game, set and match ( 133 )

Deixei meu olhar solto no infinito possível entre a ponta do meu nariz e a linha do horizonte formada por verdes morros e pela geometria cartesiana de prédios. É mais espaço do que o necessário para que um olhar se perca.

Venta e eu gosto. Melhor do que o mormaço que tem paralisado Forno Alegre neste e em outros verões. O vento obriga a optar, agir. A favor ou contra.

Apesar de não estar mirando cumes com neve, minha predisposição nesse fim de tarde na sacada é a de um monge tibetano. Fico em silêncio enquanto a vista se perde. Alguns pontos despertam lembranças como se fossem ícones que, clicados, abrem arquivos na tela.

Ali está o colégio onde estudei a vida inteira e pelo qual não sinto nada. Não é um nada vazio. É a soma de muitas coisas contraditórias que se anulam e me deixam neutro.

Lá, um canto do telhado da casa onde fiz os primeiros ensaios da banda que me mostrou o mundo.

Entre os dois, os refletores das quadras onde joguei alguns campeonatos de tênis. Sem bons resultados. Algo que, sei lá por que descaminhos psicológicos, me dá uma sensação agradável.

Os campeonatos eram divididos em categorias que abrangiam dois anos. Nascido na última semana de 63, se jogasse com alguém nascido no início de 62, estaria jogando com um cara de outra faixa etária! Quando se tem pouco mais de dez anos e se está começando a praticar um esporte, dois anos fazem toda a diferença.

Se eu estivesse jogando torneios de veteranos agora, talvez pudesse reverter a desvantagem enfrentando caras mais velhos do que eu. Mas não de forma absoluta. Dois anos, pra quem tem 50, não fazem muita diferença.

Ok, a vida raramente oferece simetrias.

(*)

Sirvo mais uma cuia de chimarrão. Mateando solito enquanto a vista passeia, fica mais fácil enxergar o óbvio: a cidade cresceu. Mudou? Sim, não, sim, não sei...

Oscilo entre duas sensações contraditórias: nada mudou e nada é como era. Estranho embate entre intuição e percepção sensorial.

Nas relações pessoais, no som das ruas, na luz que entra pela janela, na minha arte/ofício... muita água passou sob ponte. Mas ainda é o mesmo rio.

(*)

O ciclo de vida adulta de uma cigarra dura só duas semanas. Não as que acompanham meus jogos! Sei que são as mesmas desde verões modorrentos na década de 70 até hoje. Reconheço a cantoria ensurdecedora.

Mesmo que eu saísse do mormaço de Porto Hellegre pra jogar no sol inclemente do Australian Open, as mesmas cigarras estariam lá. Só pra me azucrinar, tornando o calor mais incômodo, zoando num ponto complicado do jogo, fazendo a partida ir pro saco.

Mas algo sempre muda e, indiscutivelmente, algo mudou: hoje sei que, além dos motivos externos, vitórias e derrotas também nascem dentro da gente.

boa semana
21jan2013

58 comentários:

  1. Muito bom texto! O progresso é uma questão controversa, diria o outro.

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  2. deu pra ouvir tua voz e o vento neste texto.

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  3. ... seria tão trivial, se não fossem palavras do Humberto... assim, enxerga-se a vida como um poema... cabem leituras... Valeu, Humba!!

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  4. Pra quem teem a inexperiência dos 18, eu e ela temos a mesma idade!! Valeu pelo texto.

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  5. Que inspiraçao! Que texto! Eu passo um trabalho pra decifrar..deve ser demais poder pensar grande assim todos os dias, apesar dos pesares... abraço alemao!!

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  6. Sempre um olhar particular daquilo que é tão corriqueiro, como uma tarde quente. O jeito HG de ver o mundo...

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  7. Sempre d+... inspirador

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  8. Caralho como estou ficando velho. Muito bom, já virou mania ler seus textos de segunda pra terça, cada vez me encontro mais perdido do que já estou e quando me vejo estou por ai pensando. Prefiro me perder do que acreditar em algum certeza. Seus textos me ajudam a refletir e parar um pouco em alguns momentos.

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  9. Forno Alegre e Hell de Janeiro... Tô querendo muito mirar cumes de neve.
    E as transformações...ah, entendo bem essa sensação de permanência transformada. Estive em POA em 2012, depois de muitos anos sem ir à terrinha e eis que ela estava igual, mas diferente, mas igual... bem, achei as transformações internas bem maiores ;-)

    Boa semana, bom descanso, ou diversão.

    Abraço.

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    1. E se tivesses bons resultados naquelas partidas...será que teríamos essas aqui? ;-)

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    2. ...benditos maus resultados nas partidas/campeonatos de tênis, né!?
      (NPoA).

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    3. Sim! Sinto por suas decepções, imagino que não devam ter decido fáceis - e agora? vou manter o acento - (fui jogadora de voley, senti isso na pele também) mas...

      Abre parênteses INGRESSO COMPRADO PARA MAIO!!!! fecha parênteses. ;-)

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  10. Nossaa, e a medida que eu leio vou sentindo uma energia estranha como a que sinto quando um amigo me fala algo que já sabia, mas ele precisava me lembrar disso... energiaaa... Acredito que a sua me contagia, por isso que eu sempre estou passeando por aqui!

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  11. Belo texto,a tua casa ainda e alta pega vento aí no bairro 3 figueiras ,mas 3 figueiras não e a insularvore? poa continua sendo mormaco alegre.esquenta a água pro chimarrao na sacada,que tal?kkkkk

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  12. Quando você lê um texto e, depois do quase decorado livro que nasceu do blog, consegue se imaginar abrindo um outro livro e encontrando nele exatamente este texto. Fica a sugestão. E mais uma coisa, acredito na simetria da mudança interior e exterior, se é perfeita, já não sei dizer.
    Beijos!

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  13. Sr HG,

    Estraño ou não, mas continuar morando na cidade onde se cresceu pode nos surpreender com sensações como a que vc descreveu. Mesmo com a discrepância logarítmica dos anos que custavam a passar na infância e agora voam, é inegável admitir que mais do que as ruas e os prédios,o que realmente muda somos nós. Ainda bem que é assim, pelo menos pra mim, pois a saudade da infância parece ser bem menor do que a falta que algumas resposta faziam na época.

    Muito bom o texto!

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    1. E voltar a morar na cidade em que nasceu e cresceu?

      Sentimentos transbordam... "Oscilo entre duas sensações contraditórias: nada mudou e nada é como era. "

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    2. É Kelly,
      Pra quem já passou por essa situação, é comum testemunhar essas "sensações contraditórias" , como por exemplo reencontrar velhos "melhores amigos" que atualmente não tem mais nada a ver com você. As pessoas são fisicamente (ou quase) as mesmas mas aquilo que as unia já não existe. A conversa não flui.

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  14. Você vai lendo e vai entrando na mente dele sem querer...

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  15. Engraçado, seus textos me lembram os livros da coleção vaga-lume que lia no ensino médio e que nenhum dos fodões da literatura conseguiram criar magia igual, talvez a magia estivesse na idade
    .

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  16. Senti, o que você sentia enquanto eu li: "Ali está o colégio onde estudei a vida inteira e pelo qual não sinto nada. Não é um nada vazio. É a soma de muitas coisas contraditórias que se anulam e me deixam neutro."
    Exatamente o que eu sinto. Por isso seus textos são tão maravilhosos, na sua mais absoluta sutileza. Por isso me identifico e gosto tanto de você.
    Obrigada 1berto!
    DeFé sempre, sempre aqui e lá!

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  17. O INSULAR E UM DISCO INDEPENDENTE ENTAO NAO VAI TOCAR EM MUITAS RADIOS.

    NA MINHA CIDADE ELES NAO TOCAM ARTISTAS INDEPENDENTES.

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  18. Sempre...perfeito!
    Sempre...Humberto!

    :)

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  19. Nossa! Que texto... Perfeito! Parabéns Humberto! Pela brilhante e inteligente forma de pensar...
    Abraços...

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  20. Sabe Humberto...Quando menina, mais ou menos com meus doze anos, subia no último andar de casa, lugar vazio e gelado, mas onde havia uma varanda que se podia avistar uma serra enorme e sentir o vento no rosto...Ficava por horas lá, sentindo o vento no rosto, que muitas vezes era forte e frio, devido a falta de barreiras físicas que o impedisse de soprar. Lá eu observava a serra, fechava os olhos por minutos, na tentativa de que ao abri-los novamente, minha vista pudesse alcançar além daquela serra, como se necessitasse daquela visão para somá-la aos meus planos, que eram repletos na vida de alguém com doze anos.
    Hoje tenho a oportunidade de estar na mesma varanda quando quero. O vento não sopra mais da mesma forma devido aos prédios que agora circulam o local. A serra parece também não ser mais a mesma. Não é tão verde como era, nem tão misteriosa quanto parecia pra mim. A paisagem devido a subjetividade do meu olhar também mudou...Alguns pontos que observo me alegram, outros me entristecem. Mas a sensação dos olhos fechados e a brisa que resta soprando no rosto...essa é a mesma.
    E ânsia de abrir os olhos e conseguir avistar além do horizonte, não mudou, mesmo tendo agora os meus trinta e sete anos.Preservo esse lugar, esse momento meu...Aliás nunca falei dele...Mas reconheci muitas das minhas sensações em seu texto, e senti necessidade de dividi-lá...Não está nos meus planos que você leia, que alguém leia (claro que como escritor você sabe que ansiamos por isso), mas escrevi porque acredito que sensações boas devem ser divididas!
    Ansiosa pelo próximo texto e tudo que ele poderá despertar em mim!
    Bjs (: Maya

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    1. Obrigada Ivan Souza!
      Maya.

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    2. Maya, suas palavras foram singelas e tocantes. É incrível como um texto provoca sensações no leitor a ponto de estimulá-lo a se expressar de forma intimista. Parabéns por sua iniciativa e pelo resultado!

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    3. Muito Obrigada Carlos !
      Maya .

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  21. Grande HG, só me passou pela cabeça durante a leitura do texto, minha infância, e curiosamente as lembranças me fazem concluir que é o curso natural da vida. ..essas vidas da gente. ..centelhas pelo ar. ...Não há quem segure a fagulha se espalha, que seja eterno esse fogo de palha. Sem pressa pra sempre
    Valeu Abraços.

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  22. Somos lembranças. Somos universos grandes e pequenos, ali ou não. Adorei. Consegui retornar um pouco ao meu passado, às vezes chatos. Mas fui lá. E vi algumas coisas que foram legais.

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  23. Maurício Fagundes Vidal21 de janeiro de 2014 12:03

    Vitórias e Derrotas...já tive vitórias...algumas derrotas...estas últimas, fizeram parte do meu 2013 "TREZE" (número que deixarei para o eterno admirador deste, o Velho Lobo) e quero esquecê-lo, este ano ainda iniciou difícil, mas sou um dos de fé e sei que as fronteiras não existem para aqueles que acreditam.
    Isso aí HG, grandes pensamentos de um lado, resultam grandes desabafos de outro.

    Vou deixar hoje o meu Bah: Força também aos nossos tricolores nesta nova temporada, o teu gaúcho e o meu paulista!!

    Grande abraço,

    Maurício

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  24. Grande Humberto...sempre leio as postagens do blog, mas este é meu primeiro comentário.
    A cidade mudou? Para melhor? Para pior? Aqui onde eu moro toda mudança é, a priori, para pior...não que seja uma terra muito boa, mas sim porque o conservadorismo é forte.
    E falando em mudança, la pra março ou abril mudo-me para Porto Alegre e, por isso, espero que as mudanças dela tenham sido para melhor. Findo meu mestrado em Filosofia vou tentar a vida pra estes lados!

    Grande abraço!

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  25. Ótimo texto Humberto! Obrigado por cada um deles!

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  26. "Nesse texto que me trouxe até aqui o HG me dava razão."

    Escreve muito!!! Valeu muito Humberto!!

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  27. Poxa... que massa! Sempre bom ouvi-lo, lê-lo, sensação boa!

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  28. Sem palavras, pára as suas palavras
    Humberto!

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  29. Caramba! Um dos textos que mais gostei por aqui...

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  30. Humberto, sempre escrevi musicas desde cedo e o meu maior ídolo nessa parte de composição sem duvida é você. Gostaria de um dia conseguir te mostrar isso. Se ver essa mensagem e tiver interesse criei um email fake é claro para não ser alvo de nada se houver algo: hg2014paulo@hotmail.com

    Sds Paulo.

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  31. Sempre nos fazendo encontrar significado nas pequenas coisas.
    Xêro do coração!

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  32. Talvez daria um bom geógrafo. 1berto muito observador e enigmático. Tempo e espaço fórmula perfeita de contemplação e reflexão. Parabéns ótimo texto. @gewiva

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  33. O difícil é não se iludir com as vitórias e sem se entregar para as derrotas!

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  34. Ainda bem que você não mandou muito bem no tênis, pra depois arrebentar na música.

    Ufaa!!! kkkk

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  35. Ah Humberto, deixa eu matear contigo? haha Te amo, mestre ♥

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  36. Excelente, me lembro tanto dos meus 13 anos, quando ouvia suas músicas no rádio e por falta de grana gravava em fitas cassete e depois repassava a música pausando e transcrevendo frase por frase em tampas de sapato, me emociona hoje esse reencontro com essa inigualável capacidade que tens de transcrever sentimentos, sensações e pensamentos tão perfeitamente...parabéns...

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  37. Pessoal, quem puder ouvir o som da minha banda: http://palcomp3.com/cp/
    Temos um trabalho próprio, que começamos a tocar em 2001 e não paramos mais, apesar de não temos objetivo de viver de música. Fazemos as músicas porque gostamos de música!
    Somos influenciados pelas grandes bandas do rock nacional anos 80.
    Deixo aqui mais uma vez o link para quem puder ver e ouvir o som da Caixa Preta: http://palcomp3.com/cp/

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  38. Gostei do texto.
    Me fez lembrar de muitas coisas.
    Ah! São Paulo na espera....
    Abraço.

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  39. Depois de muitooo tempo vi uma foto sua Humberto e fiquei em estado de "encantamento", lembrei dos meus 14 anos e pensei: " Nossa eu amo as músicas desse cara ", o amor que tenho pelo seu trabalho foi despertado novamente com o mesmo entusiasmo da minha adolescência. Humberto obrigada por me proporcionar está sensação tão boa, que foi te reencontrar. novamente. Ass: Josiane Ferro.

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  40. Essa semana foi corrida...más...consegui ler o post tão esperado da semana!!!

    Parabéns!!!!

    Bjos 1berto

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  41. Humberto sempre com textos profundos e que nos fazem pensar um pouco mais sobre a nossa vida, alem de ser um artista muito completo mt foda esse cara!!!

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  42. Humberto não sei se vai chegar aí, mas antes de mais nada quero que saiba que lhe admiro por suas músicas falarem tanto e você demostrar o pouco ou o muito que pensa/sente...e foi sabendo disso que decidi comprar " Nas entrelinhas do horizonte" e eu mesmo me surprendi por me surpreender tanto, você conquistou ainda mais minha admiração, embora saiba que isso você tem de sobra né..sou só mais uma em um milhão, mas está perfeito assim!!! Enfim, foi tão bom saber, é tão bom saber que no mundo de hoje em meio a tanto materialismo, existe um artista que não se importa com isso, que apenas quer continuar com sua arte, sim...porque sua música é uma arte. Descobri que você não procura mudar a vida de ninguém ou coisa do tipo, porém fica feliz quando algo acontece e eu lhe digo agora: você mudou minha forma de pensar, é confortavel saber que existem artistas/cantores como você. Posso ouvir suas musicas agora com muito mais confiança e gostando sempre mais.

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  43. "Não podemos nos banharmos duas vezes no mesmo rio, pois o rio não é o mesmo e nós não somos os mesmos". A frase é do filósofo pré-socrático Heráclito, o precursor da dialética.
    Na dialética, tudo se transforma no seu contrario: a tese se transforma em antítese e a antítese pode levar a uma síntese, que gera uma nova tese. E assim vai, ao infinito e além.
    O que isto tem a ver com teu texto, Humberto? Na minha visão, enquanto professora de filosofia, tem tudo a ver... Aliás, não são só teus textos que têm esta bagagem filosófica presente, tuas músicas são sempre citadas por mim nas minhas aulas de filosofia. Por exemplo, uso "3ª do plural" para ensinar Adorno e o conceito de sociedade de massa, "Números" para falar de Santo Agostinho, entre outras tantas canções.
    Fora aquelas que me identifico totalmente: "Dom quixote", que para mim é um hino a todos os professores no RS, que ensinam somente "por amor às causas perdidas" (não sei se são tão perdidas assim, pois acredito ainda na educação; mas, de qualquer forma, a música fala de pessoas de certa forma idealistas, e é aí que me encontro); "Hora do Mergulho", onde enxergo Nietzsche; e outras tantas mais, onde vejo vivos Sartre, Camus e outros tantos pensadores...
    Não sei se de fato és tu quem lê blog, ou se tens algum assessor ou algo do tipo... Espero que sejas, de fato, que lê as mensagens. Faz um tempo que me comunico contigo "em pensamento". Espero que saibas, agora, que reconheço não só tuas aptidões como belo e exímio músico que és; mas, acima de tudo, pra mim o grande diferencial na tua obra é o caráter filosofante que vejo nas tuas músicas.
    Que continues a nos brindar com textos de ótima qualidade e com canções que dão margem para o pensar!
    Abraço, Letícia (Pelotas-RS)

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  44. muito bom, me fez me lembrar de que estou envelhecendo.

    http://papoamigos.blogspot.com.br/2014/02/calor-calor-e-mais-calor.html

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