Quando a Distância não Separabólica - 99


Perda de tempo andar em linha reta. São abstrações; não existem na natureza linhas retas, círculos perfeitos e triângulos equiláteros. Tudo é aproximado, negociação entre querer e poder.

É no zigue-zague da agulha fazendo a linha unir dois panos que se caminha. Até que um dia soe perfeitamente natural quando alguém disser que a distância aproxima.

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Semana passada, num posto de beira de estrada, nas andanças entre shows, depois de muito tempo, voltei a comprar um disco do Gaúcho da Fronteira. Já na primeira faixa fui transportado ao Rio de Janeiro em 1991, a um apartamento na lagoa, ao estranhamento que causavam bombachas numa banda de BRock naquele início de década.

Em meio às curvas e corcoveadas do ônibus pelo pampa, observei o encarte do disco. 9 fotos. em cada uma delas, um sorriso aberto. Provavelmente mais do que sorri em toda minha vida.

Foi a distância que me aproximou desta vertente mais popular da música tradicionalista (Teixeirinha, Gildo de Freitas, Gaúcho da Fronteira). Se eu não estivesse morando no Rio, talvez até regravasse alguma canção gaudéria, mas provavelmente seria algo mais reflexivo e intimista, mais parecido comigo. Fico feliz que a distância tenha trazido perspectiva ao meu olhar. A mistura de ambientes me ensinou muito.

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Sempre me interessei pelo contrabaixo, sua história, seus ícones, a técnica… Esforcei-me para honrar suas, por vezes, contraditórias tradições. Adaptei-o a minhas necessidades, limitações e desejos.

Fiquei 4 anos sem tocá-lo, na estrada com o Pouca Vogal. Passeava pelas frequências graves com a PK5, um teclado que, tocado com os pés, fazia a função do baixo.

Agora, voltei ao baixo num power trio e me surpreendi: sem falsa modéstia, estou tocando melhor do que antes. Apesar do hiato. A limitação das 12 notas da PK5 (só uma oitava... ainda por cima, tocada com os pés enquanto as mãos e a boca se ocupavam de outros sons) me ensinou muito sobre o instrumento e sua função. Mais uma vez, a distância aproximou.

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Às vezes a gente se sente, pra citar aquela ópera, como uma pluma ao vento. Depois de alguns voos divertidos, a subordinação aos caprichos das correntes de ar pode ser um saco! Quando o vento parece estar nos levando na direção contrária aos nossos desejos, é bom lembrar que a distância pode aproximar.
14mai2013

Vâmo! Vâmo! (pr'aonde?) - 98


A cena é recorrente em filmes de guerra: o soldado ferido fica para trás, não consegue acompanhar o pelotão. O comandante vai até ele e, para animá-lo, faz um sermão motivacional que mais parece um esporro do tipo “você é um homem ou um rato?". Coitado do cara, tá todo estropiado e ainda tem que aguentar a mala do chefe!

Há adaptações da cena para vários tipos de filme. Sobre esporte, por exemplo. Basta substituir general e soldado por técnico e atleta. Num filme sobre a busca do estrelato, é só colocar produtor e músico, diretor e ator, etc...

Situações limites da vida real levadas ao limite pela ficção. Cores berrantes demais. Um desequilíbrio na gangorra impressionismo/expressionismo.

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A adrenalina, que corre nas veias para deixar o animal mais esperto num momento de perigo, pode não ser uma boa conselheira a longo prazo.

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Dizem que o lateral direito de um grande time se emocionou tanto na palestra antes do jogo (papo emotivo envolvendo carta dos filhos e fotos da mãe pedindo vitória, com trilha sonora melosa no início e Eye Of The Tiger no fim) que entrou chorando em campo e cometeu um pênalti aos 8 minutos de uma semifinal de Brasileirão.

Com frequência, me sugerem que faça uma canção enaltecendo o clube de futebol para o qual torço. Eu até poderia enfileirar alguns lugares-comuns, fanfarronices do tipo “passar por cima”, numa melodia épica. Mas, pra ser sincero (e minha única chance de escrever boas canções é sendo sincero – não falo isso com orgulho, imagino que seja uma limitação) a canção que eu poderia escrever teria uma andamento lento e diria “estou roendo as unhas no concreto frio da arquibancada, viajando, viajando".

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Fico meio cabreiro com discursos motivacionais. Efeito contrário, eles me deprimem. Assim como canções melancólicas podem animar, fazendo companhia. Às vezes é tudo que se pode: estar disponível, ficar ao lado, ouvir. A não ser que alguém ache mesmo que tem resposta para todos os enigmas do universo, de ataques alienígenas ao achaque do flanelinha da esquina.

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O general (o técnico, o produtor, o diretor) pode preferir esbravejar ou insinuar. O soldado (o jogador, o músico, o ator) pode reagir melhor a gritos ou sussurros. De certo mesmo, só o seguinte: a solução, para todos, está dentro de cada um. Se não estiver ali, não está em lugar nenhum.

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bah: Este foi um texto sobre política.
07mai2013

A Arte dos Pequenos Gestos - 97


COISAS DAS QUAIS EU POUCO ENTENDO
SOBRE AS QUAIS NADA DEVERIA FALAR
PARTE 3 : CHARME

Atletas perfilados para a execução do hino antes do jogo. A câmera passeia pelos rostos. Alguns,  tensos. Outros, aparentemente relaxados. Quase todos focados. Game face.

A maior parte dos jogadores finge ignorar que a câmera os transformará num 3x4 que preencherá telas de TV por todo o planeta. Um deles encara e, com habilidade inigualável, pisca um olho para a câmera. Meu Deus! Se ele jogar com uma fração desta categoria, tá ganha a partida.

Pensei que estivesse extinto este gesto, que seus últimos praticantes fossem boy bands e baliarinas de programa de auditório dos anos 80 ou, mais recentemente, atrizesmanequinsmodelos no lançamento da revista em que estão nuas na capa. Nestes casos, o piscar de olhos é geralmente acompanhado por inclinação de pescoço (como se a figura estivesse sendo enforcada... e adorando a situação) ou um beijo no ar sobre a palma da mão seguido de sopro para que o ósculo, qual pluma ao vento, voe até o coração receptor. Ah, que coisa linda só que não!

Meros iniciantes, amadores... O piscar de olho a que me refiro foi diferente. Feito por um profissional com dom inato para o gesto.

Comentaristas esportivos costumam chamar os pênaltis muito óbvios de "penalidade máxima de concurso". Pois Ribery -era ele!- mandou uma piscada de olho "de concurso". Deveriam usar o video em aulas para celebridades e cursos preparatórios de candidatos a cargo eletivo - não adianta imprimir um manual pois o piscar de olhos é difícil de explicar/entender além de ser infotografável. Depende do movimento.

Parece fácil. Creiam, não é. Há que ter os músculos certos no lugar certo e com a flexibilidade exata para não parecer um tique nervoso, um esgar. Há que ter o ritmo, dar a sensação de que nunca havia passado pela cabeça a ideia de piscar o olho, que foi uma reação espontânea à visão, repentina, dos olhos da pessoa para quem a piscada é direcionada. Muito mais difícil, imagino, executar o gesto para uma câmera de TV - essa abstração que, ao mesmo tempo, não é ninguém e é todo mundo.

Mas Ribery é francês, talvez isso explique sua habilidade. São séculos misturando requinte e grossura - segundo os clichês culturais, franceses fazem os melhores perfumes e carregam pães sob a axila suada, né?

Antes de ser expurgado por bagaceirice, o gesto - majoritariamente masculino - de piscar o olho teve seu auge em tempos pré-www, em situações que exigiam rapidez na criação de um vínculo (uma garota que está lá fora, na parada de ônibus, enquanto o cara tá sentado na janela - uma pedestre que passa pelo pedreiro que constrói um muro e… ok, ok, talvez pedreiros tenham a tradição de serem bem mais explícitos do que um singelo piscar de olhos na sua admiração ao sexo oposto, geralmente usando palavras nada sutis).

É consenso que os tempos digitais são ralos, superficiais. Talvez não sejam tanto nem para tudo. As redes socias, por exemplo, onde as pessoas escancaram suas vidas - nem sempre de forma real, muitas vezes de forma editada - fazem um piscar de olho parecer muito pouco. Comparado ao excesso de informação de um perfil digital, a informação cifrada de um piscar de olho parece coisa de iniciados.

Mais uma arte que se foi para sempre. Talvez Ribery seja seu último guardião.
um abraço
sem piscar de olho
pois não faço bem
30abr2013

Hora do Mergulho - 96

Pela primeira vez, a virada de segunda para terça chegou sem que eu tivesse escrito algo com antecedência, com início meio e fim (não necessariamente nessa ordem). O tempo, esse brincalhão, parece saber quando estamos na correria e, só de sacanagem, também apressa o passo. Anda maís rápido quando a gente mais precisaria fazê-lo render. 

Não me faltaram ideias nem vontade de desenvolvê-las, mas ah, cadê foco? E tempo? Do tempo, já falei - o danado parece esconder-se de propósito.

Para mentes 100% racionais que não param de ligar causa e efeito, tudo tem uma explicação, conhecida ou não. Não me incluo neste time, mas arrisco uma explicação para o vacilo deste texto vacilante: o disco que estou finalizando. 

Parece bobagem, né? Mas o danado do INSULAR tem drenado minhas energias, o que deixa  este capricorniano muito mais feliz do que cansado. Todo o resto perde força quando a gente tá concentrado em materializar algo que sonhou. Eu, pelo menos, sou assim com minha música. O sono, o jogo de tênis, o coffe break, tudo mais fica suspenso até que as ideias e emoções ligadas  ao disco dêem uma folga.

Já conversei a respeito com colegas que agem de maneira oposta: em vez de mergulhar (pra dentro, se tal é possível), abrem-se ao mundo quando estão compondo e gravando. Gostam de ouvir várias opiniões e de se inteirar sobre o que está acontecendo por aí. Eu, nem pro pessoal de  casa mostro o material antes de estar muito próximo de pronto. São dois caminhos igualmente válidos, apesar de opostos. Talvez o deles seja melhor para quem quer evitar erros e o meu seja melhor para quem quer acertar - sem esquecer que, quando se fala de arte, é uma questão sempre indefinida o que seja erro e acerto.

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Nas gravações d'O PAPA É POP, recebi a visita de um grande músico que gravava no estúdio ao lado. Conversa vai, conversa vem, notei que ele olhava com estranheza para as paredes onde eu havia colado várias fotos e posters (eram tempos pré-interntet onde nosso imaginário visual era todo de papel). O olhar do colega se fixou num canto da parede onde eu havia colocado a ordem das músicas do disco e um cronograma de gravações. Não demorou para que ele ficasse zoando do meu excesso de zelo. Tinha razão, o companheiro. Mas não toda.

Respondi às ironias dizendo que sabia de cor e até acreditava em todo o blah blah blah sobre espontaneidade (no fim das contas, esta é a nossa matéria-prima: sensibilidade, sim; burocracia, não). Mas contra-ataquei argumentando que disciplina é liberdade. Há quem confunda espontaneidade com preguiça de pensar um palmo adiante. Apesar dos meus gráficos e cronogramas, era eu que virava noites e emendava dias ao sabor da inspiração enquanto ele, pretensamente livre, gravava em horário comercial com pausa todo dia à mesma hora para um lanche.

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No voo que nos trouxe de volta das gravações do SIMPLES DE CORAÇÃO, enquanto todos rememoravam experiências de Los Angeles - jogos de beisebol, lojas, restaurantes, table dancing... - eu só conseguia lembrar de ter chorado escondido no estúdio vazio ao ouvir a primeira mix de  Hora do Mergulho. Poderia ter gravado o disco em Marte e a lembrança seria a mesma.

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É na reta final que as coisas ficam mais delicadas. A tinta prestes a secar. A argila solidificando. Entre infinitas possibilidades, é hora de escolher uma mixagem que ficará "oficializada" e será ouvida um monte de vezes por um monte de gente. Mesmo que saibamos que as músicas são seres vivos, em permanente mutação. Nenhuma versão é final.

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Em 19 discos e 4 livros (e já não sei mais quantas canções) aprendi algumas coisinhas sobre o (meu) processo criativo. Já sei que sempre pinta uma reviravolta no caminho. E não adianta  tentar prever, pois aí não seria reviravolta, né?

Parece repentina mas são sementes que germinaram lentamente no inconsciente enquanto outro canteiro era regado. Só esperavam a hora certa para tomar conta do jardim. Sempre pinta viração. Às vezes sutil - uma  brisa trazendo aromas de outros outonos - às vezes vendaval radical.

Esta semana, entre outras coisas, pintou uma música nova que abrirá o disco e gravei sons de um rebanho de bezerros recém desmamados. Não, senhores, não se trata de um disco sertanejo, é que o som dos bichos nesta situação é blues pra caramba!

Acho que isso explica a falta de tempo/foco para um texto com início meio e fim. Então, ficam essas linhas mais como um pedido de desculpas a quem chegou até aqui (no texto). E um agradecimento (a quem passou por todas as postagens): fiquei sabendo que, semana passada, esta nossa esquina na www ultrapassou um milhão de visitas.

Sinceramente não sei o que significa este número. Imagino que não seja algo para se pavonear no mundo corporativo (nos blogs de grandes portais, vinculados a canais da midia tradicional, jornais, rádios, TVs…) ou nos blogs de temas polêmicos (futebol, política). Mas aqui, no nosso cantinho, acho significativo chegar à mística dos 7 dígitos.

Quem diria!?! Sempre escrevo pensando em uma pessoa só. Sem saber quem ela é.



última edição do Guiness Book
corações a mais de 1000
?e eu com esses números?

5 extinções em massa
400 humanidades
?e eu com esses números?

solidão a 2... dívida externa... anos luz
aos 33 Jesus na cruz
Cabral no mar aos 33
e eu
?o que faço com estes números?

mega ultra híper micro baixas calorias
kilowatts... gigabytes

traço de audiência
tração nas 4 rodas
e eu
?o que  faço com estes números?

7 vidas, mais de 1.000 destinos
todos foram tão cretinos
quando elas se beijaram

a medida de amar é amar sem medida
preparar a decolagem
contagem regressiva
a medida de amar é amar sem medida

Valeu a companhia! 
23abr2013

Profecias Autorrealizáveis - 95


Toda gravação envolve períodos de ociosidade, um monte de minutos no estúdio esperando ajustes no equipamento. Terrreno fértil para o surgimento de excelentes piadistas, imitadores, e contadores de causo entre músicos técnicos e produtores.

Gláucio Ayala é um exímio imitador. Alexandre Master faz comentários hilários (não é a toa que Hilário é seu segundo nome). Rafa Bisogno, apesar da pequena amostragem, parece ser do ramo, na vertente gaudéria. Cássio Araújo, meu roadie nos anos Steinberger, detonava meus ídolos - de Neil Young a Roger Waters - com tiradas ácidas e engraçadas. Adal e Luciano formam uma dupla tipo Beavis & Butt-Head, Cheech & Chong.

Carlos Maltz, com seu jeito rústico/sofisticado, é engraçadíssimo. Licks tinha um humor contido mas eficiente. O dia em que mais ri na minha vida foi quando, em meio às gravações do clipe de Exército de Um Homem Só, começamos a imitar manchetes de jornais portoalegrenses, precedendo em mais de 20 anos as sátiras d'O Bairrista. A gravação de um clipe costuma ser mais demorada e incomparavelmente mais chata do que a gravação de uma música, mas neste dia ri tanto que me doíam as bochechas na hora de dublar.

O melhor de todos estes comediantes informais que conheci foi Maluly, produtor do OUÇA O QUE EU DIGO: NÃO OUÇA NINGUÉM. Ele chega ao requinte de nos fazer rir mesmo com piadas que já conhecemos.  Uma prova irritante de quão bem ele sabe contá-las é que, depois de rir muito delas, eu conto para outras pessoas e nunca surtem o mesmo efeito. 

Se não consigo fazer as anedotas do Maluly funcionarem oralmente, seria maior o fracasso se eu tentasse escrever aqui uma delas. Mesmo assim, vou contar uma. Não pelo riso, que provavelmente não provocarei; mais pela sacada que ela traz embutida. Já não era nova em 88 quando gravamos o OUÇA O QUE EU DIGO: NÃO OUÇA NINGUÉM (tempos anteriores ao telefone celular), mas aí vai:

Um cara está dirigindo numa estrada deserta quando fura o pneu do carro. Abre o porta-malas e descobre que o estepe também está furado. Não passa nenhum carro na meia hora em que ele já está ali. Resolve caminhar até uma luz, lá longe, que ele presume ser uma casa, na esperança de que haja um telefone lá. Praguejando contra a má sorte, ele se põe a andar.

Enquanto caminha, pinta quadros sombrios na imaginação: e se não for uma casa? E se não tiver ninguém lá? E se o cara não tiver telefone? E se o cara tiver telefone mas não me deixar usar? Putz, tô ferrado!

Segue andando por uma hora, com a cabeça sempre naquela mesma vibe, sempre esperando o pior. Chegando à casa, ao passar pelo portão, ainda pensa: que saco, garanto que o cara vai reclamar que estou importunando! Que merda, se o cara não me deixar usar o telefone é um babaca!

Toca a campainha ainda ruminando: Que humilhação ter que pedir favor a um babaca!

Uma senhora idosa abre a porta com um sorriso bondoso e receptivo e... antes mesmo de dizer oi, ele dispara: pega este telefone e enfia no @#, babaca !!!

É uma bela definição de "profecia autorrealizável”, né? Todas são um pouco assim: constroem o futuro que fingem prever.
abraço
16abr2013

OUÇA O QUE EU DIGO
NÃO OUÇA NINGUÉM
Gigantinho, POA
20maio1989