P(*)EMAS C(*)M N(*)TAS DE R(*)DAPÉ - 25


(*) A velocidade é alta na highway da informação: a semana parece ter mais de 7 dias. Mas talvez vocês ainda lembrem do post da terça passada, aquele em que um Dom Quixote Ninja recebia sinais dizendo "Rotterdam". Pra quem não leu, ou não lembra, tá aqui: http://blogessinger.blogspot.com/2011/11/pemas-cm-ntas-de-rdape-24.html

Recebi várias dicas de leitores sobre o que "Rotterdam" poderia dizer. Alguns falaram em Erasmo de Roterdã. Outros, mais específicos, se referiram a seu livro "Elogio da Loucura". Aí é que a coisa pegou, de novo. Instantes antes de ler a sugestão, eu ouvira uma música do Seal que raramente ouço e cujo refrão aconselha: we will never survive unless we get a little crazy. Isso é o que chamo de elogio da loucura! Instantes depois, eu passava por uma banca de revistas e vi a Lady Gaga na capa da Veja. A manchete: "O que é ser NORMAL? - Novos estudos revolucionam o conceito de saúde mental".

Passo a passo, passei novamente pelo prédio "Rotterdam" e descobri que o número do edifício é um prato cheio para quem é chegado em numerologia. Ok, chega! Não pretendo cair na areia movediça dos possíveis significados, símbolos, signos e sinais. Só queria mesmo agradecer pela interação de vocês com os textos e o carinho, maior do que mereço. Os comentários sempre enriquecem o post. Dá pra sacar que vai se formando uma galerinha: os comentaristas de fé. Valeu!

Num comentário pessoal, minha mãe falou que Robert Plant não é páreo pra mim na luta por Dulcinéia. Ok, eu sei, devo dar um desconto, afinal, mãe é mãe. E a minha nunca tinha ouvido Led Zeppelin, eu acho. Deve ter falado sob efeito do som de Plant, Page & cia.

(*) Sob efeito... em inglês, eles dizem "sob a influência". Driving under the influence é usado para quem é pego dirigindo bêbado ou chapado.

Aditivos químicos à parte, quando é que não estamos "sob influência"? Seja de quem está ao nosso lado, seja de quem nunca esteve ou já se foi...  seja do sol ou da chuva, da ventania ou da falta de brisa... do silêncio que fala ou do som que cala, da falta de grana ou da falta do que fazer com a grana. Será possível existir sem estar sob influência? Neutralidade, condições ideais de temperatura e pressão, existem?

Nas coisas que fazemos, quanto há de nós? Nunca é 100%, claro, pois o mundo não começou com a gente. Seria bom que nunca fosse 0%. Às vezes é. Em casos extremos, a influência é opressora, não resta nada além da vontade de ser outra pessoa. Que pena, um desperdício.

surfando karmas & DNA
não quero ser o que eu não sou
eu não sou maior que o mar

Sou muito grato aos caras que me influenciaram. Fizeram isto sem tagarelar palavras de ordem profundamente superficiais (ocupem-Wall-Street-enquanto-fico-tomando-dry-martini-na-beira-da-piscina) e sem cair no otimismo superficialmente profundo (ah, quanta gente ainda vive na aba da auto-ajuda sub-beatle we-can-work-it-out-raio-de-sol-all-you-need-is-love).

Influenciando e sendo influenciados, estamos todos (e tudo) conectados. Perda de tempo não sermos sinceros. A verdade chega, basta. A verdade chega, sempre. Com ou sem sinais.


Dom Quixote Ninja não quis parar e abrir os braços na rua...
então, vai um abraço de coração aberto.
(prometo foto de Dulcinéia Kill Bill em próximos posts).

Bah 1: Se o tempo anda mais rápido, o que aconteceu há mais de uma semana deveria parecer ter acontecido há menos de 7 dias, né? Mas, não...

Bah 2: No corredor de uma rádio, encontrei um desses caras que vivem de escrever sobre o que os outros fazem. Ele nunca entendeu minha arte, mas havia escrito algo amistoso a meu respeito e se vangloriou da sua  "neutralidade". Pobre alma simplória, ainda acredita na objetividade fria, na separação ente objeto e observador! Ainda não sente com inteligência nem pensa com emoção.

Bah 3: Sim, eu gosto de Beatles. Mas... ah, vocês entenderam, né?

um dia nos encontraremos
sob condições ideais de temperatura e pressão
enquanto isso, 
vejo esculturas na chuva e picolés ao sol
expressando uma beleza de outra dimensão

29nov2011

Quem mais estava lá?

Toda cidade tem seus encantos para um músico que vive na estrada. Entendo que leiam esta frase com ceticismo, parece mesmo demagogia. Mas 26 anos derrubariam qualquer demagogo, né? E eu sigo...

Nas entrevistas divulgando shows em Belo Horizonte, uma questão sempre pinta: a relação carinhosa entre esta cidade e meu trabalho. Encontrei ali um solo generoso e constante para minhas frágeis sementes.  O fruto se espalhou por todo estado de Minas e o carinho transbordou para os companheiros que tocaram comigo em cada show.

Constância talvez seja a palavra chave.

Rio de Janeiro é a única capital que recebeu todas as tours (a curta tour do HG3 não passou por Porto Alegre e São Paulo).  Em Porto Alegre subi todos os degraus da escada, de bares ao maior ginásio. Em São Paulo toquei o maior número de vezes para o maior número de pessoas. Fortaleza se revelou um polo irradiando meu trabalho para todo o nordeste, principalmente, na fase EngHaw IV... Cada pequena cidade do interior, com sua praça silenciosa e hospitalidade tímida também está na minha memória afetiva, mesmo que datas e nomes se embaralhem.

Mas BH tem esta constância misteriosa.

A história começou em 18 de dezembro de 1987, na tour do A REVOLTA DOS DÂNDIS. Não lembro do show, só de caminhar pelo centro da cidade procurando um lugar para comer. Nenhum sinal de que BH se transformaria num porto. Voltei em 1988, também em dezembro. O LP OUÇA O QUE EU DIGO, NÃO OUÇA NINGUÉM chegara às lojas cinco dias antes. Deste show, me lembro. Já deu pra sentir um público especial se formando. Foi num Ginásio que anotei na minha agenda como sendo "do Atlético." Só hoje, fazendo a tabela abaixo, me dei conta de que o Atlético nunca teve ginásio. Que ginásio era aquele?.

Desde então, foram muitas passagens pontuando momentos significativos da minha trajetória: o último show da tour GLM, antes de raspar o cabelo e mergulhar no FILMES DE GUERRA, CANÇÕES DE AMOR... o show junto com Emerson, Lake & Palmer no Mineirinho (presenciei uma briga divertidíssima entre eles e voltei à minha adolescência assistindo ao show no palco)... a temporada no Palácio das Artes com minha filha no palco e minha mãe na plateia... os grandes festivais no Mineirão e no Estádio Independência... as duas únicas apresentações do show Acústico antes da gravação MTV... a descoberta de que eu poderia tocar viola caipira, a compra de 3 violas caipiras que trouxeram Minas para minha casa e para o meu som...

... e a constância! Certeza de que novos capítulos virão.

Já fiz mais de 50 shows em BH.
A todos que participam desta história, mando mais de 50 abraços!
Dia 03 de dezembro volto ao Palácio das Artes. Tá feito o convite. Quem mais estará lá?

Tenho dúvidas quanto a alguns locais. Um dos shows do GLM foi num estacionamento de shopping.
 Em 92 ou 93? No Shopping Del Rey ou no Minas Shopping? Quem mais estava lá, será que sabe?
(clique para ampliar a tabela)



P(*)EMAS C(*)M N(*)TAS DE R(*)DAPÉ - 24


os sinais estão no ar
no chão da praça da matriz
mensagem pelo celular
água batendo no nariz

(*) Às vezes me um sinto imbecil andando pelas ruas de Porto Alegre, de calças curtas, carregando nas costas uma mochila com minha raquete. Ah, estas bobagens que tomam conta da minha vida: caminhadas, música, poesia, tênis... Disfarço minha figura ridícula fazendo de conta que sou um samurai indo ao encontro do bom combate. A raquete se transforma numa espada, meus passos ficam mais firmes, o olhar fica mais focado, as músicas que rolam nos meus fones soam mais urgentes. E sigo em frente. Um Dom Quixote ninja.

Em meio a esta fantasia tão esdrúxula quanto a realidade, li a palavra escrita na camiseta do cara que passou por mim: "Rotterdam". Ok, nada demais. Enquanto esperava o semáforo criar uma ponte invisível para que nós, pedestres, atravessássemos o mar de automóveis, olhei pra cima e li o nome de um prédio: "Rotterdam". Opa, aí tem! Depois de anos sem aparecer, a palavra pinta duas vezes em menos de dois minutos: um sinal! Querendo dizer o quê?

Cheguei ao outro lado da rua com o firme propósito de descobrir "que porra é essa". Decidi buscar no Google e aceitar o segundo resultado para "Roterdam" como se fosse uma mensagem divina. Dei a ordem ao smartphone, ele começou a negociar conexões. Segui andando com um olho na rua e outro na busca pelo segundo "Rotterdam" do Google.

Atravessei outras esquinas,  outras coisas foram atraindo minha atenção. Entrei na quadra, joguei, perdi a conexão com a www e acabei me esquecendo do sinal que eu buscava decifrar. Quebrado o encanto do momento, me pareceu que a mensagem, se realmente tivesse existido, já não estaria mais lá.

(*) Meu querido Deus: longe de mim a pretensão de que o senhor esteja lendo isso. Longe de mim, também, a pretensão de que eu mereça receber sinais. Mas, se o senhor, na sua infinita bondade, me achou merecedor, quero me desculpar e dizer que não consegui fazer nenhuma conexão com "Rotterdam". Dá pra mandar o recado por email? Por favor, não subestime a falta de sensibilidade e inteligência deste seu servo.

miragens, fantasmas, viagens no tempo
?será que você existe?
delírio, desejo, vozes e visões
 ?será fruto da imaginação?

(*) Nunca me interessei muito pelas ideias de Freud, apesar de saber de sua importância. Em algum momento, provavelmente, eu passe por ali pra conferir o que ele produziu. Também é provável que, então, eu aprecie seus textos mais como literatura do que ciência.

O pensamento  do velho Sigmund que sempre me vem à mente talvez nem seja dele. Será que ele realmente disse: "temos que ficar abertos à possibilidade de um charuto ser só um charuto"? Soa como uma autocrítica, um pedido de bom senso e cuidado em meio ao emaranhado de duplos sentidos e interpretações que às vezes sugerem a existência de pelo em ovo.

(*) O destino está traçado ou existe livre arbítrio? Existem coincidências ou "coincidência" é o nome que se dá à falta de capacidade de ler sinais? Não sei... intuo que respostas a estas questões a gente não encontra, a gente constrói.

Sintam-se abraçados por este quixotesco samurai.

Bah 1: o segundo resultado para a busca "Rotterdam" no Google me levou à segunda maior cidade da Holanda. Minto: me levou ao Wikipedia.

Bah 2: na última vez em que prestei atenção a sinais, descobri que minha mulher estava tendo um caso com Robert Plant. Para quem mais ele cantaria Thank You daquele jeito?

  
22nov2011


P(*)EMAS C(*)M N(*)TAS DE R(*)DAPÉ - 23


eu sou velho, meu velho
tão velho quanto o mundo
eu sou moço, seu moço
e o poço não é tão fundo

(*) Desnecessário fazer uma lista das indústrias que lucram com a gerascofobia, o medo de envelhecer. É possível que este texto esteja dividindo a tela do teu computador com uma propaganda de uma destas indústrias. Não? Pela janela, no outdoor do outro lado da rua, não enxergas algo dizendo que envelhecer é pecado? Se ligares a televisão, nem precisarás esperar os comerciais...

Com um pouco de esforço, até consigo entender a gerontofobia, o medo de pessoas velhas. Mas o medo de envelhecer (não em casos isolados, mas como o padrão de uma cultura inteira) me foge à compreensão. É como ser alérgico a oxigênio. É negar nossa própria existência e humanidade.

Não te desesperes, meu jovem. Há aspectos legais na passagem do tempo. Um deles: a cada dia ficamos mais longe da adolescência. Ufa, que alívio! Também ficamos mais perto da infância. Eba! Como super-heróis, adquirimos superpoderes: visão de raio X, por exemplo (ela começa aos poucos, geralmente na mesma época em que olhos cansados começam a borrar as letras dos livros e qualquer objeto que esteja muito próximo). Alguns flashes de raio X vão se repetindo com cada vez mais frequência. Até que, um dia, acordamos achando que as coisas são bem mais simples do que pareciam ser na noite anterior.

A gente bate o olho no cantor que parece estar morrendo a cada nota da melodia e vê que ele está pensando mesmo é nas notas que vai colocar na carteira. A gente olha pro centroavante ajeitando as meias e vê que dali não vai sair gol. A gente vê a cara do candidato e... ooooops, os políticos estão tão desavergonhadamente à vontade que até Mr Magoo vê qualé a deles. Desperdício usar raio X.

Ok, admito, posso estar exagerando. Talvez a tal visão de raio X só funcione na primeira pessoa. Mesmo assim... não é pouca coisa olhar para o espelho e enxergar o próprio coração.

visão de raio X
o X dessa questão:
enxergar depois da curva

Bah 1: Há controvérsia sobre o significado dos termos gerascofobia e gerontofobia. Nenhum deles aparece no meu dicionário Houaiss. Mas acho que me fiz entender.

Bah 2: Não confundas a visão de raio X com os preconceitos de quem acha que já viu tudo. Este superpoder é mais facilmente desenvolvido por quem sabe que não sabe, da missa, a metade. Mas funciona. Se a violência travestida lança suas iscas, a gente consegue ver além da maquiagem. Dá pra sacar, de cara, todo placebo travestido de cura, todo baba-ovismo travestido de humildade, toda falta de convicção travestida de versatilidade, o ressentimento travestido de indiferença. Aquele cara orgulhoso de seu trabalho autoral se revela um copiador que chega sempre 5 anos atrasado. Por outro lado, aquela banda que não toca material próprio começa a soar completamente original. Tava tudo ali, desde sempre, esperando que o tempo resolvesse o X dessa questão: visão de raio x, ver além da máscara.

este ogro que vos fala
esta voz de tom agreste
esta sala sem paredes
é o espaço que me veste

este céu que às vezes falta
este chão que às vezes cede
esta falta de espaço
este pedaço, quanto mede?

este ogro que se cala
não reconhece o que vê
não esquece como era
onde era e porque

esta boca tem um nome
silenciado em lábios duros
esta boca cospe flores
se mastiga pedregulho

este ogro se desculpa
por viver em terra estranha
seu tempo é muito curto
sua pressa é tamanha

seus olhos são os olhos
de um barco em tempestade
de um náufrago agarrado
a um amor pela metade

um travesseiro com teu cheiro
seria a ponte para o dia
seria noite a vida inteira
se não houvesse travessia

...é noite a vida inteira
...não existe travessia
este ogro acha graça
porque vaga sem destino

porque paga com silêncio
o que lhe cobram as palavras
este ogro abre os olhos
estes olhos de menino

15nov2011

P(*)EMAS C(*)M N(*)TAS DE R(*)DAPÉ - 22


onda após onda após onda
o barco ainda flutua
ao sabor do acaso
apesar dos pesares
ao sabor das correntes
sob a mesma lua

(*) Desde janeiro, tenho feito twitcams mensais. Sempre que possível, no dia 11. Resolvi, a partir de novembro, tocar, nestas oportunidades, álbuns inteiros. Temos encontro marcado no próximo ano e meio, ok? Eu sei, uma twitcam, com a estética estática de câmera-de-segurança-de-loja-de-conveniência tem tudo para não ser levada a sério. Ainda por cima é de graça! Mas...

...1) As melhores coisas são de graça, né? O sorriso daquela pessoa, o pôr do sol, uma lufada de ar puro.

...2) Eu levo tudo a sério. Podem me acusar disto. Mesmo que, sem linha, uma agulha possa surfar mais livremente pelo tecido, eu prefiro o comprometimento da costura. Mais do que encarar as consequências: contar com as consequências. Estranho que o ditado "não dar ponto sem nó" geralmente seja usado de forma pejorativa. "Costurar sem linha" me parece um diagnóstico apurado dos tempos que correm. Mas este não é um ditado. Ainda.

...3) A estética de câmera parada num tripé é atemporal. Tem uma razão de ser: fruto da solidão de quem está emitindo, ela reforça o elo com quem esta captando. Os videos que disponibilizei quando estava construindo o NOVOS HORIZONTES eram assim. Durante a construção do FILMES DE GUERRA, CANÇÕES DE AMOR, filmei muitas horas de ensaio, na casa do Maltz, em Ipanema, assim, câmera parada num tripé. Continuam mais atuais do que seriam se tivessem o filtro e a interferência de uma mão escolhendo ângulos, cortes e enquadramentos.

(*) FILMES DE GUERRA, CANÇÕES DE AMOR foi o disco que abriu esta série de twitcams temáticas. Bom sentir que ele continua vivo. Sobreviveu ao vinil, k7 e VHS que lhes serviram de suporte quando lançado e já morreram. Um pouco mais difícil é definir quando ele nasceu.

Como saber como nasceu este disco para cada um de vocês? Num LP do pai? No computador do irmão mais novo? No rádio de um táxi? Teria nascido quando Augustinho trouxe, de Nova Iorque, as guitarras Gibson 175, 335 e 350? Quando Maltz aceitou, corajosamente, trabalhar só com percussão? Quando Wagner Tiso fez arranjos a partir do meu jeito sem jeito de tocar piano?

(*) FILMES DE GUERRA, CANÇÕES DE AMOR pode ter nascido no palco de um mega-festival enquanto eu tocava Parabólica num violão de nylon abrindo o show do Nirvana e de uma outra banda da qual não lembro o nome e que rezava pela cartilha da macumba-pra-turista-grunge (lembrei o nome: L7. Ou não? Ah, deixa pra lá...).

Me lembro de sentir uma irresistível vontade de rapar o cabelo. Budisticamente. Me desfazer dos acessórios, dos baixos pintados, das entrevistas inteligentes, dos refrões cantados em coro. Fases. Vão e voltam. Nada é absoluto. Absolutamente nada.

Coloquei todo o equipamento que cabia no meu carro (ah, que delícia não lembrar qual era o carro! Ferramentas são só ferramentas!) e subi a serra ouvindo Tuck Andress. Por coincidência, eu tinha lido,  naqueles dias, uma matéria onde o grande guitarrisra destrinchava, tecnicamente, seu som de guitarra. Chegando em Gramado, a primeira coisa que fiz foi ligar de um orelhão (ah, que delícia viver sem celular. Ah que delícia ter celular...) para o Augustinho pedindo para ele sacar o som do cara.

Montei um pequeno estúdio no quarto da Clara. Ela dormia com a Adri enquanto eu gravava a demo do disco (ah, que momentos maravilhosos passei limpando com álcool a cabeça de som de um gravador Tascam que gravava 4 canais numa fita K7! Depois disso, que graça posso ver num Pro Tools?).

(*) Mudei muita coisa nas canções. Não só arranjos: letras e melodias também. No dia da gravação, o público demorava um pouco para entender qual e como era a música. Até hoje, quando ouço o disco, sinto banda e platéia negociando andamentos e vibes (com o Pouca Vogal, a situação se repetiu: um disco ao vivo num formato diferente. Mas já havia a www. O público pôde acompanhar a construção; no show, já sabiam do que se tratava).

Por conceito, os maiores hits que tínhamos na época ficaram de fora do disco. Foi a Gibson 335, única  guitarra que levei para a serra gaúcha, que escolheu o repertório. Budisticamete. A gravadora chiou, claro. Mas nada que pudesse rivalizar com nossa certeza de que era a coisa a fazer.

(*) Acho que passei mais tempo desperdiçando papel manteiga no desenho do f-hole para a capa do disco do que ensaiando as músicas. Tentei usar, como fundo, a madeira de algum instrumento. Nada ficava bacana. Acabei usando a madeira da porta do estúdio. Talvez seja madeira fake, fórmica. Mas é  meu projeto gráfico preferido.

(*) Há algum tempo encasquetei com a ideia de que as coisas nascem como estrelas ao contrário. Em vez de um centro emitindo luz, raios que se encontram na hora H, no dia D, no ponto... G? Não. No "point of no return" da existência.

Não precisa me corrigir quem sabe, como eu, que, na vida real, algumas estrelas não têm luz própria. Elas refletem o sol, eu sei. Minha analogia foi precária. Elas geralmente são. Mas "Estrelas ao Contrário" era algo que eu precisava dizer.

(*) Que fim levaram as guitarras? A 335 troquei com Maltz por uma bateria eletrônica Roland TD7.  Algum tempo depois, dei ela pro Adal. A 350  troquei com Lulú Santos. Ele me deu uma Gibson Lucille e um violão Yamaha de XII cordas. Também dei os dois instrumentos. O violão, para nosso jardineiro. Só acha que fiz máu negócio quem não viu o sorriso dele. Aquele violão, que já esteve nos maiores palcos do Brasil, hoje está numa igreja da periferia de POA. Quem é capaz de dizer onde ele soa melhor?

(*) Espero que o FILMES DE GUERRA, CANÇÕES DE AMOR continue nascendo por muito tempo.

(*) Um brinde a todos que me acompanham no BloGessinger e nas twitcams


Um abraço a todos os profissionais e amigos envolvidos no FILMES DE GUERRA, CANÇÕES DE AMOR. De modo especial, ao pessoal da ShowBrás e aos companheiros de estrada Maltz e Licks. O tempo provou que fomos bravos.


8nov2011