Sem texto hoje, caros leitores. Nos próximos meses, também. Vou dar um tempo nas postagens. Foi um privilégio ter a companhia de vocês nesses quatro anos e meio (foram mais de 3 milhões de visitas!). Mais que números, guardo a vibe super boa que sempre rolou. Valeu!

Estão todos convidados a seguir em contato via
Twitter ( @1bertoGessinger )
Instagram ( 1gessinger

E na estrada, é claro!


beijos e abraços
26abr2016
Sem texto hoje, amigos. Boa semana para todos!

Próximas paradas Pra Ficar Legal.

19abr2016

novidades pra ficar legal


Bah, que dificuldade escrever este post! Não por ser assunto espinhoso, pelo contrário. Estou tão encantado com a sincronia (e sintonia) de afetos, talentos e intuições que tem envolvido meu trabalho que todas as tentativas de texto ficaram muito açucaradas.

Fiquem tranquilos: deletei os excessos e vou direto às infos:

A partir de agora, a Stereophonica está recebendo os pedidos de quem quiser o compacto Louco Pra Ficar Legal em vinil autografado (AQUI). Em breve ele estará em outras lojas, aviso quando souber quais.

Também já é possível assitir ao clipe de Faz Parte (AQUI). Divirtam-se!


um abraço açucarado 
aos parceiros que participam deste projeto
no show, no som, no céu, no chão
no video, na vida, na vibe
13abr2016
Caros leitores: o texto desta semana vai rolar com um considerável atraso: quarta-feira 18h postarei as novidades. Acho que vai valer a espera. Até lá! Abraços.


sem pressa, pra sempre


Animadaço com a recepção à chegada do "single duplo(!)" Louco Pra Ficar Legal às plataformas digitais. Valeu o carinho, meus caros!


São duas canções centrais no repertório da nova tour. Faz Parte caiu como uma luva no set da doubleneck Pra Ficar Legal dá uma movimentada bacana no set dos tecladosEm breve, lançaremos os clipes e o compacto em vinilfiquem ligados.

;-)

Quando recebi a prova impressa da capa do compacto, acostumado aos CDs, achei grande. Imaginem como achei pequenas as capas de CDs quando eles me pegaram acostumado a vida inteira aos LPs. Pois é... o que era permanente, transcendente, de repente eu esqueci!

Lembrei do dia em que Clara, criança pequena, viu pela primeira vez minha coleção de LPs. Acostumada com CDs, ela perguntou o que era aquilo. "Discos", expliquei. E ela: "Que legal, agora os discos vão ser grandões!".

Tudo é relativo? Absolutamente!

:-)

Temos uma estrada bacana pela frente. Entre paradas e corridas, entre uma curva e outra, sigo escrevendo material para o próximo disco de inéditas. De forma mais lenta do que costuma acontecer, mas com a mesma convicção. Sem pressa e pra sempre.

Se a tour inSULar, ao mesmo tempo em que mostrava material novo, marcou meu retorno ao trio plugado (depois de 10 anos em projetos acústicos: Acústico MTVNovos Horizontes e Pouca Vogal) , a Louco Pra Ficar Legal solidifica a proposta do trio com 4 momentos (baixo de 4 cordas, de 6, set acústico com acordeon e teclados) e segue passeando por canções de todas as fases da minha carreira.

Claro que, assim como a sopa de letrinhas dos suportes (LP, CD, K7, etc...), os formatos são só detalhes. Mas, Deus (também) está nos detalhes, né?



abraços
05abr2016

datas e nomes

Sábado, no fim do maravilhoso show em Divinópolis, ao apresentar a banda, mencionei o nascimento da filha do Rafa: "na bateria, fazendo o primeiro show depois da chegada da caçulinha... Alice: Rafa Bisogno".

As reticências no texto correspondem ao pequeno vacilo - pequeno mesmo, imperceptível no ritmo da fala - em relação ao nome do nenê. Natural: junte-se ao cansaço adrenalinado de fim de show o fato de que outros parceiros tiveram filhas recentemente (Duca Leindecker e sua Laura, Luciano Granja e a pequena Estela) e está justificado o double check que fiz mentalmente antes de falar.

Já estávamos (tecnicamente, pelo horário) no domingo de Páscoa. Renascimento, renovação, tudo a ver. Que sejam bem vindas as crianças, que recebam o melhor mundo que pudermos deixar!

Madrugada num quarto de hotel.
Eu sei, não é exatamente o que se espera de um rocker.
=)
O feriado de Páscoa é meu favorito. Gosto do clima de outono, da volta por cima do martírio à ressurreição e dos chocolates (sem querer misturar - mas já misturando - coisas do corpo e do espírito). Foi um ótimo fim de semana.

(*)

Na próxima sexta, serão lançadas (pela Deckdisc nas plataformas digitais) minhas gravações mais recentes: Louco Pra Ficar Legal e Faz Parte.

Em breve chegará o compacto em vinil (a semente de todo o projeto). Pra quem quiser receber autografado, a www.stereophonica.com.br seguirá oferecendo o serviço. Já é uma tradição. Se não me engano, esses autógrafos rolam desde o lançamento do livro Pra Ser Sincero, em 2010. Já assinei milhares de livros e discos e, podem crer, é sempre um prazer.


E Na semana seguinte, voltaremos à estrada.
Renovados, pois todo show é renascimento:

abraços
29mar2016

PoA, ainda e pra sempre.



Noite épica em PoA no sábado que passou! Muita gente ficando legal, que bom. Que ótimo! 

Ao contrário do que pensa quem não é daqui, minha vida nunca foi fácil na cidade. Mas amo ela e a entendo. Ops, tô falando bobagem, afinal, o que é uma cidade senão quem a faz, né? E eu também a faço.

=)

O amor é mesmo assim. Quando a gente acha que é uma palavra, descobre que ele é todo o parágrafo. Quando dá isso por certo, entende que é mais: o livro inteiro. E ainda mais: é o leitor e o escritor. E o que nunca foi escrito mas tá na mente de todos. Sem fim nem limite.

Vale para o AMOR com maiúsculas, pelas grandes causas - abstratas, perdidas ou não - e para o amor pequenininho, pessoal, amorzim.

Aqui em casa, a gente discorda sobre política, sobre Bob Marley e Albinoni, sobre viagens, religião e gastronomia; sobre a quantidade de desodorante sob os braços e de sal na comida; torce pra times diferentes, não concorda sobre a hora de acender a primeira luz da casa quando anoitece e sobre qual é a colcha adequada para a estação. E sofre quando o outro está com o controle remoto da TV mão.

Mas viver sem - ou mesmo longe - não é uma opção. Não tem como. Nisso, tamo junto! E, no fim, isso é o que há.

Ops, delirei no papo... voltando ao show de PoA, o que dizer? Talvez algumas imagens falem:






fotos de
Bruno Trindade Ruiz
No próximo sábado,
os loucos pra ficar legal estarão em Divinópolis.
Acima, imagens de algumas passagens pela cidade.
Bora!

abraços
22mar2016

partiu


Agora, sim! Todos os vagões estão conectados. O trem está pronto para partir rumo à perfeita imperfeição de cada noite, em todas as estradas.


Estão todos convidados a embarcar. Quem sentar à janela poderá olhar melancolicamente para trás ou com esperança para frente - o olhar revela tanto sobre o objeto quanto sobre o observador. É possível, também, fechar a janela e os olhos e simplesmente estar. Ali, no exato momento. Parado em movimento.

by Humberto & Clara

Há sempre um trecho da viagem que se faz sozinho; a primeira ideia, os primeiros traços na ponta do lápis, a primeira palavra na ponta da língua buscando parceiros pra jornada. Aquela silenciosa fração de segundo entre o clique no play e o primeiro acorde. Depois, o que a vida trouxer. Bora!

by Humberto & Messy

Como diriam os locutores de antanho, 
"abrem-se as cortinas do espetáculo":

abs
15mar2016

prontos pra ficar legal


Meus caros: semana especial. 
Sábado, Louco Pra Ficar Legal 
chega ao Rio de Janeiro. 
Com estreia de cenário!

Nos próximos dias (finalmente!) 
darei detalhes sobre o lançamento das canções 
Pra Ficar Legal e Faz Parte
que recentemente gravamos. 
Já adianto que, pela primeira vez na minha carreira, 
lançarei um compacto em vinil, 
formato que tanto fascinava 
o menino que eu era laaaahhh nos anos 70.

Mas a boa de hoje é audiovisual: 
quer saber qual é a da tour 
Louco Pra Ficar Legal ?
Saca só esse video feito 
pelo Daniel Dode e sua gang:


Direção: Daniel Dode
Fotografia: Lucas Cunha
Operador de Segunda Câmera: Alysson Bruno
Som Direto: Pedro Laborne
Maquiagem: Anaiara Vasconcelos
Motion Graphics: Zehh Castro
Montagem: Daniel Dode
Pós-produção: Post Frontier
Colour by Post Frontier


abraços
08mar2016

convergindo pra ficar legal


Acontece com frequência: passo dias pensando sobre algum detalhe de show, canção, texto, capa, etc... e, quando finalmente me decido e mando email definindo alterações para os envolvidos, não demora muito para que me ocorra uma ideia melhor. 

Como se o ato de passar fio dental e escovar os dentes na finaleira do dia despertasse uma enorme vontade de comer mais uma coisinha. Como se desligar o amplificador fizesse soar na mente o acorde certo, mais certo do que aquele que há pouco achávamos perfeito. 

Meus "segundo email" já são folclóricos entre o pessoal que trabalha comigo. Periga eles nem lerem mais o primeiro.

Não acho que a causa seja ansiedade de mandar ideias antes que maturem. Talvez o relaxamento que sucede o envio crie outro estado mental, renovado, propício a visões mais claras. Ok, ok, talvez agora eu tenha descrito minha ansiedade. De trás pra diante.

=)

Nas redes sociais rolam brincadeiras com o "pessoal de humanas", né? Pois minha arte/ofício é pra lá de humana. Tudo depende de outra coisa. Alguém tem que dar o pontapé inicial mesmo não sabendo muito bem de que lado fica o gol. Sob pena de tudo seguir, para sempre, suspenso, dependendo de outra coisa.

=)

Mas não posso reclamar, tem funcionado há mais de 30 anos. As últimas semanas foram pródigas na satisfação de sentir "as coisas" convergindo. Como nos filmes antigos, quando alguém tenta abrir um cofre e, com a orelha colada na porta de metal, ouve o tão esperado clic

Andamos todos atrás desse clic, né? Em qualquer arte/ofício. Humanas ou exatas, em qualquer ciência. 

É bom planejar. Melhor ainda se a vida real mostrar caminhos melhores do que o planejado e tivermos a sabedoria de entender e aceitar.

;-)


a semana em fotos:
Finalizamos, em POA, as gravações dos clipes
de Faz Parte...
... e Louco Pra ficar Legal.
Recebi, da fábrica polonesa Mayones,
meu baixo Caledonious.
Agradeço ao Eduardo Kusdras,
representante da marca no Brasil,
pela lembrança do nome deste baixista
pouco ortodoxo e nada técnico
que vos tecla.
tenhamos todos
um ótimo mês de março!
clic
01mar2016

Convergência


Salve, salve, meus caros! Tenho frequentado pouco o mundo virtual ultimamente porque, na vida real, a concentração tá grande em levantar âncora e estufar as velas da tour Louco Pra Ficar Legal.

Na pré-estreia em Belo Horizonte já mostramos um pouco do repertório. No show do Rio de Janeiro (12mar - Vivo Rio) estrearemos o cenário. Nesse meio tempo, gravamos duas canções (Faz Parte e Pra Ficar Legal) para as quais estamos fazendo videoclipes com imagens captadas na serra gaúcha, em Porto Alegre e no Rio.


Quanto mais fragmenta-se o mundo à minha volta, mais vontade sinto de fazer convergir as várias facetas do meu trabalho: misturar todas as fases da minha carreira, as novidades com os clássicos, os livros com os discos, o cenário com a capa, o clipe com o show com o estúdio... Essa maneira de pensar exige uma "atenção desatenta", fechar os olhos para ver mais longe. Parece complicado, mas é mais fácil fazer do que explicar. Mais fácil ainda é fazer sem pensar.


Tenho tido sorte de encontrar uma galera bacana para andar junto. Gente que trabalha com audio, imagem, produção... E que sabe driblar incertezas tecnológicas e turbulências econômicas focando na própria arte/ofício.


Sorte também de fazer o que me dá prazer (e o que acho que sei fazer bem). Por isso não me sinto no direito de encher o saco de ninguém sobre a melhor maneira de captar o que emito. Se quiserem ouvir só o refrão de uma canção que gravei há décadas, me sinto honrado de fazer parte de suas memórias afetivas. Se quiserem se aprofundar e mergulhar, espero oferecer água corrente. Límpida e com temperatura confortável.


Ah, eu tinha prometido - e ainda tô devendo - mais informações sobre o lançamento desse pacote, né? Tô me controlando pra não falar mais do que devo. Vou avisando aos poucos, conforme forem se aproximando os eventos, ok?

(*)

bah: enquanto isso, seguem os shows das próximas duas semanas:




abraços
23fev2016

Só pra desejar um bom carnaval.


Salve, salve, meus caros! Espero que estejam tendo um ótimo carnaval. No agito ou no sossego, como melhor lhes aprouver!

(*)

Há muito é dito que vivemos na Sociedade do Espetáculo. Com carnaval e Super Bowl, este foi, por excelência, O Fim de Semana do Espetáculo.

Em relação à festa dos gringos, confesso ter sentimentos contraditórios (mixed feelings - pra ficar na língua deles). Às vezes acho legal. Noutras me parece que o show do intervalo deixa o jogo pequeno e o jogo deixa a música pequena e os números hiperbólicos que cercam o evento deixam a vida real pequena. Mas... é um belo circo. Se não faltar pão, que mal tem, né?

Mas... sentar na arquibancada em silêncio, concentrado na expectativa do segundo tempo da final pode ser tão bom quanto... qualquer coisa.  Porque o mundo tá lá fora, mas... também tá aqui dentro.

Ok, eu sei, até avisei: mixed feelings nesse feriado.

(*)

Por aqui, na deserta POA, aproveito esses dias para colocar algumas coisas em ordem. E desordenar outras. O difícil é diferenciar umas das outras. Às vezes, desordem é só nossa incapacidade de reconhecer um padrão e ordem é apenas imobilidade.


Aproveitem na boa o que resta do feriado!
09fev2016

Porto Alegre - Rio - Nepal


No fim de semana que passou, a tour Louco Pra Ficar Legal esteve em Guarapari. Retomando a rotina sem rotina da estrada. O show foi bacana (há muita gente querida no Espírito Santo) e acabou no meio da madrugada. Antes de fazer o check out do hotel e partir para o aeroporto, sobrava apenas aquele par de horas em que dormir só aumenta o cansaço.

Mais um domingo dormindo milhares de quilômetros. A 8.000m de altura, entre pousos, decolagens e escalas. Dizem que há gente na equipe que ronca mais alto do que a turbina do avião, que inadvertidamente encosta a cabeça no ombro de quem está ao lado e - dizem - até deixa escorrer uma baba pelo canto da boca (não me peça para dar nome aos boys).

Na chegada, encontrei POA devastada pelo vendaval de sexta-feira. Um número impressionante de árvores derrubadas (falam em 3.000!). Falta de água e luz nas casas e a triste constatação de que, sempre que o bicho pega, quem tem menos perde mais. Vinda não sei de onde, a esperança de que um chute na porta desses que a natureza dá um dia nos faça cair na real e unir forças acima de tudo que nos divide. Papo ingênuo? Sim, e daí? Não há mesmo saída via malandragem.

(*)

Entrei em casa no meio da tarde, desfiz a mala e fiquei um tempão no modo zumbi até que o sono me vencesse. Acordei na madrugada. 3h19min, informava o celular com um restinho de carga que pouco durou.

( Gosto da escuridão. Quando estou sozinho e a noite chega, retardo o máximo possível o gesto de acender a primeira lâmpada da casa. Só depois de muito bater com a canela nos móveis dou o braço a torcer. )

45% de bateria no laptop e a falta de conexão à www permitiram que eu me concentrasse no trabalho: retoques no setlist, detalhes do cenário, ideias para um clipe e para o disco novo...


... mas o cérebro ficou pregando peças a noite inteira. Assim: eu clicava num link e só depois me lembrava de que não havia conexão por não haver energia elétrica. Aí pensava: então vou ouvir música. Ops! não tem luz! Ah, é mesmo! Então vou ver TV. Não, não tem luz! Sim, claro, que cabeça a minha! Então vou ligar meus teclados e tocar de fone pois é madrugada. Negativo! Não tem energia elétrica. Ah, sim, sim, como fui me esquecer! Mas então vou ao menos ligar o ar condicionado pra ficar mais fresquinha essa escuridão. Nã-nã-nã-nã-nã, não vai não. É, não tem luz, né? Então vou fazer pipoca no microondas. Ops! Tá, então, enquanto a energia não volta, vou clicar nesse link. Putz.

Assim foi até amanhecer e o sono me atropelar novamente: várias lembranças de coisas a fazer de mãos dadas com o esquecimento de que não era possível fazê-las.

(*)

A ausência é um pouco isso, né: uma presença. Afinal, a gente sente a presença de algo (de alguém, de algum momento) que não está ali. Como, nessa noite, a luz que a tormenta apagou. Algo que a gente esquece de esquecer. Pois o que a gente esquece de verdade, nem ausente está.

Ah, essas mudanças de fuso horário! Com esse nó na cabeça, adormeci. Se sonhei, não lembro - nem ausente o sonho está.

02fev2016


Louco Pra Tocar Por Aí:
No show de Porto Alegre
captaremos imagens para um clipe
de Pra Ficar Legal.
Estão todos convidados!

Compacto Simples


Quem leu o Pra Ser Sincero (Ed. Belas Letras, 2010) talvez lembre que tínhamos, na casa da minha infância, um monte de discos. Ganháramos aquele tesouro de um tio. Era uma coleção completamente aleatória pois este tio, por sua vez, ganhara os discos por trabalhar num escritório de arrecadação de direitos autorais. Tinha de tudo ali!

Ninguém, em sã consciência, compraria aqueles e só aqueles discos. Como coleção, não fazia o menor sentido. Mas o caos daquela diversidade foi muito bom para uma criança curiosa e ávida por desbravar o mundo aparentemente infinito dos sons musicais. Prato cheio, saudável mistura.

No início dos 70, lá em casa,
uma eletrola como esssa
fazia a mágica de transformar 
vinil preto em música multicolorida.
Eram, na maioria, LPs (no livro eu cito dois dos meus Long Plays favoritos: Os Incríveis e José Mendes). Mas havia também alguns “compactos”. Não, não se trata de compact discs! Ok, falo de tempos passados, né?, melhor explicar: "compactos simples" eram discos de vinil menores, com uma faixa em cada lado. 

Sem capa específica, vinham num papel genérico da gravadora com um buraco que coincidia com o selo do disco onde se lia nome da música, tempo de duração, ano de produção, intérprete, compositor, editora, etc... 

Antes de serem extintos (na minha vida profissional não convivi com eles), esses pequenos discos se sofisticaram, apareceram os "compactos duplos". Com quatro faixas e capas como as dos LPs, com projeto gráfico relacionado ao conteúdo.


Um compacto duplo maravilhoso da discoteca da minha infância: The Mamas & The Papas! A capa mostrava o quarteto dentro de uma banheira (vestidos, é claro - surrealismo pop, bem anos 60, né?). Três sentados e Michelle Phillips, deitada sobre eles. Linda. Confesso que era um motivo extra-musical pra gostar do disco. California Dreaming abria um ladoMonday Monday, o outro. As outras duas canções, minha memória não guardou. 

Mas o compacto que eu mais ouvia era simples na nomenclatura porém muito sofisticado no conteúdo: Mutantes! Lembro bem das duas músicas: Dois Mil e Um no lado A e Dom Quixote no B.

Dois Mil e Um é uma viagem! Colagem de música caipira com sons progressivos… foda! Muito louco ouvir hoje - quando 2001 já é passado - a confrontação de coisas (então) modernas, universais, com o regionalismo tradicional ("meus sangue é de gasolina" cantam eles num verso, ecoando Marinetti e os futuristas do início do século XX, com caricato sotaque caipira). Letra com sacadas bacanas, arranjo incrível, surrealismo pop, psicodelia e música de raíz manipulados com muito talento. Genial, foda mesmo.

Mas, hey, não é hora nem local pra ficar falando da minha admiração pelos caras. O assunto pintou porque semana passada gravei um compacto simples. Sim, com toda pompa e circunstância! Apesar dos sinais que o ambiente teima em emitir de que nada mais tem significado.

Sinais de que nada significa!?! Estranho, né? Não os levo em consideração pois, se nada faz sentido, há muito que fazer.

Talvez as gravações que fiz não assumam forma física de compacto simples nunca, mas no meu coração sempre será.  Faz Parte e Pra Ficar Legal são as canções. As duas são lado A. Ou lado B. Depende da perspectiva e, sinceramente, tanto faz.

No post da semana que vem explico melhor o que farei com elas e o que elas farão comigo. Enquanto isso...

...boa semana,
meus caros!
26jan2016

bah 01: o selo dos compactos informava mais do que o Spotify informa, né? Dois Mil e Um foi composta por Rita Lee e Tom Zé.

É improvável que te traga lembranças da infância, mas, mesmo assim, vale muito a pena:  
Aproveite.

bah 02: Num show do Sérgio Dias no JazzMania, no Rio, em mil-novecentos-e-Rickenbacker, pedi a ele um autógrafo. Num guardanapo, ele desenhou, no "O" do seu nome, um símbolo hippie. 

Tenho feito o mesmo nos autógrafos que dou. Serpentes mordendo o próprio rabo, ying-yang, o círculo da bandeira do Brasil, o distintivo do Grêmio, os parênteses do Pouca Vogal, etc... fazendo as vezes do "O" do meu nome. 

Ah se aquele alemãzinho que ouviu o compacto até furar soubesse!!!!!!

Game, Set & Match


Saquei bem, deslocando o adversário para fora da quadra, e fui à rede finalizar o ponto. O cara tentou me encobrir no contrapé. Saltei pra trás e cravei um smash no lado oposto

Ah, foi um baita ponto! Sem comemoração, afinal sou discípulo de Bjorn Borg. Na real, minha simulação da frieza do Iceborg só rola nos dois primeiros e nos dois últimos minutos do jogo. Antes do sangue ferver e depois do cansaço bater. Mas estávamos mesmo no fim do treino. 

O impacto da bola bem no centro das cordas (ah, o sweet spot!) fez um lindo som. Um power chord digno de Ritchie Blackmore. Finalizado o golpe, assumi aquela pose blasé de quem está acostumado com belos lances (faaaaalso!) e olhei pro relógio na parede da quadra. Retirando a bandana da cabeça e caminhando em direção à garrafa d'água, falei pro parceiro de jogo: "tá bom pra mim".

Melancólico, nunca fui bom competidor. Há vários anos não contávamos mais os games. Nesse sentido,  jogávamos um tênis frescobolizado. O adversário não estava do outro lado da rede: estava dentro do nosso próprio uniforme. Mais precisamente, entre as orelhas, envolto por uma bandana. Mind Games, cantaria o Beatle cabeção.

O barato de toda aquela correria e suador era o aperfeiçoamento em si. Mais do que fazer um número maior de pontos do que o adversário, buscar a melhor performance pessoal em cada ponto era o objetivo. Como se cada passo da caminhada fosse mais importante do que a chegada.

Sim, foi um baita ponto! E eu não imaginava que seria o último. Na semana posterior, não pude jogar por um motivo qualquer.  Por outros, não voltei à quadra nas duas semanas seguintes. De compromisso em compromisso, passou-se o mês. Uma dor no ombro que eu administrava há tempos piorou, fui examinar. Rompimento parcial de dois tendões. Repouso, gelo e fisioterapia. E, de quebra, o aviso de que meus pulsos também estavam de sobreaviso.

Senti soar o alarme, piscou a luz de alerta. Ombro > cotovelo > pulso > mão > dedos... não, a dor não pode chegar às cordas do meu baixo Mayones, de jeito nenhum!

Graças a Deus, no dia-a-dia da minha are/ofício, a dor não atrapalhava. Um incômodo que não incomodava - com o perdão do máu português. Salvo no eventual pedido de foto: se eu tentasse um abraço em alguém que estivesse do meu lado esquerdo, minha expressão facial sairia dolorosamente estranha na foto.

Como não posso me dar ao luxo de brincar com isso, tomei a decisão. Marquei uma reunião com minhas raquetes pra avisar que, a partir de agora, elas teriam uma função puramente decorativa - também louvável: um pôster em 3D na parede.

Elas objetaram "Mas é o ombro esquerdo, tú és destro, não temos nada a ver com isso! Só jogamos uma vez por semana, a culpa não é nossa! É da doubleneck, da sanfona! Pára de pular no palco com esse peso pendurado no ombro em vez de abandonar o jogo!" 

Não duvido que alguma delas, sem querer falar na lata, tenha pensado "Culpa do DNA: Data de Nascimento Antiga! Se até o Pete Tonwshend sossegou, parou de girar seu moinho de vento, por que esse alemãozinho fica se esgualepando a cada acorde?".

Tadinhas. Expliquei que eu estava sofrendo tanto ou mais do que elas, que me divertia muito jogando, mas fazer música é o que me faz viver. No fim, entenderam. Até ficaram felizes pela folga. Não deve ser nada muito glamouroso ser raquete deste veterano tenista medíocre. 

(*)

Postei este texto assistindo ao Australian Open. Madrugada adentro. No sofá, onde sigo jogando e onde sempre joguei melhor. Ainda uma criança vendo os ídolos desafiarem leis da física que a nós, pobres mortais, aprisionam.

Sou grato pelas horas que, desde guri, passei nas quadras. E por não ter sabido, na ocasião, que jogava meu último ponto.

(*)

Evoé, Thomas Koch, Guga, Borg, Guillermo Vilas, Jimmy Connors, Ivan Lendl, Boris Becker, Patrick Rafter, Pistol Pete & A-Train, FedEx, Rafa, Nole... Evoé!

Evoé, Martina Navratilova, Steffi Graff, Elena Dementieva, irmãs Williams... Richie Tennenbaum, Evoé!


bah: pra quem se interessa em outros olhares sobre o esporte, no livro Ficando Longe Do Fato De Já Estar Meio Que Longe De Tudo, do David Foster Wallace, há um texto tribom chamado Federer Como Experiência Religiosa.

abraços sem cara de dor
19jan2016

k7 no Chevette


Artistas longevos, de obra generosa e solidamente construída, permitem que nos movimentemos dentro dela, descobrindo cantos, preferindo ambientes, estranhando corredores, abrindo portas e janelas, fechando capítulos e feridas...

... oferecem espelhos para vários momentos da vida. E nem precisa ser um espelho multifacetado. Na beleza da música pop, dá pra fazer golaço nas duas goleiras: tanto sendo um camaleão como David Bowie quanto usando o mesmo corte de cabelo a vida inteira como Jeff Beck. 

(*)

Ao lado da melancolia, quando um grande artista nos deixa, pinta o incômodo de sentir que se oficializam as leituras de sua obra feitas pelas "cabeças pensantes" de plantão. Narrativas quase sempre empobrecedoras, esquemáticas, que nunca conseguem captar os fenômenos em toda sua grandeza e sutileza.

Algo sempre se perde nos resumos e atalhos. Às vezes, esse "algo" é o principal. Não é qualquer fotógrafo que consegue capturar o movimento.

Normal, tá no DNA da indústria da informação a tentativa de enquadrar em um par de frases grandiloquentes uma trajetória, por mais singular que seja. Na real, essa caça às borboletas começa no primeiro acorde da carreira. Mas depois do último, ela parece mais cruel.

O fato de os necrológios de celebridades serem escritos antes de suas mortes é sintomático, né? David Bowie tem, desde sempre, escapado bem destas armadilhas.

(*)

O meu Bowie particular é o de uma k7 do álbum Scared Monsters (and Super Creeps) rodando num Chevette Hatch que, por sua vez, rodava pelos paralelepípedos da Porto Alegre do início dos anos 80.

Para Bowie, Ashes to Ashes (o single do disco) encerrava a década de 70. Num cantinho do planeta, ao sul da América do Sul, pra alguns de nós, ela encerrou os anos 60.

RIP, Bowie.

Obrigado pelas mensagens lembrando o
aniversário do primeiro show dos EngHaw.
Acima, o cartaz feito há 31 anos
por colegas da FAURGS.

2016, vamos juntos!
abraços
12jan2016

por osmose


Sempre, em qualquer situação, dá pra aprender alguma coisa. Até em aulas de química.

Brincadeirinha. Viva a educação formal, todas as ciências e a transmissão do saber! Mas, sério, nunca aprendi nada de química. Tive professores bacanas, sempre achei a finalidade da matéria interessante e promissora, mas, em algum ponto do caminho, o trem que me levaria da ignorância à sabedoria descarrilhou. Talvez seja porque no início do ensino dessa disciplina no colégio problemas lá em casa me fizeram perder muitas aulas. Nah, sem desculpas! Acho que certas coisas "são pra ser", tá escrito. 

Sempre que alguém tem implicância com alguma matéria (quem não tem?), sabe explicar muito bem por que: qual área da matemática, qual período da história, qual aspecto do português, que exercícios de educação física... nem isso sei sobre química.  É simplesmente um branco na minha formação, sem ressentimentos. Ainda que, mais de 30 anos depois, vez por outra, eu ainda sonhe que tenho prova na manhã seguinte sem saber nada do conteúdo, sem ressentimentos. Falando nisso, como será que eu passava nas provas? Deve ser o que crentes chamam de milagre. Eu acredito.

(*)

Aprendi um lance numa aula de Biologia. Foi no dia em que o professor ensinava osmose (movimento de água entre dois meios de concentrações diferentes através de uma membrana semi-permeável, um fator importante na vida das células). Depois da explicação, ele perguntou: não seria legal se a gente colocasse um livro sob o travesseiro e, à noite, durante o sono, aprendesse tudo por osmose? Todos concordamos sorrindo. Depois de uma pausa dramática, o professor disse: Não! Cuidado com seus desejos! Na osmose, a passagem se dá do meio menos concentrado para o mais concentrado:  a direção da transferência seria da cabeça para o livro!

Essa blague me serviu mais vida afora do que o conhecimento sobre a osmose em si. Lembro dela quando tenho que peneirar a www atrás de informação confiável, desviando dos engajamentos histéricos, das teses que precedem fatos e a eles tentam se impor. Afinal - nós e a rede - quem alimenta quem? É mesmo uma via de mão dupla (múltipla?). A superabundância de informação pode desinformar?

Hortelã pra refrescar.
bah: Depois de uma virada de ano maravilhosamente sossegada numa Porto Alegre deserta, hoje participo do tradicional Sarau Elétrico, no Bar Ocidente. Numa Porto Alegre que, aos poucos volta à sua concentração normal. 

O resto da semana passarei em estúdio com Rafa e Nando registrando uns lances bacanas que pintaram nos shows de pré-estreia da tour Louco Para Ficar Legal. Em breve, divulgo a agenda de 2016, ok?

Além de shows, o ano promete alguns videos no primeiro semestre, a gravação de um disco de inéditas no seu final. Mas aí já tô colocando o carro na frente dos bois, né? Bora lá, um dia de cada vez.

abraços
05jan2016