2017 - Planos de Voo


Salve, salve, meus caros, minhas caras!
Desde Aquela Noite é o nome do meu novo trabalho, três canções que estarão disponíveis nas plataformas digitais em breve. Para os fãs do bom e velho vinil, lançaremos um compacto na sequência. As três têm em comum o fato de serem parcerias já gravadas pelos parceiros mas ainda inéditas na minha discografia e cobrem um bom naco de tempo: de 1988 a 2015.
Alexandria escrevi com Tiago Iorc, ele gravou no disco Troco Likes. O Que Você Faz à Noite fiz com Dé, então baixista do Barão Vermelho. Foi gravada por eles no disco Carnaval. Nos dois casos, mandei os versos e os parceiros musicaram. Caminho diferente gerou Olhos Abertos: escrevi a letra sobre uma base que o pessoal do Capital Inicial me mandou já em estágio bem adiantado de produção. Eles gravaram no disco Todos os Lados

Foi divertido e um belo exercício transpor para meu trio a pegada acústica millenial do Tiago, o riff setentista do Barão e a parede de sons oitentista do Capital. Fazendo música, às vezes, pintam oportunidades de belos passeios pelo tempo e pelas contigências e estilos de outros artistas. 
Gostei tanto da experiência de lançar, no ano passado, o Louco Pra Ficar Legal que mantive o formato (digital e vinil), a formação (um trio: eu, Rafa Bisogno e Nando Peters) e alguns aspectos do projeto gráfico. Estes dois trabalhos mais recentes estarão no centro da nova tour que estreará no dia 17 de março no Vivo Rio e se chamará Desde Aquele Dia
Abrirei o show tocando na íntegra A Revolta dos Dândis, no ano em que completa 30 outonos. É um álbum com o qual me conecto muito facilmente. Basta ouvir seus primeiros acordes para reviver o estado mental e emocional de quando escrevi e gravei as canções. Não é algo tão comum quanto possa parecer. O mesmo acontece com o Dançando no Campo Minado e não faço a menor ideia do porquê. Não há muitas semelhanças entre os dois, mas também com este disco a conexão é imediata. Basta uma mirada na capa e… Ops, divaguei! Não é este álbum o assunto do post. Voltemos ao aniversariante.
(*) 
Em 2013, num evento da Rádio Mix de São Paulo, toquei A Revolta dos Dândis na íntegra. Se não me falha a memória, isso não aconteceu quando do seu lançamento, em 87. Lembro que foi uma tour curta. No início dela, as músicas do Revolta disputavam espaço com as do disco anterior (Longe Demais das Capitais). Mais adiante, a disputa passou a ser com algumas canções que fariam parte do disco seguinte (Ouça o Que Eu Digo: Não Ouça Ninguém).
É um álbum interessante de visitar não só pelas músicas em si, mas também pelo que aconteceu com elas. Algumas tiveram grande exposição (Infinita HighwayTerra de Gigantes, Refrão de Bolero). Outras, talvez só os de fé conheçam (Guardas da Fronteira, Filmes de Guerra Canções de Amor).
Seria hipocrisia dizer que, pra mim, dá na mesma. Mas também seria falso afirmar que o fato de terem feito sucesso ou passado batido muda minha relação com as músicas que faço. No momento em que isso acontece ou deixa de acontecer, seja em que disco for, eu já terei convivido com elas por tantas madrugadas que… ah, deixa pra lá! Ninguém pode conhecer as canções tanto quanto eu e ninguém pode surpreender-se com elas tanto quanto eu.
Quando um artista começa a dar importância demasiada aos números que cercam sua obra está cruzando uma linha perigosa. Números são importantes mas contagiosos, podem invadir aspectos da vida que os sábios jamais quantificariam.
Uma canção sobre a qual havia expectativa de sucesso por parte do nosso entorno (Desde Aquele Dia), não "vingou" (na ótica míope da indústria). Outras, em que ninguém acreditava, estouraram. Que bom que não se trata de ciência exata! 

Que bom ter trilhado este caminho sem atalhos, passando por cada uma de suas curvas! Aproveito para mandar um fraterno abraço a Carlos e Augusto, companheiros de viagem em inesquecíveis quilômetros da infinita-enquanto-dura-highway. Gracias! Orgulho máximo de nossa caminhada. Boas vibes pra vocês sempre!
(*)
Sim, meus caros, minhas caras, cá estou, no verão portoalegrense, fazendo demos de músicas que gravei há trinta anos no inverno paulista - e adorando! Esta volta ao estágio mais rudimentar das canções é natural e necessária pois minha intenção na nova tour não é fazer covers de mim mesmo. Vou oferecer ao pessoal que me acompanha hoje o mesmo que ofereci a quem gravou comigo em 87: composições bem pessoais, ideias pouco ortodoxas de arranjo, estranhas linhas de baixo, alguma guitarra, poucos teclados, a voz, intenções, desejos, receios… e vamos ver aonde a vida vai nos levar!
(*)

Na praia onde passávamos os verões da minha infância, havia potentes vagalumes. Tentávamos capturá-los e mantê-los num vidrinho para que vagalumeassem à hora que quiséssemos. Nunca funcionava. A natureza não funciona assim. Melhor deixá-los no ar iluminando quando, como e o que quiserem. E usar os vidrinhos de remédio pra tocar slide guitar.

Dia desses minha mãe conversava com a Adri olhando para o horizonte onde nuvens anunciavam a chegada de uma tormenta de verão. Promessa de alívio imediato para o desconforto do calor. Ali ao lado, absorto em sei lá que pensamentos, só captei uma frase da mãe: “Meu marido gostava de chuva”. Caraca! Senti um conforto enorme, vindo sei lá de onde. Eu também gosto de chuva! Não sabia que meu pai gostava. Passado e presente, presença e ausência, abraçados, girando indistinguíveis enquanto dançam pelo salão.
(*)
Um dos prazeres que uma carreira longeva oferece é assistir ao abraço entre músicas escritas hoje e feitas faz tempo. Vê-las dançando pelo salão é muito legal. Da tour que se encerra, trago belas lembranças do diálogo entre Ando Só e inSULar - um mesmo tema iluminado por dois ângulos diferentes - e do bis onde a inércia de Tudo Esta Parado ganhava movimento e seguia Até o Fim da Infinita Highway.
Entre elas havia uma união musical além da temática, é claro. Talvez muita gente curtisse aquela sem se dar conta desta. Normal, sem problema, minha música está aí pras pessoas se relacionarem com ela como quiserem, é claro. Mas para mim, forma e conteúdo giram indistinguíveis lançando luzes recíprocas uma na outra, numa dança que ilumina o salão.
Outro ponto alto do show Louco Pra Ficar Legal eram as referências aos 30 anos de gravação do Longe Demais das Capitais num set acústico e aos 20 anos do Gessinger Trio no set de teclados. Sem mistificação do passado, um piscar de olhos pros mais chegados que encaixava bem no fluxo do show. Bacana. Acho que, ao lado do programa de rádio de 2013, foram estes dois momentos que semearam na minha mente a ideia de tocar o “disco amarelo”.
(*)
Mas nem só dos discos A Revolta dos Dândis e Desde Aquela Noite viverá a nova tour. Vão rolar músicas de outros álbuns também. A montagem de um show, assim como a composição de uma canção, a partir de certo ponto começa a andar sozinha, surpreendendo mesmo quem deveria estar no comando. Tipo…
… resolvi tocar Faz Parte no arranjo acústico, piano e voz. Ela chamou Vida Real para o seu lado. Esta, por sua vez, pediu que eu explicitasse uma das inspirações do seu refrão (na hora da canção em que eles dizem “baby” eu não soube o que dizer), a saber: a convicção de que Robert Plant – ao lado de Janis Joplin – é o melhor cantor de “babies” de todos os tempos. E mil ideias pintaram. Vindas da mesma matriz que gerou Ando inSULar e Até o Fim da Infinita. Tô curioso pra saber como estas ideias evoluirão e chegarão à estreia da tour. Qual será a rota de voo dos vagalumes?

( alô amigos cariocas e viajantes do som: a partir das 10h desta quarta, os ingresso para a estreia do show Desde Aquele Dia, no Vivo Rio, estarão disponíveis aqui: http://tudus.com.br/vivo-rio-humberto-gessinger )  



É com amor e rigor, força e delicadeza, sonho e precisão que estamos preparando esta nova tour. Espero que vocês curtam tanto quanto tenho curtido tocar as linhas de baixo daquele alemãozinho naive que não fazia a menor ideia do que fazia!
(*)

bah: Perdoem-me se fui prolixo. Culpa da empolgação pelo que vem por aí e da saudade de passar por aqui. Não prometo voltar a escrever semanalmente. Já tem gente demais, falando demais, alto demais, né?  :-) Quem sabe no futuro... Enquanto isso, sigo me expressando através da música.





 Mais um
11jan
na vida de todos nós
;-)
Feliz 2017!
Sem texto hoje, caros leitores. Nos próximos meses, também. Vou dar um tempo nas postagens. Foi um privilégio ter a companhia de vocês nesses quatro anos e meio (foram mais de 3 milhões de visitas!). Mais que números, guardo a vibe super boa que sempre rolou. Valeu!

Estão todos convidados a seguir em contato via
Twitter ( @1bertoGessinger )
Instagram ( 1gessinger

E na estrada, é claro!


beijos e abraços
26abr2016
Sem texto hoje, amigos. Boa semana para todos!

Próximas paradas Pra Ficar Legal.

19abr2016

novidades pra ficar legal


Bah, que dificuldade escrever este post! Não por ser assunto espinhoso, pelo contrário. Estou tão encantado com a sincronia (e sintonia) de afetos, talentos e intuições que tem envolvido meu trabalho que todas as tentativas de texto ficaram muito açucaradas.

Fiquem tranquilos: deletei os excessos e vou direto às infos:

A partir de agora, a Stereophonica está recebendo os pedidos de quem quiser o compacto Louco Pra Ficar Legal em vinil autografado (AQUI). Em breve ele estará em outras lojas, aviso quando souber quais.

Também já é possível assitir ao clipe de Faz Parte (AQUI). Divirtam-se!


um abraço açucarado 
aos parceiros que participam deste projeto
no show, no som, no céu, no chão
no video, na vida, na vibe
13abr2016
Caros leitores: o texto desta semana vai rolar com um considerável atraso: quarta-feira 18h postarei as novidades. Acho que vai valer a espera. Até lá! Abraços.


sem pressa, pra sempre


Animadaço com a recepção à chegada do "single duplo(!)" Louco Pra Ficar Legal às plataformas digitais. Valeu o carinho, meus caros!


São duas canções centrais no repertório da nova tour. Faz Parte caiu como uma luva no set da doubleneck Pra Ficar Legal dá uma movimentada bacana no set dos tecladosEm breve, lançaremos os clipes e o compacto em vinilfiquem ligados.

;-)

Quando recebi a prova impressa da capa do compacto, acostumado aos CDs, achei grande. Imaginem como achei pequenas as capas de CDs quando eles me pegaram acostumado a vida inteira aos LPs. Pois é... o que era permanente, transcendente, de repente eu esqueci!

Lembrei do dia em que Clara, criança pequena, viu pela primeira vez minha coleção de LPs. Acostumada com CDs, ela perguntou o que era aquilo. "Discos", expliquei. E ela: "Que legal, agora os discos vão ser grandões!".

Tudo é relativo? Absolutamente!

:-)

Temos uma estrada bacana pela frente. Entre paradas e corridas, entre uma curva e outra, sigo escrevendo material para o próximo disco de inéditas. De forma mais lenta do que costuma acontecer, mas com a mesma convicção. Sem pressa e pra sempre.

Se a tour inSULar, ao mesmo tempo em que mostrava material novo, marcou meu retorno ao trio plugado (depois de 10 anos em projetos acústicos: Acústico MTVNovos Horizontes e Pouca Vogal) , a Louco Pra Ficar Legal solidifica a proposta do trio com 4 momentos (baixo de 4 cordas, de 6, set acústico com acordeon e teclados) e segue passeando por canções de todas as fases da minha carreira.

Claro que, assim como a sopa de letrinhas dos suportes (LP, CD, K7, etc...), os formatos são só detalhes. Mas, Deus (também) está nos detalhes, né?



abraços
05abr2016

datas e nomes

Sábado, no fim do maravilhoso show em Divinópolis, ao apresentar a banda, mencionei o nascimento da filha do Rafa: "na bateria, fazendo o primeiro show depois da chegada da caçulinha... Alice: Rafa Bisogno".

As reticências no texto correspondem ao pequeno vacilo - pequeno mesmo, imperceptível no ritmo da fala - em relação ao nome do nenê. Natural: junte-se ao cansaço adrenalinado de fim de show o fato de que outros parceiros tiveram filhas recentemente (Duca Leindecker e sua Laura, Luciano Granja e a pequena Estela) e está justificado o double check que fiz mentalmente antes de falar.

Já estávamos (tecnicamente, pelo horário) no domingo de Páscoa. Renascimento, renovação, tudo a ver. Que sejam bem vindas as crianças, que recebam o melhor mundo que pudermos deixar!

Madrugada num quarto de hotel.
Eu sei, não é exatamente o que se espera de um rocker.
=)
O feriado de Páscoa é meu favorito. Gosto do clima de outono, da volta por cima do martírio à ressurreição e dos chocolates (sem querer misturar - mas já misturando - coisas do corpo e do espírito). Foi um ótimo fim de semana.

(*)

Na próxima sexta, serão lançadas (pela Deckdisc nas plataformas digitais) minhas gravações mais recentes: Louco Pra Ficar Legal e Faz Parte.

Em breve chegará o compacto em vinil (a semente de todo o projeto). Pra quem quiser receber autografado, a www.stereophonica.com.br seguirá oferecendo o serviço. Já é uma tradição. Se não me engano, esses autógrafos rolam desde o lançamento do livro Pra Ser Sincero, em 2010. Já assinei milhares de livros e discos e, podem crer, é sempre um prazer.


E Na semana seguinte, voltaremos à estrada.
Renovados, pois todo show é renascimento:

abraços
29mar2016

PoA, ainda e pra sempre.



Noite épica em PoA no sábado que passou! Muita gente ficando legal, que bom. Que ótimo! 

Ao contrário do que pensa quem não é daqui, minha vida nunca foi fácil na cidade. Mas amo ela e a entendo. Ops, tô falando bobagem, afinal, o que é uma cidade senão quem a faz, né? E eu também a faço.

=)

O amor é mesmo assim. Quando a gente acha que é uma palavra, descobre que ele é todo o parágrafo. Quando dá isso por certo, entende que é mais: o livro inteiro. E ainda mais: é o leitor e o escritor. E o que nunca foi escrito mas tá na mente de todos. Sem fim nem limite.

Vale para o AMOR com maiúsculas, pelas grandes causas - abstratas, perdidas ou não - e para o amor pequenininho, pessoal, amorzim.

Aqui em casa, a gente discorda sobre política, sobre Bob Marley e Albinoni, sobre viagens, religião e gastronomia; sobre a quantidade de desodorante sob os braços e de sal na comida; torce pra times diferentes, não concorda sobre a hora de acender a primeira luz da casa quando anoitece e sobre qual é a colcha adequada para a estação. E sofre quando o outro está com o controle remoto da TV mão.

Mas viver sem - ou mesmo longe - não é uma opção. Não tem como. Nisso, tamo junto! E, no fim, isso é o que há.

Ops, delirei no papo... voltando ao show de PoA, o que dizer? Talvez algumas imagens falem:






fotos de
Bruno Trindade Ruiz
No próximo sábado,
os loucos pra ficar legal estarão em Divinópolis.
Acima, imagens de algumas passagens pela cidade.
Bora!

abraços
22mar2016

partiu


Agora, sim! Todos os vagões estão conectados. O trem está pronto para partir rumo à perfeita imperfeição de cada noite, em todas as estradas.


Estão todos convidados a embarcar. Quem sentar à janela poderá olhar melancolicamente para trás ou com esperança para frente - o olhar revela tanto sobre o objeto quanto sobre o observador. É possível, também, fechar a janela e os olhos e simplesmente estar. Ali, no exato momento. Parado em movimento.

by Humberto & Clara

Há sempre um trecho da viagem que se faz sozinho; a primeira ideia, os primeiros traços na ponta do lápis, a primeira palavra na ponta da língua buscando parceiros pra jornada. Aquela silenciosa fração de segundo entre o clique no play e o primeiro acorde. Depois, o que a vida trouxer. Bora!

by Humberto & Messy

Como diriam os locutores de antanho, 
"abrem-se as cortinas do espetáculo":

abs
15mar2016

prontos pra ficar legal


Meus caros: semana especial. 
Sábado, Louco Pra Ficar Legal 
chega ao Rio de Janeiro. 
Com estreia de cenário!

Nos próximos dias (finalmente!) 
darei detalhes sobre o lançamento das canções 
Pra Ficar Legal e Faz Parte
que recentemente gravamos. 
Já adianto que, pela primeira vez na minha carreira, 
lançarei um compacto em vinil, 
formato que tanto fascinava 
o menino que eu era laaaahhh nos anos 70.

Mas a boa de hoje é audiovisual: 
quer saber qual é a da tour 
Louco Pra Ficar Legal ?
Saca só esse video feito 
pelo Daniel Dode e sua gang:


Direção: Daniel Dode
Fotografia: Lucas Cunha
Operador de Segunda Câmera: Alysson Bruno
Som Direto: Pedro Laborne
Maquiagem: Anaiara Vasconcelos
Motion Graphics: Zehh Castro
Montagem: Daniel Dode
Pós-produção: Post Frontier
Colour by Post Frontier


abraços
08mar2016

convergindo pra ficar legal


Acontece com frequência: passo dias pensando sobre algum detalhe de show, canção, texto, capa, etc... e, quando finalmente me decido e mando email definindo alterações para os envolvidos, não demora muito para que me ocorra uma ideia melhor. 

Como se o ato de passar fio dental e escovar os dentes na finaleira do dia despertasse uma enorme vontade de comer mais uma coisinha. Como se desligar o amplificador fizesse soar na mente o acorde certo, mais certo do que aquele que há pouco achávamos perfeito. 

Meus "segundo email" já são folclóricos entre o pessoal que trabalha comigo. Periga eles nem lerem mais o primeiro.

Não acho que a causa seja ansiedade de mandar ideias antes que maturem. Talvez o relaxamento que sucede o envio crie outro estado mental, renovado, propício a visões mais claras. Ok, ok, talvez agora eu tenha descrito minha ansiedade. De trás pra diante.

=)

Nas redes sociais rolam brincadeiras com o "pessoal de humanas", né? Pois minha arte/ofício é pra lá de humana. Tudo depende de outra coisa. Alguém tem que dar o pontapé inicial mesmo não sabendo muito bem de que lado fica o gol. Sob pena de tudo seguir, para sempre, suspenso, dependendo de outra coisa.

=)

Mas não posso reclamar, tem funcionado há mais de 30 anos. As últimas semanas foram pródigas na satisfação de sentir "as coisas" convergindo. Como nos filmes antigos, quando alguém tenta abrir um cofre e, com a orelha colada na porta de metal, ouve o tão esperado clic

Andamos todos atrás desse clic, né? Em qualquer arte/ofício. Humanas ou exatas, em qualquer ciência. 

É bom planejar. Melhor ainda se a vida real mostrar caminhos melhores do que o planejado e tivermos a sabedoria de entender e aceitar.

;-)


a semana em fotos:
Finalizamos, em POA, as gravações dos clipes
de Faz Parte...
... e Louco Pra ficar Legal.
Recebi, da fábrica polonesa Mayones,
meu baixo Caledonious.
Agradeço ao Eduardo Kusdras,
representante da marca no Brasil,
pela lembrança do nome deste baixista
pouco ortodoxo e nada técnico
que vos tecla.
tenhamos todos
um ótimo mês de março!
clic
01mar2016

Convergência


Salve, salve, meus caros! Tenho frequentado pouco o mundo virtual ultimamente porque, na vida real, a concentração tá grande em levantar âncora e estufar as velas da tour Louco Pra Ficar Legal.

Na pré-estreia em Belo Horizonte já mostramos um pouco do repertório. No show do Rio de Janeiro (12mar - Vivo Rio) estrearemos o cenário. Nesse meio tempo, gravamos duas canções (Faz Parte e Pra Ficar Legal) para as quais estamos fazendo videoclipes com imagens captadas na serra gaúcha, em Porto Alegre e no Rio.


Quanto mais fragmenta-se o mundo à minha volta, mais vontade sinto de fazer convergir as várias facetas do meu trabalho: misturar todas as fases da minha carreira, as novidades com os clássicos, os livros com os discos, o cenário com a capa, o clipe com o show com o estúdio... Essa maneira de pensar exige uma "atenção desatenta", fechar os olhos para ver mais longe. Parece complicado, mas é mais fácil fazer do que explicar. Mais fácil ainda é fazer sem pensar.


Tenho tido sorte de encontrar uma galera bacana para andar junto. Gente que trabalha com audio, imagem, produção... E que sabe driblar incertezas tecnológicas e turbulências econômicas focando na própria arte/ofício.


Sorte também de fazer o que me dá prazer (e o que acho que sei fazer bem). Por isso não me sinto no direito de encher o saco de ninguém sobre a melhor maneira de captar o que emito. Se quiserem ouvir só o refrão de uma canção que gravei há décadas, me sinto honrado de fazer parte de suas memórias afetivas. Se quiserem se aprofundar e mergulhar, espero oferecer água corrente. Límpida e com temperatura confortável.


Ah, eu tinha prometido - e ainda tô devendo - mais informações sobre o lançamento desse pacote, né? Tô me controlando pra não falar mais do que devo. Vou avisando aos poucos, conforme forem se aproximando os eventos, ok?

(*)

bah: enquanto isso, seguem os shows das próximas duas semanas:




abraços
23fev2016

Só pra desejar um bom carnaval.


Salve, salve, meus caros! Espero que estejam tendo um ótimo carnaval. No agito ou no sossego, como melhor lhes aprouver!

(*)

Há muito é dito que vivemos na Sociedade do Espetáculo. Com carnaval e Super Bowl, este foi, por excelência, O Fim de Semana do Espetáculo.

Em relação à festa dos gringos, confesso ter sentimentos contraditórios (mixed feelings - pra ficar na língua deles). Às vezes acho legal. Noutras me parece que o show do intervalo deixa o jogo pequeno e o jogo deixa a música pequena e os números hiperbólicos que cercam o evento deixam a vida real pequena. Mas... é um belo circo. Se não faltar pão, que mal tem, né?

Mas... sentar na arquibancada em silêncio, concentrado na expectativa do segundo tempo da final pode ser tão bom quanto... qualquer coisa.  Porque o mundo tá lá fora, mas... também tá aqui dentro.

Ok, eu sei, até avisei: mixed feelings nesse feriado.

(*)

Por aqui, na deserta POA, aproveito esses dias para colocar algumas coisas em ordem. E desordenar outras. O difícil é diferenciar umas das outras. Às vezes, desordem é só nossa incapacidade de reconhecer um padrão e ordem é apenas imobilidade.


Aproveitem na boa o que resta do feriado!
09fev2016

Porto Alegre - Rio - Nepal


No fim de semana que passou, a tour Louco Pra Ficar Legal esteve em Guarapari. Retomando a rotina sem rotina da estrada. O show foi bacana (há muita gente querida no Espírito Santo) e acabou no meio da madrugada. Antes de fazer o check out do hotel e partir para o aeroporto, sobrava apenas aquele par de horas em que dormir só aumenta o cansaço.

Mais um domingo dormindo milhares de quilômetros. A 8.000m de altura, entre pousos, decolagens e escalas. Dizem que há gente na equipe que ronca mais alto do que a turbina do avião, que inadvertidamente encosta a cabeça no ombro de quem está ao lado e - dizem - até deixa escorrer uma baba pelo canto da boca (não me peça para dar nome aos boys).

Na chegada, encontrei POA devastada pelo vendaval de sexta-feira. Um número impressionante de árvores derrubadas (falam em 3.000!). Falta de água e luz nas casas e a triste constatação de que, sempre que o bicho pega, quem tem menos perde mais. Vinda não sei de onde, a esperança de que um chute na porta desses que a natureza dá um dia nos faça cair na real e unir forças acima de tudo que nos divide. Papo ingênuo? Sim, e daí? Não há mesmo saída via malandragem.

(*)

Entrei em casa no meio da tarde, desfiz a mala e fiquei um tempão no modo zumbi até que o sono me vencesse. Acordei na madrugada. 3h19min, informava o celular com um restinho de carga que pouco durou.

( Gosto da escuridão. Quando estou sozinho e a noite chega, retardo o máximo possível o gesto de acender a primeira lâmpada da casa. Só depois de muito bater com a canela nos móveis dou o braço a torcer. )

45% de bateria no laptop e a falta de conexão à www permitiram que eu me concentrasse no trabalho: retoques no setlist, detalhes do cenário, ideias para um clipe e para o disco novo...


... mas o cérebro ficou pregando peças a noite inteira. Assim: eu clicava num link e só depois me lembrava de que não havia conexão por não haver energia elétrica. Aí pensava: então vou ouvir música. Ops! não tem luz! Ah, é mesmo! Então vou ver TV. Não, não tem luz! Sim, claro, que cabeça a minha! Então vou ligar meus teclados e tocar de fone pois é madrugada. Negativo! Não tem energia elétrica. Ah, sim, sim, como fui me esquecer! Mas então vou ao menos ligar o ar condicionado pra ficar mais fresquinha essa escuridão. Nã-nã-nã-nã-nã, não vai não. É, não tem luz, né? Então vou fazer pipoca no microondas. Ops! Tá, então, enquanto a energia não volta, vou clicar nesse link. Putz.

Assim foi até amanhecer e o sono me atropelar novamente: várias lembranças de coisas a fazer de mãos dadas com o esquecimento de que não era possível fazê-las.

(*)

A ausência é um pouco isso, né: uma presença. Afinal, a gente sente a presença de algo (de alguém, de algum momento) que não está ali. Como, nessa noite, a luz que a tormenta apagou. Algo que a gente esquece de esquecer. Pois o que a gente esquece de verdade, nem ausente está.

Ah, essas mudanças de fuso horário! Com esse nó na cabeça, adormeci. Se sonhei, não lembro - nem ausente o sonho está.

02fev2016


Louco Pra Tocar Por Aí:
No show de Porto Alegre
captaremos imagens para um clipe
de Pra Ficar Legal.
Estão todos convidados!

Compacto Simples


Quem leu o Pra Ser Sincero (Ed. Belas Letras, 2010) talvez lembre que tínhamos, na casa da minha infância, um monte de discos. Ganháramos aquele tesouro de um tio. Era uma coleção completamente aleatória pois este tio, por sua vez, ganhara os discos por trabalhar num escritório de arrecadação de direitos autorais. Tinha de tudo ali!

Ninguém, em sã consciência, compraria aqueles e só aqueles discos. Como coleção, não fazia o menor sentido. Mas o caos daquela diversidade foi muito bom para uma criança curiosa e ávida por desbravar o mundo aparentemente infinito dos sons musicais. Prato cheio, saudável mistura.

No início dos 70, lá em casa,
uma eletrola como esssa
fazia a mágica de transformar 
vinil preto em música multicolorida.
Eram, na maioria, LPs (no livro eu cito dois dos meus Long Plays favoritos: Os Incríveis e José Mendes). Mas havia também alguns “compactos”. Não, não se trata de compact discs! Ok, falo de tempos passados, né?, melhor explicar: "compactos simples" eram discos de vinil menores, com uma faixa em cada lado. 

Sem capa específica, vinham num papel genérico da gravadora com um buraco que coincidia com o selo do disco onde se lia nome da música, tempo de duração, ano de produção, intérprete, compositor, editora, etc... 

Antes de serem extintos (na minha vida profissional não convivi com eles), esses pequenos discos se sofisticaram, apareceram os "compactos duplos". Com quatro faixas e capas como as dos LPs, com projeto gráfico relacionado ao conteúdo.


Um compacto duplo maravilhoso da discoteca da minha infância: The Mamas & The Papas! A capa mostrava o quarteto dentro de uma banheira (vestidos, é claro - surrealismo pop, bem anos 60, né?). Três sentados e Michelle Phillips, deitada sobre eles. Linda. Confesso que era um motivo extra-musical pra gostar do disco. California Dreaming abria um ladoMonday Monday, o outro. As outras duas canções, minha memória não guardou. 

Mas o compacto que eu mais ouvia era simples na nomenclatura porém muito sofisticado no conteúdo: Mutantes! Lembro bem das duas músicas: Dois Mil e Um no lado A e Dom Quixote no B.

Dois Mil e Um é uma viagem! Colagem de música caipira com sons progressivos… foda! Muito louco ouvir hoje - quando 2001 já é passado - a confrontação de coisas (então) modernas, universais, com o regionalismo tradicional ("meus sangue é de gasolina" cantam eles num verso, ecoando Marinetti e os futuristas do início do século XX, com caricato sotaque caipira). Letra com sacadas bacanas, arranjo incrível, surrealismo pop, psicodelia e música de raíz manipulados com muito talento. Genial, foda mesmo.

Mas, hey, não é hora nem local pra ficar falando da minha admiração pelos caras. O assunto pintou porque semana passada gravei um compacto simples. Sim, com toda pompa e circunstância! Apesar dos sinais que o ambiente teima em emitir de que nada mais tem significado.

Sinais de que nada significa!?! Estranho, né? Não os levo em consideração pois, se nada faz sentido, há muito que fazer.

Talvez as gravações que fiz não assumam forma física de compacto simples nunca, mas no meu coração sempre será.  Faz Parte e Pra Ficar Legal são as canções. As duas são lado A. Ou lado B. Depende da perspectiva e, sinceramente, tanto faz.

No post da semana que vem explico melhor o que farei com elas e o que elas farão comigo. Enquanto isso...

...boa semana,
meus caros!
26jan2016

bah 01: o selo dos compactos informava mais do que o Spotify informa, né? Dois Mil e Um foi composta por Rita Lee e Tom Zé.

É improvável que te traga lembranças da infância, mas, mesmo assim, vale muito a pena:  
Aproveite.

bah 02: Num show do Sérgio Dias no JazzMania, no Rio, em mil-novecentos-e-Rickenbacker, pedi a ele um autógrafo. Num guardanapo, ele desenhou, no "O" do seu nome, um símbolo hippie. 

Tenho feito o mesmo nos autógrafos que dou. Serpentes mordendo o próprio rabo, ying-yang, o círculo da bandeira do Brasil, o distintivo do Grêmio, os parênteses do Pouca Vogal, etc... fazendo as vezes do "O" do meu nome. 

Ah se aquele alemãzinho que ouviu o compacto até furar soubesse!!!!!!