WL

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  53. Vou ter de escrever isso aqui de novo. Acho que deu zebra pra autenticar o negócio. Calhou de ver tudo entrevista na Grêmio TV, saindo do forno. Muito boa. Fluidaça como sempre. Lembro que escutava as músicas do Engenheiros e muito antes desse lance de internet e lá em casa também não rolava essas coisas de MTV; ficava pensando: "Esse cara, fazendo música com essa mestria toda. Falando então, deve parecer um lorde inglês". Imaginário de garoto. : )
    Essa época de Paulo Nunes, bola de Arce pra Jardel, também escutava as transmissões pelo rádio. Só que a Gaúcha só pegava depois de uma certa hora da noite por conta da interferência e o sinal oscilava pra caramba; era um sufoco, mas era divertido. Lembro de umas partidas que o Grêmio jogava a tarde no Peru, no Equador, pela Libertadores e aí tinha que ligar o rádio e acender uma vela pra que alguma entidade desse uma força pra pegar um fiapo da transmissão e tentar saber o que tava acontecendo. Other times.

    Comecei a acompanhar o Grêmio na época do final do Mazaropi, Bonamigo, Cuca. Lembro que a gente tinha o Valdo na seleção e era um orgulho só por isso. Bem essa coisa que tu falasse. O Goiás também incomodava desde sempre parece.
    Fiquei meio assim com esse papo de que não torço pra seleção há tanto tempo. Parece coisa de desertor, né? Mas sei lá, não vou dizer que me amarro nos caras, se não me amarro. Alguma coisa na seleção de 98 já me incomodava e aí, pra mim, fica difícil torcer pra uns caras que "não me entram". Idiossincrasias.

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  54. Há muitos anos, você disse numa entrevista, que o augustinho não ouvia o disco e sim a musica. Sempre achei essa a forma mais pura de saborear e compreender melhor uma obra musical.

    Musica não se prende, mas se aprende a ouvir, a curtir e principalmente a sentir.Para isso é preciso isolamento, auto exílio na busca de saborear e compreender cada nota, onde deitam as palavras.

    Seu não texto, me fez pensar e perceber que apesar da “correria do dia a dia” que mídia nos força a acreditar, nosso tempo a nós pertence, cada momento que pudermos preencher com musica sempre valera mais.

    Vamos fugir da obrigação da qualidade do áudio, curtir cada chiado, erro de execução e ate possíveis desafinadas pois não é só errar que é humano, sentir emoção também é.

    !!!E ai de nos se o disco acabar!!!!!

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  55. Humberto,

    Li seu texto na terça pela manhã, no Metrô, indo para o trabalho, como de costume. Gostei do que li, mas não quis escrever por escrever, apenas para fazer um registro da minha presença. Reli o texto outras vezes. Lembro-me de uma frase que um dia um amigo meu me repassou que dizia mais ou menos assim: "Perigoso não é aquele que lê, mas aquele que relê." Sim, na releitura encontramos chaves que desvendam enigmas, mergulhamos mais fundo para enxergar o que não está na superfície. Suas analogias são muito interessantes, e eu gosto muito do subentendido. Acho que é o toque de maestria, o amadurecimento do autor.

    Um grande abraço.

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    Respostas
    1. As entrelinhas fazem toda a diferença...

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  56. Mesmo no não texto, ainda há muitas reflexões complexas, heim!
    "Acima de todas as dificuldades técnicas, reina a vontade de eternizar o irrepetível. Será possível salvar aquela performance única para sempre? Na tentativa, há muito o que decidir e executar. Há que traçar fronteiras (sempre subjetivas) entre técnica e emoção. "

    Você me inspira, motiva e faz pensar, repensar sobre as complexidades de cada situação!

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  57. Oi Humberto! Se der, por favor, volte para fazer mais um show em São Paulo antes do final do ano.
    Ou venha fazer um show na região do ABC Paulista.

    Obrigada e beijos!
    ;*

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  58. VALEU GESSINGEU, ESTOU DE NOVO NA AREA SE APTAR É PENALT, SO QUE NÃO!!!!!! RSRS

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  59. É como ficar esperando e-mails que nunca vão chegar
    É como ficar relendo velhas cartas 158...157...156...155... até a vista cansar
    Você sempre soube (eu não sabia...
    Nosveremos em uberlandia dia 10...um show de HG
    em minas tem mais inspiração uai.
    de coração valeu!!!!!

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  60. Ah Humberto, queria tanto tirar uma foto com você, meu sonho. Cansei de tirar fotos mas em frente ao palco =/ Te vejo em Jaguariúna!

    Abraços!

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  61. Esse éh o texto não texto, mais texto que eu já li...

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