P(*)EMAS C(*)M N(*)TAS DE R(*)DAPÉ - 21


pergunte ao pó
desça ao porão
siga aquele carro
ou as pegadas que eu deixei
pergunte ao pó
por onde andei
há um mapa dos meus passos
nos pedaços que eu deixei

(*) Quando vejo mapas mostrando como o Homo Sapiens se espalhou pelo planeta, saindo da África, sempre penso: taí uma caminhadinha que eu gostaria de fazer! A vontade passa quando lembro do sol que eu teria que aguentar.

Adoro caminhar, ver o tempo imprimir, na lona dos meus tênis, o desenho dos meus pés. Como uma chapa de raio X. Olho para baixo e vejo um par de sudários andando por aí. Como um polegar na carteira de identidade, eu carimbo pegadas no chão de Porto Alegre. Onde o solo é mais propício. Quando asfalto, basalto e paralelepípedos dão chance à terra. Assim caminha a humanidade, marcando o chão e sendo marcada por ele. Assim caminho e assobio: "ascensão e queda são dois lados da mesma moeda".

(*) Decidi não ter mais carro. Não pense que é um ato heróico, de consciência ambiental. Confesso que  vivo pedindo emprestado o trator da minha mulher ou o fusquinha da minha filha. Graças a Deus, de segunda à quinta, consigo levar minha vida relativamente independente de horários, dá pra fazer quase tudo a pé. Nos shows dos fins de semana, ando muito mais de ônibus e avião do que de carro. 

Ser um pedestre desperta outras sensibilidades. Quando falam sobre automóveis, geralmente as pessoas analisam a potência do motor, o conforto, o quanto de inveja causará no vizinho de garagem (apesar de poucos admitirem isso). O que eu mais prezo num automóvel são as luzes que piscam avisando se o cara vai dobrar à direita ou à esquerda. Me interessa, também, o som  das buzinas. São acessórios para que o carro se comunique. Com civilidade, pois ser dono de um carro não significa ser dono das ruas e estradas.

Quando falam de smartphones, as pessoas geralmente analisam a velocidade do processador, a variedade dos aplicativos. Eu reclamo da pouca visibilidade da tela ao sol. E acho incrível que o touchscreen  funcione mesmo na chuva. É o ponto de vista de quem caminha ao sol e na chuva. Diferente do casulo sobre rodas.

(*) Caminhando, a gente saca nuances que passam despercebidas quando estamos motorizados. Num mesmo trajeto, conforme a hora do dia, a sombra estará neste o naquele lado da rua. Conforme a estação do ano, será melhor andar ao sol ou à sombra. Se queremos uma caminhada mais introspectiva, melhor respeitar as curvas de nível do terreno, evitar subidas e descidas. Se ganhar tempo é a prioridade, melhor enfrentar as lombas. E o suor.

Caminhando, esbaforido no verão ou enregelado no inverno, é comum alguém me reconhecer, parar o carro e perguntar admirado: "E aí, caminhando ?!?". Nunca me ocorreu ir pro meio da rua, parar o tráfego e gritar "E aí, andando de carro ?!?". Sensibilidades diferentes.

(*) Sou fã das leis do trânsito. É lindo que alguém tenha estudado o fluxo e decidido que esta rua só deve ir, aquela só deve voltar, aqui não dá pra dobrar, lá é obrigatório parar. Parecem limites, mas, na verdade, são os alicerces de uma liberdade maior. Se cada um pudesse ir pro lado que quisesse, fazendo o caminho mais curto entre dois pontos, a cidade pararia num engarrafamento insolúvel. As regras do trânsito são, para mim, a melhor tradução do dito bíblico "disciplina é liberdade".

Ok, ok, talvez eu tenha esta boa vontade porque nós, pedestres, podemos andar para o lado que quisermos. Na verdade, também temos nossos limites: não pense em pular aquele muro para atalhar, há um cão estressado te esperando no outro lado!

(*) Moro numa cidade que anda e caga para quem anda. O motorista não respeita a faixa, o condomínio não respeita a calçada, o dono do cachorro não respeita a higiene.

À noite, sensores de movimento acendem as luzes dos condomínios quando passo. Deixo para trás um rastro de luz inútil. Ilhas de claridade desabitada. Sou apenas um vulto suspeito para motoristas que, assustados, tentam entrar na garagem antes mesmo do portão abrir. Calma, meu senhor, estou só caminhando, não me interesso por seu carro, pode esperar os guardas do castelo baixarem a ponte sobre o fosso dos jacarés.

Havia terrenos baldios. Espaço de transição entre bairros, cidades, pessoas. Havia jardins, transição entre espaços público e privado. Estão todos cercados. Muros e grades. O que é meu, é meu; o que não é meu não é de niguém. Não tome este monte de verbos no pretérito como melancolia saudosista. Só estou vendo as flores crescerem. Com seus espinhos.

 (*) Ops, peraí... desde o dia em que escrevi estes parágrafos até a revisão de hoje, alguns motoristas pararam na faixa de pedestre para que eu atravessasse! Também vi pessoas levando sacos plásticos junto à coleira dos seus cães! Até reparos em uma calçada eu testemunhei! E agora? Deleto meu comentário anterior ou ignoro os fatos novos?

Do ponto de vista estatístico, minha amostragem é irrelevante. Eu teria que passar anos andando pelas ruas para que minhas observações, seja do descaso por calçadas e pedestres seja da educação de motoristas e donos de cães, formassem um número matematicamente representativo.

A vida é assim, não podemos nos basear na matemática das nossas vivências. Ou você acha que conhecerá uma amostragem significativa de pretendentes antes de decidir ficar com alguém? Pode tirar o cavalinho da chuva. Na hora do salto, quando a ciência nos deixa na mão, vale muito o instinto.

Mas afinal, com qual das minhas experiências ficarei? Bárbarie ou civilização? As duas. A primeira para me indignar e a segunda para criar alguma esperança.

(*) O passo é uma queda evitada por outro passo.

por onde anda você?
um abraço, esteja onde estiver
como a sombra dos meus passos
abraça o Chevrolet Bel Air



Post-scriptum:
aonde você vai?
eu vou ficar
tentando abraçar
o carro que sai



 01nov2011

83 comentários:

  1. quando cliquei para comentar o blog saiu do ar, vc disse para confiar no instinto e o meu me diz que talvez seja um sinal para ficar quieta...
    Caminhar é um bom momento para pensar, para conversar com Deus... mas sinceramente não gosto da minha caminhada diária para ir a faculdade, fora que já presenciei diversos acidentes ):
    " Sensibilidades diferentes."

    Boa noite. Abraços (:

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  2. Opa! fui o primeiro a comentar hoje.

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  3. Bom saber que não sou a única que gosta de andar a pé. Embora em minha cidade as distâncias são outras... posso atravessá-la em 20 min... kkk

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  4. Seguindo teus passos!
    Eu que nunca fui de caminhar, caminhei a pé da Julio de Castilhos até sua casa!
    Bom andar...tenho tentado desenvolver este prazer.
    Bom ler que tudo é relativo, do ponto de vista de onde se olha.

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  5. Adoro caminhar também, meu irmão não entende porque eu ando mais de 4 km no escuro, estrada de chão, no meio do mato (moro num sítio), se tem a bicicleta :).
    Andó só, pois só eu sei a velocidade que devo andar, quando eu devo parar para olhar as estrelas, ou aquele bicho interessante, ou quando devo pegar um atalho (seja ele para aumentar ou diminuir o tempo da caminhada).

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  6. "O passo é uma queda evitada por outro passo."
    Genial.

    Em relação ao que você reparou depois que você escreveu: não foi um daqueles casos que você acaba só reparando depois que pensa sobre o assunto (ou nesse caso escreve)?
    Da mesma maneira quando você passa por uma pessoa inúmeras vezes e nem percebe a sua presença, até que um dia você a conhece e começa a vê-la em todo lugar?

    Já passei por experiências semelhantes.

    Abração Humberto!
    Belo texto, com uma frase mais do que genial para fechar com chave de ouro!

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  7. Sempre me surpreendo com seus textos.
    E realmente, essa coisa de "ser pedestre" é deleitante. Curti =]

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  8. Bom saber que, apesar das várias diferenças que nos separam, algo - ainda assim - nos une. Nós caminhamos por aí. Percorremos, inevitavelmente, o mesmo chão. Apesar de construirmos passados diferentes. Ainda bem, né?! Provavelmente, seja irrelevante. E, provavelmente, a gente se encontre por aí. Ou nos ônibus, ou nas ruas de POA.

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  9. Adorei toda esta reflexão...é, tudo hoje ta muito estranho, todos andam com medo de tudo e de todos, 'muros e grades'; caminhar ficou bem mais difícil nos grandes centros urbanos e até mesmo em algumas cidades do interior, é o medo nos incubindo de viver as 'pequenas,grandes coisas' do nosso redor! =/

    Boa noite, um ótimo mês de novembro!
    Beijos e um lindo abraço, meu querido! *-*

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  10. Violencia urbana e as armas químicas.


    Robson, 22.

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  11. Engraçado. No Rio, fujo do sol. Em Porto Alegre, procuro o sol. Cara, também penso em automóvel, somente como um meio de transporte. Se dependessem de mim, os projetistas da BMW morreriam de fome. Status/Luxo = Sem importância. No final de semana, em Gramado, esbarrei com gente esnobe. Mas, esbarrei também com gente muito legal. Culpar a cidade? Nãoooo.... Guardarei o encontro contigo e com a garçonete, que me lembrava a Amy Whinehouse e trocava os pedidos de todos os clientes. rsrsrsrs...

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  12. Com tanta coisa que esse texto me suscitou, vou comentar a primeira coisa que me veio a mente: Gessinger, acho que você não gostaria de caminhar por aqui... em Orlândia... todas os quarteirões e ruas são iguais:

    http://img.hotel.com.br/br/fotos/6/7/6725_6081_fachada.jpg

    rsrsrsr
    mas está convidado pra quando quiser! ^^

    Boa noite de terça!
    Abraços!!!

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  13. O Cara é Gênio... Nada a Comentar

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    1. um genio elevado ao quadrado
      se a matemática que aprendi na faculdade ainda fala em numeros elevados ao quadrado que são o mesmo multiplicado por ele mesmo: HG elevado a HG seria a fórmula de um genio intelectosamente fenomenal que somando-se tudo seria o receita do talento infinito. salve salve HG!!!qual então seria o limite de HG quando HG tende a HG ??? a resposta obvia:não existe definição nem fim de tal talento...

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  14. O suprassumo da contradição HG...
    "Mas afinal, com qual das minhas experiências ficarei? Bárbarie ou civilização? As duas. A primeira para me indignar e a segunda para criar alguma esperança."

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  15. cada vez mais fico impressionada como meus pensamentos batem tanto com os de Humberto. Hoje mesmo estava eu em minha moto no trânsito de Sobral, quando parei no sinal vermelho e pensei como é interessante a comunicação dos veículos através de buzinas e faróis. E como as Leis de trânsitos são inteligentes e importantes para todos. Pensei q seria legal escrever sobre isso. Não escrevi, mas alguém (Gessinger) escreveu. E bem melhor, é claro!

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  16. Mais uma postagem para alegrar minha semana!
    Leitura boa antes de dormir!

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  17. "Há tanta gente pela as ruas, há tantas ruas e nenhuma é igual a outra." Só meus pensamentos com os dele que geralmente são TODOS IGUAIS.

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  18. "Mas afinal, com qual das minhas experiências ficarei? Bárbarie ou civilização? As duas. A primeira para me indignar e a segunda para criar alguma esperança". É isto que me faz continuar caminhando.... ai esse HG me inspira !! Obrigada por mais este post...

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  19. Quando eu tento imprimir as emoções dos seus textos nesses comentarios eu percebo o quão falho é essa porra!

    Robson, 22.

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  20. A caminhada ou o caminho? A realidade só depende de um ponto de vista. Proibido estacionar, mao única, e cuidado: curva acentuada sao frases divertidas quando se está de all star. 1Berto SEMPRE um GENIO!

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  21. Amigo caminhar sempre nos faz pensar. Gostei da reflexão!
    Quero te dar os parabéns pelo blog, gosto de ler os teus textos, pois como as tuas músicas, sempre me fazem pensar e questionar. Continue escrevendo sempre, eu continuarei lendo e refletindo...

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  22. Não sei se o que faço nas minhas caminhadas me ajudam ou me atrapalham, caminho todos os dias, uns tres quilometros, de volta pra casa, saindo do trampo. Vou andando e ouvindo musica no meu celular (hoje ouvi Engenheiros, quase sempre ouço, qnd não o Pouca Vogal), as vezes nem presto atenção nas músicas pensando na vida, as vezes nem presto atenção na vida ouvindo a música, as vezes nem um nem outro olhando o caminho. Já percebi muitas coisas relacionadas a posição das sombras em certas horas do dia, no fluxo dos carros na hora do rush, que rua não pegar se eu quiser ir mais rápido, onde atravessar. Já testei várias velocidades de caminhada na hora do meu almoço, consegui uma diferença de dez minutos do meu habitual tempo, mas não me faz bem, não vejo nada, não penso nada e chego em casa morto de cansaço e suado. Enfim já estou escrevendo um texto tão grande quanto o seu, mas o fato é que eu adoro caminhar e estou transformando em um habito ler seus textos toda madrugada de terça feira, quando junta as duas coisas, dificil não discorrer sobre desse jeito... hehe abraço e até!
    Jean Bonjorno

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  23. Amo caminhar e andar de ônibus, todos me perguntam porquê não compro um carro já que moro longe do trabalho, mas sei lá, concordo com o Humba, desperta outras sensibilidades,acho mais humano e menos máquina, mesmo no ônibus, é mais contato com pessoas e menos gosto de ferrugem.

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  24. Estava deitada para dormir quando lembrei que a segunda já tinha virado terça e vim ler seu texto.
    Aqui na minha cidade é um pouco complicado andar sempre a pé. A maior parte dela são morros muito íngremes, o que dificulta a caminhada. Mas por outro lado, os motoristas respeitam a faixa de pedestre, acho muito bacana.
    Espero ansiosa você e o Duca aqui mês que vem!

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  25. (*) O passo é uma queda evitada por outro passo.

    Fala Humberto! Aproveitando a nota com uma pergunta:

    A queda é um passo inevitável?

    Do De Fé @lucianos_s

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  26. Acontece a queda quando nao damos o passo... Rs

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  27. SEMPRE SURPREENDENTE !!

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  28. entre o que você diz e a gente consegue entender... entre o que você pretende e o que melhor convém dizer.. ficam as palavras.. mapas.. nosso caminhar..passos... pedaços de vida... passa o tempo.. as coisas mudam? nuances.. vidas.. qual melhor objetivo? a que viver, sobre viver.. bom é viver a vida..

    brainstorm!

    boa noite HG! abraço .-.

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  29. Eu costumo caminhar muito. Pra buscar a filha na creche, por exemplo. Daí as pessoas comentam "Ué, vai a pé?!". Ninguém se conforma. O cúmulo do sedentarismo. Eles sentem preguiça só de pensar na minha caminhada.

    A caminhada me ajuda a controlar meu peso. Se eu vejo uma guia/calçada e uma rampa, e acabo instintivamente optando pela rampa, é porque estou engordando e pesado demais pra subir um simples degrau. Hora de caminhar mais...

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  30. Eu até queria mesmo caminhar. A gente presta mais atenção nas pessoas, encontra lugares e eu fazia muito mais coisas quando era pedestre. Ia no centro da cidade, no shopping, ao supermercado...mas agora que ando de carro e estacionar aqui em Teresina está cada vez mais dificil, acabo desistindo de ir em alguns lugares e vou direto pra casa. Caminhar aqui tem outro obstaculos: o calor! Com média de 38...39 graus...o sol acaba fazendo mal pra pele. Em compensação temos uma das cervejas mais geladas....hehehehe

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  31. A ordenação do trânsito também me fascina. Tanto quanto ver uma cidade projetada, como Brasília. A idéia de que alguém pensou previamente onde ficaria o comércio, a escola, é bem interessante - embora nem sempre dê certo! :-)

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  32. Eu caminho todos os dias de casa para o trabalho que são perto um do outro, porém atravesso em uma rótula que tem potencial à acidentes, mas percebo que há muitos motoristas educados que param pra eu e outros pedestres atravessar, mesmo fora da faixa. Não sei se é porque moro numa cidade pequena (Criciúma) que "todo mundo conhece todo mundo" e tem medo de atropelar alguém ou se isso vem realmente de dentro do motorista.
    Mas o que quero dizer é que gosto de caminhar pela cidade, gosto de conhecer as ruas de observar o que os moradores fazem no seu dia-a-dia. Tenho esse orgulho sul-catarinense de admirar os semelhantes.
    Vivemos numa era que tudo é automático, pedimos comida por telefone, a van busca o filho na escola, fazemos comprar do mês pela internet. Enquanto eu tiver saúde pra caminhar e observar a cidade e moradores vou fazer, é um jeito de me sentir que não estou entregue ao comodismo.
    Continue com esses textos altamente reflexivos. Foi a primeira vez que comentei aqui, mas aguardo todas as terças-feiras chegarem pra descobrir mais sobre meu ídolo.

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  33. Espero que as ruas por onde andamos na nossa boa Porto Alegre, e em qualquer lugar do país melhorem cada vez mais, sem perder o seu encanto. Desejo que tuas caminhadas sejam cheias de paz...

    @simone_hg

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  34. Adoraria um abraço dessa sombra genial! Belas palavras para o novembro que chega!
    E a vida é isso... caminhar, enfrentando os dias de sol e de chuva; e saber tirar proveito de cada situação/estação!

    Que os teus passos continuem iluminados, fazendo da tua caminhada sempre um novo aprendizado; e que siga trazendo sempre muita alegria e alento - seja através de músicas ou de belas palavras -, aos "De Fé".

    Um beijo HG!

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  35. " Antes de ler o texto eu sempre coloco uma música tua , fico na expectativa de acertar com a que você coloca no início , e qual foi a minha surpresa dessa vez eu acertei , tava pensando nessa pois me faz lembrar alguém , eu a conheci graças ao refrão , aguardo ansioso a segunda-feira , segunda-feira blues "...

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  36. Senti falta do abraço semanal :(

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  37. Andar é uma delícia. Mas em cidades violentas, confesso: no escuro eu tenho medo.

    Bem vindo, Novembro.

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  38. Confesso, senti muita inveja com o "de segunda à quinta, consigo levar minha vida relativamente independente de horários". OS Climas são diferentes, mas conclui que Porto Alegre e Recife se parecem mais do que imaginava...

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  39. Genial, um "Andar a Pé" de Henry David Thoreau atualizado!
    Abraço.

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  40. Gosto de andar a pé assim como você, na minha cidade o fato de não ter um carro novo é sinal de "pobreza" material, mas graças a belas lições de "grandeza" espiritual nunca dei valor a isto, tenho outras prioridades, pra mim um carro basta ter ac ( aqui é necessidade) 42º diarios, uma boa direção e luzes e pronto. pois não passam de "vaidades que a terra um dia há de comer.." excelente texto. excelente autor. abraço

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  41. Andar "a pé" nesse caso, acima de qualquer citação no texto tem uma grande importância para a reflexão,abservação da vida e inspiração do nosso artista HG de relatar com tamanha técnica e sutileza momentos mágicos de uma vida fantástica que todos nós podemos ter!

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  42. Caro HG...
    Tenho que dizer que o texto de hoje deveria ir para as capas da revista "Boa Forma"!
    O Homo Sapiens ruma para um índice de massa corpórea incompatível com a longevidade.

    "A juventude é uma banda
    numa propaganda de refrigerantes..."

    E os refrigerantes, que, outrora repartíamos 1 litro em 5, 6 porções 1 vez ou duas na semana, esse mesmo (ou outro) refrigerante,
    tomamos todos os dias, ao invés da água.

    Quando caminho, observo que, na "minha época" (tenho 34 anos), tínhamos cintura fina, boa postura, usávamos tênis, andávamos muito à pé, patins e de bike.
    Caminhávamos horas para achar um orelhão para ligar para a mãe... isso se tínhamos ficha... senão era mais uma caminhadinha prá comprar ficha...

    Hoje, as meninas de 11, 12 anos, já tem "pneuzinhos" sobrando,
    andam de carro ou ficam em casa.
    Usam os polegares para teclar com as amigas no smarthphone...

    Não é saudosismo... é só uma humilde tentativa de melhorar as estatísticas da OMS...

    Parabéns pelo texto!
    Você tem influência sobre a juventude, sabe disso, e está utilizando com sabedoria.

    Isso me faz cada dia mais sua fã!

    Huggs!
    Eloisa Rocia

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  43. David Panagiotidou - Fortaleza1 de novembro de 2011 12:08

    Bom dia.
    Tenho a impressão, Humberto, que basta eu observar você que daí saberei como serei no futuro.
    Incrível as semelhanças espirituais.
    Quando falam em carros ao meu redor, me sinto um completo ignorante. É impressionante como sabem marcas, montadoras, potências, quando sairão de linha.
    Como você, só espero que minha bike mantenha os pneus cheios e que minhas pernas continuem fortes!

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  44. Como diria um grande poeta do meu sertão, luiz Gonzaga, com sua sabedoria popular de caboco como o mesmo afirmava.. sabiamente falou anos atrás algo parecido.."Quem é rico anda em burrico, Quem é pobre anda a pé, Mas o pobre vê nas estrada O orvaio beijando as flô, Vê de perto o galo campina, Que quando canta muda de cor, Vai moiando os pés no riacho, Que água fresca, nosso Senhor, Vai oiando coisa a grané, Coisas qui, pra mode vê O cristão tem que andá a pé"

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  45. Belissimo!!!texto p ser lido mais e mais vezes...a propósito q Chevrolet Bel Air lindo!!!

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  46. Se existem tantos acidentes de trânsito, e vivem fazendo campanhas, lotando as ruas de papéis jogados pela janela de um automóvel... por que fazem carros tão potentes? " Seu carro tem uma potência de 1.100.201.321.153.123 cavalos ". É inútil tanta potência para tão pouco bom senso.

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  47. Seria hilário um maluco no meio da rua gritando: andandoooooo de carrooooooo :O
    hahaha

    Precisamos de mais pessoas raras andando por nossas ruas!!

    Faltou aquele abraço esperado ;)

    Abraços e bom começo de novembro.

    @niviabitu

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  48. Leitura boa e interessante, refletir sobre o caminhar e a tecnologia é uma forma de reciclar!!!! Adorei!!!

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  49. "O passo é uma queda evitada por outro passo". É o típico estilo de mensagem q as pessoas costumam postar nas redes sociais e q quase nunca quem as vê para pra pensar de fato no que leu.
    Como sempre: adorei!

    Xêro...
    @jessicaNuvens

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  50. Na realidade a caminhada faz a gente refletir: "Como o dia está bonito". Uma caminhada na praia nos faz relaxar, sentir a imensa brisa do mar, sentir a criação de Jeová a nos beijar como o
    Beija - Flor e no final:
    Tomar uma água morna e deitar e dormir. Na verdade o vicio de ficar em frente ao Computador vendo o Humberto postar é viciante, mas ver a imensa criação de Deus é maravilhosa. Mais fico parado do que caminho, por isso que explica a gordurinha a mais....KKK

    Matheus Saó da Silva.

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  51. Alessandro Alves: Eu sempre, desde sempre pensei nisso. Quando se passa pelo mesmo trajeto, seja de carro, moto, onibus, a pé..... o que se vê é sempre uma surpresa. nada é igual. Genial.

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  52. O texto me lembra um livrinho genial > Francesco Careri: Walkscapes>

    O ato de andar visto como uma forma de trasformação dos lugares/territórios atravessados..mesmo que essa transformação seja apenas para os olhos/sentidos de quem atravessa!

    ps.: seja no descaso de calçadas e pedestres seja na educação de motoristas e donos de cães, podemos formar um número matematicamente representativo: aqui em Vitória é a mesma coisa..

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  53. Humberto,
    parabéns pelas sábias palavras. O carro pode até trazer conforto, mas nada se compara às sensações e experiências quando caminhamos.

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  54. Caramba! Mt bom! Lembrei de alguns pensadores filósofos clássicos que fizeram uma apologia às caminhadas. Caminhada como veículo (caminhada = veículo... sacou? nada, deixa p lá)de descoberta de si e do mundo. Há um certo imperativo do automotor. Mas também é uma necessidade p se estar onde se deve estar p compromissos necessários. Mas caminhar é isso mesmo: compreender-se, assistir ao universo particular e comum, perceber a si e a multiplicidade dos outros, sentir as transformações e ficar perplexo com a rapidez delas. É isso! Não vou dizer o q vc já disse. Mas levanto a mesma bandeira. Caminhemos sempre: marcando, marcados, rastreando e sendo rastreados.

    Abrç

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  55. Cara, uma vez sonhei que deixava minha bicicleta do lado de fora do banco para sacar dinheiro e o dono da BMW vinha e furava os dois pneus da bike. Quando saí para impedir, acordei. Será que era um sinal para comprar uma BMW?

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  56. Olá! ;D

    Venha conhecer o livro mais polêmico e revelador dos últimos tempos: O POMO DE OURO.

    SINOPSE: Henrique foi instruído nos mistérios da Maçonaria desde criança e tornou-se um bom Mestre Maçom. Entretanto, por ocasião dos atentados ao World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001, Henrique descobriu coisas tão perturbadoras que fizeram ele se afastar da Maçonaria e isolar-se do mundo, até que sua amiga Eva Cristina foi procurá-lo para ajudá-la a decifrar um código que o pai dela havia deixado numa carta antes de falecer em suas explorações arqueológicas. A partir daí, Henrique se vê obrigado a usar de seus conhecimentos secretos da Maçonaria para ajudar Eva a encontrar e devolver a quem de direito um objeto do qual depende o futuro da humanidade: o pomo de ouro.

    Com uma narrativa dinâmica e envolvente para uma trama repleta de mistério, aventura e reviravoltas, o leitor é apresentado a uma série de contradições envolvendo os atentados de 11 de setembro, se torna conhecedor das mentiras da Igreja Católica e dos mais finos mistérios da Maçonaria, além de ficar a par da interpretação contundente de um conjunto de profecias que parece estar se concretizando a todo o momento em nosso tempo.

    Realidade? Ficção? O Pomo de Ouro é a leitura mais intrigante, polêmica e misteriosa dos últimos tempos. Um livro único e imperdível!

    LEIA 07 CAPÍTULOS DO LIVRO GRATUITAMENTE NO BLOG:
    http://opomodeouro1.blogspot.com/

    Espero que goste da leitura.

    Um grande abraço pra você! ;D

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  57. (*)Vários focos de um mesmo texto.
    Um mesmo objeto visto por diferentes ângulos pode parecer bem diferente...

    Café filosófico interessante...


    (**)Fui ao trabalho caminhando e percebi que na praça em frente ao hospital tem várias árvores frutíferas... coisa linda!


    Huggs!!!

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  58. Texto simplesmente demais,a cada semana que passa te vejo como vejo Carlos Drummond de Andrade ou Mário Quintana...eu no meu meigo ponto de vista,vc tem a tem muito que mostrar ainda a essa gente que te ama "EU" forte abraço meu bom!!!!

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  59. Beteu uma depressão agora...aqui em SP o caos é total, mas ao mesmo tempo a gente não consegue fazer nada sem carro pq o transporte público é um lixo...que solução teríamos para isso?
    Bjos mil!

    @natysbc

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  60. na minha cidade pequena caminho a curtos passos
    achando que o atalho mais distante que tomo
    conseguirá mer livrar das 2.600 pessoas que vejo.

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  61. BELO TEXTO! Se déssemos mais passos de ascensão e sabedoria, problemas nas ruas do país, da África e etc.seriam amenizados e quedas seriam evitadas.
    Um abraço com o mesmo entusiasmo de uma cadeirante carismática que vi numa reportagem bastante sorridente e enérgica trabalhando pra tornar pessoas melhores e mais felizes.

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  62. Ótimas palavras, já trabalhei com engenharia de tráfego, é muito legal mesmo projetar as sinalizações e imaginar de onde o cidadão vem, o que ele vai pensar quando ver a sinalização etc...

    Valeu pelas ótimas reflexões!

    Abraços!

    @ophilosopho

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  63. Tchê, cuidado pra não cair aí de cima!
    Se tontear e cair de uma altura dessas... daí é um abraço.

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  64. Humba, já viu aqueles andarilhos doidos de rodovias? Talvez ali resida uma tristeza insuportável, sufocante, agoniante, angustiante.

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  65. Humberto tudo bem...
    Gostaria de enviar uma música minha para você ouvir...Será que posso.

    Tem um e-mail

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  66. Bah. Lembra um dia que caminhandos juntos de um estúdio a outro e fizemos a nossa melhor música? Pra Ser Sincero !

    Aquilo sim, GLM, era o Prazer Sincero!!!!!!

    Me chama de volto que eu volto !!!!!!!!!!

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  67. Humberto! Mesmo sem querer (eu acho!) tu falas de umas verdades da vida com poesia! Mas, sobretudo, acho que tu tens o dom de falar dessas 'sutilezas', que não são tão sutis, mas que nos compõem e tb nos movem! Lendo teu texto de cara me veio Michel de Certeau, vou transcrever um trecho para compactuar com esse ato, que em si por nos ser nato e porque não banal, os trocamos por querermos estar no máximo de lugares possíveis dada a nossa vontade. Mas mal sabemos que estarmos nem sempre é nos sabermos! Tá aí algo que a caminhada possibilita, nos conhecermos, a nós e aquilo que nos está a volta, menos indiferentes, quem sabe!
    “A Fala dos Passos Perdidos. Essa história começa ao rés do chão, com passos. São eles o número, mas um número que não constitui um série. Não se pode contá-lo, porque cada uma de suas unidades é algo qualitativo (...). Sua agitação é um inumerável de singularidades. Os jogos dos passos moldam espaços. Tecem os lugares. Sob esse ponto de vista, as motricidades dos pedestres formam um desses “sistemas reais cuja existência faz efetivamente a cidade”, mas “não têm nenhum receptáculo físico”. Elas não se localizam, mas são elas que espacializam."
    Obrigada por dividir teus pensamentos conosco! E, tb, as canções! Bela twitcam que domingo! Quando a segunda virar terça, vem o complemento! Um grande abraço!

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  68. Humberto, não tem explicação o que tu faz a gente sentir. Teus textos, como já falei outras vezes, me fazem sentir muito próxima de ti. É, de fato, um lance mais pessoal do que as canções, embora muito do que tu escreva remeta às suas canções... como você mesmo disse, é um oceano e as ondas sempre voltam. (falo você porque nasci em SC, onde o você ainda é mais usado que o tu).
    Na feira do livro fiquei pensando se ia ou não no tal bate papo... tava em dúvida, mas, como sempre, não consegui deixar de ir te ver. E posso dizer, foi um ganho de tempo e de vida. Estou em um momento de decepção com as pessoas e é bom ver que no meio dessa selva toda, ainda há pessoas como você, simples, inteligentes, que podem nos agregar muito! Uma amiga minha que não conhece muito o teu trabalho foi comigo e saiu de lá apaixonada pelo tua simplicidade e inteligência, querendo ouvir todas as tuas músicas. Fiquei feliz de trazer mais uma pra nosso mundinho EngHaw.
    Acho que falei demais... mas gostaria muito que soubesse isso.

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  69. Genial, você é meu melhor professor na matéria de como ser um ser humano melhor! até a próxima.

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  70. Um pensamento profundo de nossa humanidade, assim como a música NO MEIO DE TUDO VOCÊ, é muito bom quando existe alguém para nos tirar de uma verdadeira selva de concretos.
    A cidade não para, a cada dia nos surpreendemos com a mesma, atitudes das pessoas e mudanças cerebrais.
    Lendo o poster, observei que você segue no título de uma música que simplesmente acho incrível "Ando Só", por que andar de carro se temos a natureza para apreciar? (mesmo sendo substituída por concreto, porém o pôr do sol e aquele corredor de vento à nossa visão e ao nosso tato são indiscutíveis)
    Sempre leio seus pensamentos, gosto de debater determinadas frases em aulas de sociologia.
    Creio que dificilmente você irá ler esse comentário, porém alguém aí deve ler.

    Abraços
    Gabriel Rodrigues

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  71. adoorei o texto!☺
    "Quando falam sobre automóveis, geralmente as pessoas analisam a potência do motor, o conforto, o quanto de inveja causará no vizinho de garagem (apesar de poucos admitirem isso)"
    pura verdade!!

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  72. Curioso, muito curioso, neste 2012, eu ler este post, justo na semana que me descobri e me declarei amante do "pedestrismo". Por vezes por força das circusntância, por vezes por opção (isso existe?), tercerizei o serviço automobilístico. Procuro trabalhar contornando essa necessidade. Às vezes passo uma semana em "slow walk", às vezes passo uma semana terçando volante. Mas, aos 40, a busca pelo movimento clássico é cada vez mais urgente. E caminhar, no momento, é o que mais me aproxima do clássico - e o que mais me põe em movimento, até mesmo mentalmente. Este é meu zeitgeist.

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  73. nossa,se andares em gramado,perceberá que apesar de ser uma cidade jovem ela se destaca pela exuberancia e educacao no transito,como turista me surpreendi,fiquei buscando em minha vaga mente uma formula para reproduzir aquela orquestra na qual nao existe maestro,e sim varias engrenagens que se ajustam em tempo real sem a necessidade de haver um corretor de frenagem,,,, valew Humberto,

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  74. como fã eu so posso dizer: do caralho...

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