luz, câmera, ação... corta! - 134

Domingo recebi, aqui em casa, uma equipe da MTV para falarmos sobre o INSULAR, os livros que tenho lançado, o clipe de Sua Graça (assista aqui), o momento e a carreira… Bom papo. Sempre simpatizei com quem trabalha aos domingos e a meninada tinha realmente um astral bacana.

Quando saíram, me veio à mente um flashback como que nascido do som da porta fechando: No início dos anos 90, uma equipe do mesmo canal veio a Porto Alegre gravar um programa de fim de ano. Acho que a própria emissora comemorava um ano no ar, algo assim, era uma gravação cercada de vários significados. 

Um canal dedicado à música era novidade e, numa cidade frequentemente muito provinciana como POA, a vinda de uma equipe para realizar um programa aqui era notícia.

Pois fui gravar minha participação num mirante onde se vê o melhor pôr do sol da cidade. E foi justo nessa hora que gravamos. O visual naquele dia estava incrível, especial mesmo, a equipe estava emocionada com o momento profissional - fim do primeiro capítulo e muitos planos pro futuro - o BRock no auge...

Não lembro bem o que falei na última intervenção, mas quando olhei pra VJ ela estava com os olhos cheios de lágrimas e encerrou o programa com a voz embargada. Foi lindo. Nos abraçamos, a equipe toda aplaudiu e… soou uma voz lá do fundo vinda de um menino com um par de fones na cabeça, sentado em frente a monitores de video : Parou o mic! Cortou o audio!

PQP! Ninguém acreditou. O momento fora especial, mas o registro foi pro saco. Agora o sol já tinha se retirado, só voltaria no dia seguinte e o clima espontâneo jamais voltaria. Ouvi a voz da diretora tentando disfarçar a decepção pedindo de novo gente, vamos refazer igual! 

Igual? Jamais. O momento não era mais o mesmo, nem as palavras seriam. Mesmo que fosse tudo igual, não seria a mesma coisa. O melhor que conseguimos fazer foi algo padrão, nada de especial.

Sempre lembro disso na hora de refazer takes em gravações de disco, ao fotografar e em momentos banais da vida em que há uma encruzilhada entre espontaneidade e perfeição técnica. É legal quando andam juntas. Mas... e se tivermos que escolher?

espontâneos
técnicamente perfeitos
abraços
28jan2014

62 comentários:

  1. Já podemos ir ao berço! Segunda finalmente virou terça. Gracias, HG!

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  2. Fico com a espontaneidade ;-)

    Bah! Imagino a cena, o clima, tudo certo e o banho de água fria. Não, nunca será igual.

    Boa semana para você (a última foi de muita alegria pra mime, com a notícia do show no RJ) ÊÊÊ!!! Tá garantido já ;-) Quer dizer...comprado. Garantias? Não temos nem dos próximos cinco minutos.

    Abraço.

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  3. Momento único, desses que não se esquece. Como o de há pouco mais de 20 minutos atrás, quando meu filho de "quase" 5 anos estava deitado e cantando o refrão de Guantánamo (...não aguento mais, eu não sei a resposta...). Espontâneo o gesto do meu filhote, o que me fez lembrar, antes de dormir, do texto da semana! Nada tecnicamente perfeito, ensaiado! Sou seu fã e, pelo que tenho visto, estás a crescer um jovenzinho na mesma vibe.

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    1. Estava escutando aquela coleção do Rockabye Baby no exato momento que lia seu comentário que disse que seu filho cantarolava o refrão de Guantánamo, nossa fiquei imaginando se tivesse um só com as musicas do Humberto.... seria LINDOO! (Ok, ok ,eu sei que não tem nada a ver com o assunto da semana..... mas o que vale é a espontaneidade... :)

      Abç

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  4. É possível conseguir um autógrafo teu? Se sim, como?

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    1. cara, tu é meio desligado né ??? é só comprar um na Stereophonica.com.br

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  5. Acontece que não há escolha diante da implacável (falta de) perfeição do que eles eles querem tecnicamente perfeito. E entre tantas outras vezes, mais uma vez se perde a beleza da espontaneidade. Compartilho da tua decepção.

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  6. Vou tocar em um restaurante aqui da city e pretendo tocar músicas tuas. Preciso te pagar por isso ou em restaurantes é liberado a parte do compositor?

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    1. Não basta apenas tocar, tem que conhecer as leis de nosso país.
      Todas as músicas possuem "direitos autorais".
      Por isso, procure o ECAD.

      ecad.org.br

      Lembre-se o que diz a lei:

      Capítulo I

      DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE INTELECTUAL

      VIOLAÇÃO DE DIREITO AUTORAL

      Art.184. Violar direito autoral:
      Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

      § 1º Se a violação consistir na reprodução, por qualquer meio, de obra intelectual, no todo ou em parte, para fins de comércio, sem autorização expressa do autor ou de quem o represente, ou consistir na reprodução defonograma e videofonograma, sem autorização do produto ou de quem o represente:
      Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

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    2. Só me faltava essa:

      "Rolezinho" do ECAD pelo Blogessinger??

      Cháááátopacaraaaaaaaa....lho!

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  7. Momentos como esse realmente acontecem e não repetem.

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  8. bom texto
    realmente há momentos que nunca poderão se repetir. fique atento e aproveite cada momento e cada instante pois o especial jamais se repete. não há explicação plausível.

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  9. Tenho adorado seus ultimos papos por aqui.
    Vista de crepúsculos...
    Vistas de PoA...

    A visão de longo alcance já foi recomendada pelo meu oftal.

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  10. Falando em BRock, quem puder ouvir o som da minha banda, aí vai o link: http://palcomp3.com/cp/
    Temos um trabalho próprio, que começamos a tocar em 2001 e não paramos mais, apesar de não temos objetivo de viver de música. Fazemos as músicas porque gostamos de música!
    Somos influenciados pelas grandes bandas do rock nacional anos 80.
    Deixo aqui mais uma vez o link para quem puder ver e ouvir o som da Caixa Preta: http://palcomp3.com/cp/

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  11. Tuas palavras me fizeram recordar do livro "A insustentável leveza do ser", no qual há uma passagem em que se fala que a vida é um teatro que só pode ser encenado uma vez...

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  12. Legal saber dessa história. Imagino a emoção que foi de tudo isso acontecendo em: Porto Alegre.

    A vida tem dessas coisas né! Nos melhores momentos a TV sair for do ar...(Já me aconteceu de estar, assistindo um super filme numa época antes da popularização das VHS, DVDs E Internet nem se fala! E de repente na melhor parte faltar luz). Nunca mais procurei pelo o filme.

    Imaginado também o tormento para equipe, sobretudo para quem/se é que existe um responsável, cometeu a falha. Nesses casos sendo culpado ou não alguém sempre é duramente punido...(ixeee olha sono heheh Valeu! Abs, Humberto....

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  13. Sr HG,
    Acredito que mais nenhum ser encarnado ( no plano espiritual, pode até haver) num raio de 1000 léguas tem essa entrevista gravada nos 90's, a não ser você. Este que vos escreve ( e mais alguns, acredito) ficariam felicíssimos em ver uma resposta com o link, aqui em baixo, até por que éramos " piazotes" nessa época que nos trás muitas saudades.
    Ótimo texto!

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    1. verdade, posta aí HG!

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    2. Tudo bem...
      Se algum "desencarnado" ler isso e tiver o arquivo, eu aceito também...

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  14. Bom diaaaaaa 1berto!!!!

    Fotos e fatos, mentes e registros....
    E o tempo e o imprevisto sobrevem a todos!!!

    Anciosa p ver sua entrevista!!! Amo ler e poder escrever nos seus post, sinto uma sensação de proximidade muito boa!!! Parece q estou conversando pessoalmente com vc!!!

    Amei: em momentos banais da vida em que há uma encruzilhada entre espontaneidade e perfeição técnica. É legal quando andam juntas. Mas... e se tivermos que escolher?

    Bjs 1berto

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  15. Ótimo texto como sempre... tenho a mesma opinião quando estou tocando... ensaio, ensaio, ensaio... mas na hora do pra valer a emoção é diferente... e nunca dá pra refazer igual pois depende de muitos fatores além de nosso conhecimento ou ciência...

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  16. Impossível prever. Mesmo caminhando para uma "perfeição técnica", o destino e a relatividade dará as coordenadas dos eixos. Então, se for para escolher, prefiro ficar em casa.

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  17. Os espontâneos, porque ficam tecnicamente perfeitos!rs

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  18. Agora começou minha terça-feira, rs!
    Fico com os espontâneos.
    Abraços HG!

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  19. Incrívelmente sempre penso nessas coisas... E aqui em casa as pessoas me chamam de chata, quando eu só quero foto se for livre, sem risinhos obrigatórios. Graças às nossas memórias, o que importa fica registrado para sempre! É por isso, que quando vou a algum evento, não filmo e poucas fotos faço. Para não perder a emoção do momento especial. Valeu pelo texto.Ah, eu simplesmente amei os cds, e ainda autografados. Nós daqui agradecemos a sua disposição em autografá-los. Obrigada (o) . Leonilda, Carlos e Vini

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  20. Por isso, maquina fotografica não me atrai,
    Por isso , enquanto os outros pais filmam eu assisto meu filho " ao vivo"
    Por isso, meus amigos postam no face book eu gastomeu tempo bebendo mais vinho- falando e ouvindo mais pessoas e divertindo.

    " ao vivo é muito melhor "

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  21. Filosofia de vida pura. O momento não se repete, se não aproveitar aquele instante... já era. Na gravação de meados de 90 não houve um perfeito registro mecânico, porém mentalmente foi bem vivido acredito que por quase todos presentes, então já valeu. ^^

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  22. De fato nada será igual, por mais que a gente queira reconstruir o que um dia aconteceu.
    Uma viagem com amigos...na próxima um deles estará namorando, amarrado.
    Uma final de campeonato do seu time do coração assistida na arquibancada do estádio ou no sofá de sua sala...seu time não tem mais jogadores que te emocionaram como naquela temporada, além disso, hoje os degraus de concreto das arquibancadas deram lugar as cadeiras comportadas e sem graça. A TV é moderna, em HD, não tem mais o som retorcido e as cores humildes, porém fiéis, de certos anos atrás.
    Um amor...ah, isso é sempre o mais difícil. As vezes parece impossível encontrar outra pessoa que te faça vibrar como um dia aconteceu.

    Mas deve haver alguma coisa que ainda te emocione, uma garota, um bom combate, um gol aos 46.

    Abraço!

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  23. e impossível controlar a espontaniedade

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  24. Estava escutando aquela coleção do Rockabye Baby, nossa fiquei imaginando se tivesse um só com as musicas do Humberto.... seria LINDOO! (Ok, ok ,eu sei que não tem nada a ver com o assunto da semana..... mas o que vale é a espontaneidade... :)

    Bj Hg

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  25. Como se te entrevistar fosse um trabalho... Que honra!

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  26. Com certeza o clima é único e as emoções tmb...
    Grande semana pra vc HG, abraço.

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  27. Mas sempre os momentos assim não são gravados e talvez seja para que não possamos esquecelos HG vc é Fora do Comum sou muito teu fã e do Duca

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  28. Esse mês escrevi um texto colaborativo pra um blog, sobre o disco da banda Móveis Coloniais de Acaju.
    É um faixa-a-faixa.
    O responsável pelo blog pediu para eu reescrever, porque ficou muito extenso (o álbum tem 13 faixas).
    Disse a ele que não poderia reescrevê-lo, pois não conseguiria depositar no novo texto, todo o calor que eu havia depositado no primeiro.

    Acabei publicando no meu blog mesmo!

    Aí vem você, e escreve essas coisas...só me faz ter certeza de que eu tomei a decisão certa!!!!

    Obrigada, querido ídolo!!!

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  29. Bah, 1berto que história. ..ou estória? A tanto faz, o lance é que momentos como o descrito são únicos, ao refaze lo já tornou se outro momento. Com toda certeza sei que ambas gravações ficaram boas, pois a qualidade do artista em questão é excelente. Para mim não existe música, livro, cd, dvd , entrevista ruim onde tenha sua participação. Sou Mega fã. Valeu.

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  30. Este comentário foi removido pelo autor.

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  31. Momentos espontâneos = coincidência...Hoje indo pro trabalho às 6h30 da manhã, liguei o som do carro onde tava ouvindo a última de música e esta era Insular...aí passa um cara andando na calçada vestindo a camisa do Insular com o logotipo verde... 6h30 da manhã...Coincidência = momentos espontâneos...

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  32. O espontâneo é sem dúvidas insubstituível...

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  33. Sidnei Rodrigues - SP29 de janeiro de 2014 13:32

    Isso ai Humberto, o que vale e fica marcado é o momento.
    São Paulo na espera pelo Insular.
    Abraço.

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  34. Espontaneo igual ao arco-íris que vi na minha frente há uns cem metros ou duzentos (acho) em 1985 ou 86. Até hoje peço a Deus um igual pra poder tirar uma foto.O céu ficou escuro como nunca vi de repente aquele arco-íris tão lindo e tão perto e nada pra poder registrá-lo, só a mente mesmo,. Pensei; que legal vou chegar perto! mas era tão impossível que quando eu me aproximava ele parecia estar bem distante impossível chegar muito perto. Um registro o deixaria tecnicamente quase perfeito.

    Momentos semelhantes , iguais e melhores serão proporcionados...

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    1. o arco-íris á minha frente aparentava ter 8 metros.
      AMA

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    2. O criador de tudo diz que o arco-íris é um símbolo da aliança dele com a humanidade. Fico pensando: será que no terreno onde o vi(ainda sem construção) será um ambiente significativo e ótimo para bons registros?

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    3. 8 metros de largura

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  35. Humberto, achei o máximo! A simplicidade das palavras para descrever aquilo que não se repete, pelo menos com a mesma naturalidade.

    Um grande abraço.

    Carlos

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  36. Uma música no forno com esse tema ???

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  37. Queria comprar o mundo!
    e fabricar dinheiro para as pessoas necessitadas.
    "Aplicar uma desordem e derrubar o castelo da rainha"
    Amar e mudar as coisas me interessa mais
    Sou assim porque eu curto engenheiros do hawaii.

    Marcos Rogerio estava com saudades!

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  38. Sempre Humberto (;
    Maya .

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  39. Por falar em gravar, Humberto, quando sai o DVD subsidiado pela lei rouanet?

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  40. É como a vida real...
    sem ensaios....
    Mas tentamos ao longo dela, buscar a perfeição,
    as melhores escolhas, os melhores destinos....

    Ao fim de tudo, realmente, o que sobra é o principal.
    O essencial.
    Os relacionamentos e os momentos que eles proporcionaram.
    Isso é o que fica no registro.


    Abs,

    Marcel Marinho
    Brasília

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  41. adoro fotografar meus filhos! em especial qdo eles ficam parados olhando para o nada. O brilho do olho é sempre diferente...

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  42. PQP... Cara é isso mesmo, o tempo não tem reprise. Isso abre outras percepções na mente, essa necessidade de não descuidar dele, do tempo, de também vivê-lo com intensidade para não correr o risco de deixar algo desligado e perder o registro da própria existência.

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