P(*)EMAS C(*)M N(*)TAS DE R(*)DAPÉ - 1


LIKE A KIDNEY STONE*

meu amigo astrólogo
falava da montanha que eu
(cabrito esquisito
carneiro
cordeiro de Deus)
teimava escalar

hey, astrólogo amigo
mando notícias desses dias
para futuras analogias:
tirei uma pedra do rim!
terei tirado a montanha de mim?

quando a gente é obrigado a lembrar
que o corpo existe
dá um banzo
dá um blues
saudade de não ser
no ventre da mãe

criança mimada este tal de corpo
carente
por que não desce pra brincar no play?
não sei.

HOW DOES IT FEEL
TO BE ON YOUR OWN
WITH NO DIRECTION HOME
LIKE A KIDNEY STONE

* Dia desses dei à luz um cálculo renal. Fragmentos de uma pedra, pra ser preciso: foi detonada a laser. Tentei esperar que saísse naturalmente (elas acabam saindo), mas a dor era muita e muitos os remédios pra aguentá-la, fui à luta.

Se os americanos dizem que seu moderníssimo arsenal bélico tem precisão cirúrgica, inverto e devolvo a analogia: bombardeamos a pedra no rim num vôo teleguiado. Procedimento simples, sem riscos. Eu anestesiado, o médico me vendo por dentro por uma tela.

A pior sequela foi passar dez dias mijando de olhos fechados (por ser gremista ou por ser medroso, evito o vermelho sempre que possível).

Para evitar que o problema se repita, é bom descobrir que substâncias nosso corpo transforma em pedra. Foi isso que meu médico disse ao me passar um fragmento da pedra e o endereço de um local onde analisariam sua composição química.

-Será que aceitam meu convênio médico?
-Não. Quem faz a análise é um geólogo.

Isso mesmo: do meu rim, direto para as mãos de um geólogo.
Taí a vida real... taí a a poesia.
14 junho 2011

17 comentários:

  1. É Gessinger, a vida é mesmo engraçada ( e às vezes sem graça) ... quando a alma e os nossos desejos e anseios insistem em criar suas próprias pernas o corpo dá sinal de “vida” e os chamam pra vida real! E isso costuma acontecer de umas formas um pouco desagradáveis. É a antiga, e sábia, e bíblica, e clichê frase que insiste em persistir “ do pó viemos e ao pó retornaremos”. Ás vezes nas variações rochosas, mas mesmo assim, sempre o que fica é a nossa essência! ;D
    Beijo, abraço e saúde eterna pra ti!

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  2. É sempre bom lembrarmos que somos humanos, rsrs Ü.
    A dor dói igual em todo mundo, mas a nossa sempre é MAIOR!! Sei bem como é. Passou... HUG Ü

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  3. Tive esse problema na infância... É uma dor INDESCRITÍVEL. Tive de urinar as pedras.

    Beba água e alivie nos chás, HG.

    Abraços

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  4. Tantas pedras no caminho não seriam ruim, HG?!

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  5. Tantas pedras no caminho não seriam no rim, HG?!

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  6. Genteeeeee...........
    Tá eu sei que o texto é super sério...
    Mas eu estou tão feliz...
    Só descobri o blog hj...(não acredito nisso).
    #seraqueeleexiste?

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    1. Cálculo renal é realmente terrível! Mas hoje em dia temos o lazer para nosso alívio. Antigamente
      era na 'faca'. rs

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  9. Comecei a ler seu blog em meados de setembro de 2012. Com sua autorização, dada pelo twitter, o li de trás para frente. Tenho esse (mal)hábito. Sempre que pego uma revista vou logo para as últimas páginas. No primeiro dia li cerca de 7 p(*)emas c(*)m n(*)tas de r(*)dapé e a vontade era de ler mais, mas, como estava no trabalho, não deu!Ouço suas músicas desde menino. Hoje, com 30 anos, o menino que ouve suas músicas é meu filho, que tem 10. A música preferida dele é "o Papa é pop". Deve ser pela melodia envolvente. Fiquei com sede de leitura. Confesso que algumas coisas que li não entendi, principamente as escritas em inglês e quando você fala de seus "ídolos" e pessoas que influenciaram na sua carreira musical. Bem, depois de mais de 70 "p(*)emas" lidos, ainda tenho sede de lê-lo. Fui até a stereophonica (no início de Outubro), na www, e tratei logo de adquirir um livro. fiquei encantado com a qualidade e estilo do material. Mas, fiz a promessa de ler só depois que terminar o blog. Hoje finalizei. Hoje começo no livro (Nas entrelinhas do Horizonte).
    Sei que você nem vai ler esse post, mas fica aqui o relato.
    Ah, vi que o número de comentário aumentou muito no decorrer das postagens. Onde no início não passavam de 10, hoje passam de 100.

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  11. Inicio minha viagem hoje. Objetivo? Sentir. Sentir a poesia, a musica, a arte, o próprio ser... Conheço parte do trabalho do Gessinger por intermedio de amigos, infelizmente não vislumbrei o apice dos Engenheiros, tenho apenas a minha mente para reproduzir histórias que me são ditas. E eventualmente, um dinheiro extra para comprar cd´s e livros. Tenho a oportunidade de conhecer "ao vivo" o Pouca Vogal e isso me alegra. Espero em breve um show em Manaus. Felicidades e Sucesso.

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  14. 4 anos de Blog... que viagem. Tenho muito pra ler :)

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